quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

Movimento Rápido dos Olhos

 
Eu tenho vários dons, e muitas vezes só descubro isso depois de usá-los. Tenho o dom de ser amigo, tenho o dom de perdoar, de persuadir de maneira positiva, tenho o dom de curar feridas internas, tenho o dom do ser otimismo. Muitos podem realmente vir a dizer que isso são apenas qualidades, mas eu acredito que hoje elas se tornaram dons especiais. E tudo porque o mundo involuiu, e regride na mesma velocidade em que você consegue pensar. Os valores se distorceram, as pessoas se dissimularam completamente, a Humanidade se perdeu num labirinto consumista, individualista, agressivo, pertubador. Por isso mesmo que eu digo que as qualidades ascenderam ao patamar de dons. Não é mais pra qualquer um saber perdoar. Perdoar se tornou algo iluminado, um poder que se eleva acima das pobres cabeças perdidas nas massas errantes e transitantes pelas vias expressas, se espremendo atônitas e aflitas pelas calçadas em busca dos segundos perdidos. Bom, se não se tem mais tempo para sorrir ou dar uma boa olhada num entardecer, com certeza todos tem tempo de ir ao shopping, se embrenhar pelas filas das compras, se anestesiar nas filas dos bancos. Isso é nosso mundo de hoje, infelizmente.

Aqui eu deveria estar falando de trivialidades, comentando sobre como foi meu dia, minha rotina sutil de levantar e deitar, comer e correr, pagar e trabalhar. Mas acabo sempre usando outro dom meu [o de escrever] para buscar o significado por trás de toda rotina, a filosofia por tras de cada gesto e cada atitude nossa. E aí transformo tudo num cataclisma poético, numa licença lírica de versos que fluem pela minha veia e mantêm meu corpo vivo e meu espírito pulsando. Meu segundo livro está praticamente pronto, os detalhes agora são mais técnicos e artísticos, e tenho certeza de que até antes de abril estarei lançando ele. Tenho o dom da paciência, mas sinto certa necessidade urgente em lançar logo esta minha nova obra, pois já tenho mais dois trabalhos prontos e finalizados. Tenho outro dom, o de sonhar sempre, até mesmo de olhos abertos. Sonhar de olhos fechados só mesmo para os exaustos das rotinas cansativas e diárias deste mundo desmbestado e perdido.

R.E.M.

Não enxergo a linha do horizonte
Estou atordoado
pelo asfalto que esquenta meus pés
e pelo amor que consome
este coração que se desfaz
em lágrimas que se evaporam
no Tempo antes que possam
tocar a Terra em beijos suicidas

Tudo parece um sonho
Onde nossos olhos brincam no escuro
Mas o dia avisa a claridade
E a ardência navega minha pele
Não enxergo vitórias nem glórias
Apenas vislumbro sua silhueta
Brincando e sorrindo ao meu redor

A estrada reflete em seus olhos
E tudo se confunde se funde e no fundo
Terra e Céu se afundam
Em nossas realidades oníricas
Tudo em mim flutua neste sonho

Asas rasgando cumulus e nimbos
E eu sendo açoitado pelos ventos
De meus pensamentos
Soprados de ti
Penhascos e abismos
Sussurros e suspiros
Sinto vertigens por teus sorrisos
Mas não é tempo de acordar
Nosso sonho não amanheceu ainda.

do livro À Sombra de Um Eclipse,
Ulisses Góes // a ser lançado
neste ano de 2006
 
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