sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A Batalha Interrompida de Evan


A vida sempre nos reserva mistérios os quais nos envolvemos de tal maneira que ficamos a buscar respostas e esclarecimentos, caso contrário ficaremos submersos naquele quebra-cabeça com respostas pela metade ou argumentações inconclusivas. Eu sei que a vida, diariamente e mansamente, me envia sinais, recados, avisos, me indicando o caminho mais certo e correto a seguir, aquele caminho cujos passos me darão a sensação de realização plena, de felicidade pelos meus pensamentos, meus atos, minhas ações mais sinceras e silenciosas. Hoje assisti a um documentário na HBO, e enquanto eu assistia, emoções diversas inundavam meus pensamentos. Fui sentindo tanta coisa dentro de mim, que o ambiente de minha casa pareceu ficar do tamanho de minha mão. Sentia tristeza e comoção pelo sofrimento dos pais diante do filho que trazia dentro de si um transtorno bipolar, que o fazia pular da alegria mais extrema em estar vivendo para a depressão mais profunda e perigosa, inserindo em sua jovem mente até a idéia de suicídio. A impotência tomou conta de mim quando eu percebia que, mesmo sabendo de minhas possibilidades e meus potenciais como pessoa para ajudar aos outros e principalmente aos meus amigos, ainda haviam pessoas, jovens que precisavam de uma amizade muito mais forte do que a morte pode parecer aos seus olhos.
Eu sempre tenho a certeza dentro de mim de que as amizades verdadeiras, quando bem plantadas, desenvolvidas e cultivadas, podem superar tudo nessa vida, todos os males, todas os vícios, todas as ignorâncias, todos os sofrimentos, todas as maldades. E enquanto eu assistia o documentário, enxergava o sofrimento dos pais, e principalmente do pai do jovem Evan Perry, presenciando a trajetória dolorosa de seu filho, que enxergava somente na morte única saída contra a sua doença. Em determinado trecho do documentário criado pela mãe, Danna Perry [na foto acima com Evan] afirmava que aos 7 anos, seu filho agia como se fosse um adolescente de 15 anos, com mudanças extremas de humor, pensamentos inconstantes e idéias mórbidas sobre a vida, sobre as pessoas, e sobre ele mesmo. E perguntas saltaram em minha mente, enquanto eu me sentia uma pessoa impotente por saber que pessoas sofrem silenciosamente, e nem nos damos conta: o que se passou na cabeça de Evan, aos 15 anos, ao escrever sua derradeira carta suicida em seu laptop e logo em seguida tirar a própria vida, pulando da janela de seu quarto? Imaginar os pensamentos de um jovem que simplesmente foi engolido por problemas terríveis e angústias aparentemente insolucionáveis pouco antes de sua morte é um desafio forte, muito forte. E diante de tantas perguntas cujas respostas parecem não estar nesse mundo, a única certeza que posso trazer para esse texto que escrevo é a que vai em meu coração: o que eu sempre faço pelos meus amigos verdadeiros, eu poderia ter feito pelo Evan, pela família dele, pela mãe dele, pelo pai dele, pelos irmãos dele. Ser amigo, dar conselhos, orientar, estender a mão, o ombro amigo nos momentos mais difíceis, estar presente nos momentos mais complicados e negros, ser a luz, a direção, ser amigo. É como eu disse para meu amigo Inochi no msn: parece que só eu tenho o "dom" de enxergar tudo aquilo de mais importante e imprescindível na vida e que todos neste mundo aparentemente esqueceram de ver, ou não conseguem mais sentir.

Documentário: Boy Interrupted
EUA, 2008, 98 min.
Produção e direção:
Danna Perry
HBO Documentary Films

domingo, 18 de outubro de 2009

Nossas pegadas sobre a areia


A vida costuma algumas raras vezes me trazer surpresas magníficas que me deixam pleno de felicidade. Eu sei que não é todo dia que você é invadido de repente e de forma inesperada por uma sensação que mantêm teu espírito acima das nuvens. E quando isso acontece na vida da gente, a impressão que se tem é a de que fomos agraciados e escolhidos para viver tudo aquilo o que a vida pode nos oferecer de melhor. Eu me sinto assim hoje, atualmente, ganhando amizades incríveis e verdadeiras, daquelas que te fazem ter a certeza de que você é a pessoa mais rica do mundo, acumulando uma riqueza de valor irreal. O destino é incrível e surpreendente. Tenho amigos fabulosos, dois afilhados fantásticos, e agora acabei de ganhar uma amizade que praticamente se tornou parte essencial de minha existência. Um amigo fabuloso, que me cativou, me encantou pela sua sinceridade, sua gentileza, sua amizade pura, seu companheirismo fiel, sua presença sempre marcante. Cativamos, e realmente somos responsáveis pelos amigos que cativamos. E com o passar do tempo, a amizade se transforma em algo maior, mais presente, e se torna sentimento de irmãos.
Criamos laços com pessoas que se tornam mais irmãos do que os próprios irmãos de sangue que possamos ter. É como se a gente se conhecesse há muito, muito mais tempo do que a gente mesmo pode definir, uma amizade que ultrapassa os séculos, quebra a barreira das distâncias e nos ensina que o mais importante da vida é saber sentir, aprender a viver e não ter receio em mostrar o quanto você gosta das pessoas que são muito especiais para você.
A vida decidiu me dar mais um presente incrível, uma amizade marcante e que nunca mais esquecerei, um laço de companheirismo que se transformou em um irmão sempre presente. Meu maninho José Sallum [ou poplolxd14, nick usado por ele no Cabal Online] me conheceu pela determinação e pela persistência que trazia dentro de si, em acreditar na amizade que ele conquistaria pela força de vontade. Não desistiu e foi recompensado, e hoje somos mais unidos do que nunca, pela afinidade e simpatia que cativou um ao outro. Algo que não se consegue explicar precisamente com palavras. É algo que simplesmente acontece, a conexão de amizade, a simpatia mútua, o respeito, o companheirismo, a saudade constante, a certeza de que nem a distância e nem o tempo serão obstáculos para continuarmos sendo irmãos. Podemos não ser irmãos de sangue, mas somos irmãos de espírito, e trazemos essa certeza dentro de nós. Eu costumo deixar gravado em meu blog tudo aquilo que me toca profundamente o coração e o espírito de alguma forma, tudo aquilo que é realmente importante para mim. Logo, nunca eu poderia deixar passar em branco essa amizade que ganhei, esse irmão que ganhei, além da amizade fantástica de seus pais incríveis. E eu posso dizer pra você, maninho, com plena certeza de que deixamos o destino agir e guiar nossos coração, tivemos fé em tudo que acreditamos, e hoje vemos sempre as nossas pegadas sobre a areia fina.

Voce tem sido um bom amigo
Ha muito tempo esta comigo
Os amigos sempre vão e voltam
É sempre assim
Nao importa quanto tempo
Estaremos juntos
Pode crer
De agora pra frente
Nos vamos ficar
Nada vai nos separar
Eu tenho certeza
E vou te falar
Um amigo eu encontrei
Não te deixarei
Com voce eu quero sempre estar
Sempre juntos caminhar
Pra onde nao importará
Viver o poder que nos faz
Amar e assim
Juntos pra sempre viver
Eu pra voce, voce pra mim.

versos escritos pelo meu
maninho José Sallum / Pop

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Sangrando poesia


Incrível essa minha capacidade de brincar com as palavras mesmo sem sentir que estou brincando com elas. Hoje me ocorreu algo semelhante, e nunca me passou pela cabeça olhar atentamente a poesia que tinha feito diante de mim. Hoje resolvi ouvir U2 no volume máximo. Então fui escolhendo aleatoriamente as músicas que mais me arrepiam a alma. Fui compondo meu "set list" para escutar enquanto trabalhava. Então, lá pela 3ª música, parei para olhar de fato a lista de músicas escolhidas, e elas me revelaram uma poesia para mim. É um verdadeiro achado lírico, poético e fabuloso. Construí esse meu poema baseado na lista de músicas que decidi ouvir hoje. Senti-me plenamente enlevado, tanto pelas músicas que escutava quanto pela poesia que havia "acabado de reconstruir". É fácil como consigo enxergar poesia em tudo, até mesmo numa lista de músicas que escuto. Reconstruí e transformei o que estava diante de mim, e tive a sensação de que o poema esteve sempre ali, latente, pulsando, pedindo para ser desvendado, descriptografado, destruído e reconstruído. Senti realmente que foi uma sangria inevitável e continuada de lirismo, impregnada não apenas nas canções que eu escutava, mas também nos títulos das músicas e na forma como elas se apresentaram aos meus olhos de poeta. As palavras dos versos que estão em negrito são as palavras que inseri entre os títulos para dar sentido à construção das frases.

Amo você também

Amor perpétuo é
A origem da minha espécie

daqui a pouco estarei
encarando o sol

papai irá pagar pelo seu carro batido
até o fim do mundo

Cidade da Colina Vermelha
Mau caminho

Levante-se, isto é hilário
Eu Vou Ficar Louco Se Eu Não Enlouquecer Esta Noite

Continue em frente pois
Alguns dias são melhores que outros

Caminhos misteriosos até
A chama inesquecível

Você se sente amado?
Magnífico
porque eu amo você também.

por Ulisses Góes, baseado em títulos de
canções da banda irlandesa U2.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Contaminado até a alma


Estou contaminado pela idéia de poder lançar meu livro. Pelas minhas veias circulam agora êxtase, excitação, determinação e felicidade. Estampa-se em minha face o retrato de quem respira novos ares e corre atrás da realização de seus sonhos mais antigos, exatamente aqueles que nascem na nossa infância descontraída e sincera. A notícia fabulosa enfim chegou aqui em meu blog e inundou completamente minhas palavras, meus pensamentos, minha liberdade grata de escrever aqui, mesmo que tudo o que eu escreva aqui neste momento seja lido por meia dúzia de pessoas. Estou contaminado pela idéia de meu livro ser lançado. No final de agosto recebi um email da Editora Novo Século, de Osasco, na Grande São Paulo, informando que o original de Efeito Cacaos foi aprovado por eles e que começará a ser produzido agora no final de setembro, para ser encaixado dentro da Coleção Novos Talentos da Literatura Brasileira, com lançamento marcado para abril de 2010.
Estou embriagado por essa idéia, vivendo um porre constante e homérico, dormindo, acordando e respirando essa idéia 24 horas de cada dia de minha humilde vida. Não posso perder essa oportunidade e nem perderei. Deixo gravado aqui essa minha determinação de seguir adiante com meu objetivo de lançar meu livro, livro esse que foi forjado com sofrimento, tinta e papel há eras atrás, no florescer de minha adolescência. Esse meu texto inebriante tem a trilha sonora do álbum Viva la Vida, do Coldplay, e pode ser apenas coincidência ou não, mas estava apenas disposto a ouvir o álbum, mas não determinado a escrever estas palavras contaminadas de êxtase e felicidade. Respiro a mais pura alegria. Para todos os meus amigos, meus dois afilhados e irmãos de coração, não de sangue, deixo a afirmativa flamejante de que nunca devemos desistir de nossos objetivos e sonhos, nunca devemos desanimar diante de obstáculos, nunca devemos parar diante da solidão de nossa idéias, quando parece que somente você acredita naquilo que está fazendo e planejando. Seguir adiante, mesmo que seus passos sejam silenciosos e suas atitudes se mostrem mínimas. Seguir em frente, sob a chuva de setembro, o sol morno de dezembro, atravessando os desajustes da vida.
E aproveitando a oportunidade, gostaria realmente e imensamente de agradecer ao blog Meme de Carbono, por ter indicado meu blog entre 5 escolhidos no blog day 2009. Sua atitude conseguiu mostrar que estou sendo garimpado e encontrado pelas pessoas por esses veios virtuais da internet. Gosto quando percebo que as pessoas estão se deixando contaminar pelo meu blog. Minhas palavras são contagiosas.

Mãos de catar vento

O umbigo radiante da Lua desencadeia
A fina chuva de Agosto em nossas mãos
Observo toda a vida correndo pelos seus cabelos
Aguardo o olhar piscante do Farol
Para seguir em frente enfrentando as ondas
E guardando teus sorrisos em frascos de lembranças

Os sonhos estão soprando sobre minha cabeça
Minha vida sopra fora de controle como uma brisa
Um furacão de sussurros
Uma ventania de beijos e abraços
Apenas imaginados sobre minha cabeça
E iluminados pela luz das estrelas

A fina chuva de Agosto molha nossos pés
Nossos caminhos serenos de cumplicidades
Abraços secretos pintados de amarelo
Risadas frouxas aquecendo as últimas
Luzes do dia que se vai
Mãos abertas flutuando pelo ar que se esvai...

por Ulisses Góes

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Explodindo em palavras


Cada um vive de sonhos, esperanças, metas, objetivos. Quem não as tem, está fadado a caminhar a esmo sem direção, desorientado em pensamentos e atitudes vazias. Eu tenho um sonho, uma meta, um objetivo: ser, antes de tudo, antes de mais nada, e antes de qualquer outra coisa, escritor. Já lancei livro? Já, em meados de 2001. Mas isso não basta para mim. Quero lançar mais e mais obras, poder sentir a presença de milhares de leitores a ler meus versos, minhas prosas, minhas histórias. Quero sentir a presença de pessoas intelectuais tentando decifrar, através de estudos e palestras, cada um dos meus versos que esconde, em seu íntimo, uma verdade minha. Quero sentir cada pessoa se emocionar ao ler um poema meu, quero poder me emocionar ao escutar alguém musicalizando versos meus. Quero tudo isso, a apenas tudo isso.
Um homem deve e pode, livremente, viver em busca de seus sonhos mais sinceros e desafiadores. Nunca desistir, nunca desanimar, por mais dilacerante que seja a situação, por mais sofrível que seja o momento em que viva. Eu escrevo, e porque eu escrevo? Nem eu sei explicar. É algo inerente à minha pessoa, ao meu ser, ao meu espírito. Escrevo porque flui, porque pulsa, porque jorra, porque explode, tal qual uma Supernova na imensidão do espaço. Tudo que vivo e já vivi, transformo em poesia. Minhas dores, minhas alegrias, meus amores, minhas amizades, músicas e momentos, situações e pessoas. Não sei se sou eu que abraço o mundo com poesia, ou se é o mundo que me abarca com emoções únicas. O que posso apenas dizer é que eu me realizo escrevendo, me sinto eu mesmo, me sinto livre e desgarrado desse mundo. Agora estou sorrindo. Provavelmente porque me senti realizado agora escrevendo todas essas palavras verdadeiras nesse texto.
Não me recordo se já divulguei esse meu poema abaixo, mas de toda forma, posto ele aqui, pois já faz um bom tempo que não publico poemas meus aqui em meu blog. Já estava mais do que na hora de lançar mais versos por aqui.

Supernova

partículas flutuantes despedaçadas pelo ar
antes do café e logo depois do jantar
por dentro e por fora a ruptura que te envolve
mostra que universo te pertence e te devolve
em goles mansos de sentimentos mornos

você caminha devagar e aponta o Sol
seu sorriso devolve minhas esperanças sequestradas
minha fé aniquilada minhas preces espatifadas
o caminho que eu sigo vem de teus traços
desenhados por você com mel e grafite
e tudo o que em mim respira e existe
se define pelo brilho cândido de teu olhar
por dentro e por fora a ruptura que me envolve
mostra o Tempo o meu sentimento o teu rosto

o som de tua voz escorrega em meu pensar
pintando quadros nas janelas que abri
criando linhas de distorção onde velejo suave
nesse teu mar de palavras e risadas

partículas despedaçadas flutuantes pelo ar
lá fora na escuridão sobre o Mar
farelos luminosos molhando teus cabelos de Sol
cegando minha visão me fazendo mais te amar
tu perfeitamente me fazes sonhar
antes do café e logo depois do jantar
Tua face me aquece nesta minha febre de viver
de sabores poesias biscoitos passeios eu e você.

por Ulisses Góes

quinta-feira, 23 de julho de 2009

360° e girando


E aqui estou eu, mais uma vez, presenciando pela internet e acompanhando, admirado, mais um tour do U2. Um espetáculo de produção, como sempre tem sido as tours da banda. Depois de lançado o álbum No Line On The Horizon [2009], eles colocaram o pé na estrada e iniciaram sua mais recente maratona de shows, que acontecerão pelas principais cidades de diversos países. Recordo-me de ter assistido ao show da Vertigo Tour, em 2006, pela TV, e na ocasião deixei até meu registro e considerações do que vi aqui em meu blog. Na época, foi fascinante e envolvente, e agora, mais do que nunca, na rapidez virtual da internet, logo após eles abrirem a 360°Tour em Barcelona, na Espanha, no último dia 30 de junho, na manhã seguinte eu já estava escutando o show e sentindo arrepios por todo o corpo. Algumas músicas que não lembro de nunca terem sido tocadas antes em show, agora fazem parte do setlist e me emocionaram, como In A Little While e The Unforgettable Fire, algumas de minhas favoritas.E como tem ocorrido recentemente pelo mundo afora, houve espaço para Bono inserir uma homenagem para Michael Jackson, cantarolando trechos de Billie Jean e Don't Stop 'Til You Get Enough. A foto acima é do show que ocorreu em Paris no último dia 11 de julho. Eu sonho em poder assistir ao vivo um show do U2 aqui no Brasil. Apesar de já ter planejado tantas vezes anteriormente ir ao show da banda e nunca ter conseguido realizar esta façanha, ainda tenho esperança de um dia realizar este sonho antigo. O mundo dá suas voltas e, quem sabe, eu esteja girando e indo de encontro ao meu sonho, sem que eu saiba.

Vá, grite alto, erga-se
Escape de si mesmo e da gravidade
Ouça-me, pare de falar, para que eu possa falar
Silêncio agora
Encerre o programa e mova para a lixeira

Unknown Caller - U2
álbum No Line On The Horizon [2009]

quarta-feira, 15 de julho de 2009

A luz e a escuridão dentro de cada um


Esses últimos dias o mundo inteiro sentiu-se sacudido pela notícia da morte de Michael Jackson. Até eu mesmo fui pego de surpresa enquanto dava um giro pelos canais e parei subitamente na MTV, batendo de frente com o fatídico anúncio. Inegavelmente, Michael era um extraordinário astro multifacetado, cantor, dançarino, bailarino, compositor, produtor. Seu legado musical acaba superando os Beatles e Elvis, quando se trata de hits que circularam nos topos das paradas por todo o mundo, isso sem falar nos milhões de discos vendidos, nos clips antológicos, passos de danças que viraram sua marca registrada. Assim como foi sua vida, sua morte se envolve em mistério incrível, e até o momento [pelo menos até que os legistas concluam suas autópsias] ninguém tem certeza de como ocorreu e dos motivos da morte de MJ. Excesso de medicamentos prescritos por médicos ligados ao cantor indicam que ele levava uma vida a base de anestésicos fortes. Eu concluo apenas que Michael levou uma vida marcada por traumas, complexos, problemas emocionais, ausência de uma infância sadia, infância essa que ele só recuperou e desfrutou de fato depois de adulto, o que ele não escondia de ninguém. Muito provavelmente, Michael era apenas um crianção, um moleque brincalhão que apenas queria aproveitar aquilo que seu pai havia lhe tirado, a sua infância. E muito provavelmente, estigmatizaram Michael com uma imagem negativa, como um provável pedófilo, um abusador de criancinhas inocentes. No último domingo, o Fantástico mostrou uma longa matéria sobre Michael Jackson em sua intimidade, no rancho Neverland, revelando um verdadeiro crianção, em vez do propalado pedófilo, numa reportagem sem sentimentalismo ou pieguice.
Infelizmente [e isso é uma verdade], a humanidade, em seu atual estágio evolutivo, prefere apenas enxergar o lado negro, ruim, sujo de cada ser humano, e considerar que esse seja o único lado que prevalece em todos nós, como se em cada pessoa inexistisse o lado bom e iluminado. Claro que ninguém nesse mundo é perfeito e somente bonzinho. Mas convenhamos que todos nós trazemos dentro de nossa alma os dois lados da mesma moeda, o bom e o ruim, a luz e a escuridão, cabendo a cada um escolher qual face pretende potencializar e qual caminho trilhar. Se a maioria das pessoas fosse mais esperta, descobriria que se aprende muito observando a vida das pessoas, mas apenas observando, sem julgar ou criticar de maneira negativa. Aprende-se muito, tantos com os acertos como com os erros.
Esse mês meu blog completa 4 anos de uma existência virtual repleta de textos filosóficos, poesias, descobertas musicais, desabafos silenciosos, coletânea de experiências de minha vida, opiniões sinceras. Durante todo esse tempo, fiz o máximo para que ele sempre se mantivesse atualizado, como um diário-observatório onde relato todas as minhas impressões sobre esse mundo incrível que me cerca nesta minha existência. Tanto já vi e vivi, e sei que ainda há muito a ser visto e vivido. E eu sei que tenho esse dom magnífico de se deixar ser contaminado por idéias, sensações, sons, palavras e sonhos. Quem sabe, algum dia, tudo isso aqui não vire um saboroso livro a ser degustado sem qualquer pretensão? No mais, estou por enquanto me preparando para ouvir o novo trabalho da banda Placebo, intitulado Battle For The Sun [cuja capa aparece logo acima no início de meu texto], e mais tarde assistir mais um episódio da 2ª temporada de True Blood. Qualquer coisa, deixo pegadas no meu twitter: http://twitter.com/csipatofu

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Contaminado pelas crônicas e pelos mushis


Sempre que ando pelas ruas e encontro alguém conhecido, escuto aquela frase óbvia e irritante: "Sumiu por que?" E eu sempre tenho vontade de soltar respostas violentas e penetrantes, mas me contenho. Apenas retruco: "Eu sumi? Não sumi, apenas você que não me encontra onde estou". E fico sempre pensando porque raios as pessoas sempre soltam aquelas frases óbvias, aquelas perguntas repetitivas e com questionamentos sem qualquer profundidade de desafios a serem desvendados. E você, que está lendo estas minhas linhas neste meu blog irá questionar o motivo pelo qual estou filosofando acerca dessas situações enfadonhas do cotidiano. É simples a resposta. Não tenho deixado muitas palavras nesse meu blog ultimamente, e isso significa que ando sumido daqui há algumas semanas. E se perguntarem por onde andei, digo apenas que estava ocupado me contaminando com mais algumas idéias que tive. Uma delas é um novo livro que estou escrevendo, baseado em um jogo online que curto muito, o Cabal Online. Antes da história toda rodar em minha mente, o livro já tinha título: As Crônicas de Nevareth. Uma história ambientada em um outro universo místico, misterioso, fabuloso, fantástico, maravilhoso, mesclando elementos de RPG, anime, desenho animado, ação, e referências à nossa própria cultura ontemporânea atualizada por violências, guerras, batalhas diárias que sempre travamos não apenas com o mundo ao nosso redor, mas com a gente mesmo. Guerras internas, entre nossos lados diversos, antagônicos. Quem quiser ler os primeiros capítulos do livro, acesse o blog As Crônicas de Nevareth que criei especialmente para as Crônicas.
Eu mesmo diariamente tenho que enfrentar meus demônios interiores e dominá-los da melhor maneira que puder, enganá-los, ludibriar suas vontades e desejos, bater de frente e olhar em seus olhos vermelhos acesos e não fugir diante das ameaças. Diariamente fazemos isso, ao nos depararmos com escolhas, encruzilhadas, cruzamentos, decisões difíceis, onde nos colocamos à prova, colocamos na berlinda nosso caráter, nossa honra, nosso nome, nos expondo através de palavras, opiniões, frases, olhares e sorrisos.
Meus demônios, eu os mantenho sob total controle, observando à uma distância segura, e mesmo que eles fujam, eu tenho total certeza de que sou forte o suficiente para trazê-los de volta antes que ocorra o pior. Isso é o que eu chamo de estar bem consigo mesmo, tendo tudo sob controle, pelo menos no que diz respeito a você mesmo. Porque sabemos que ameaças externas são perigos constantes que enfrentamos e que não podemos controlar. Os passageiros do voo 447 do avião da Air-France que caiu no Atlântico não tinham como saber do trágico destino que os aguardavam. Logo, antes de sair em batalha com o mundo lá fora, o melhor que se pode fazer primeiro é enfrentar seus perigos interiores, seus demônio mais pavorosos escondidos no fundo de sua alma. Acredito que, no meu caso, eu sei como enfrento meus demônios. Eu os prendo todos em meus escritos, meus versos, minhas histórias, selando os destinos deles para sempre.
E como havia dito, andava ocupado me contaminando com idéias, imagens, textos, livros, animes. E finalizo com uma ótima dica de anime para ser visto com atenção: Mushishi, um anime leve, fabuloso, místico, sobrenatural. São apenas 26 episódios, mas com histórias incríveis, fantásticas e envolventes. Passei 1 semana sendo contaminado por este anime. Um dos motivos de minha ausência aqui em meu blog. A seguir, o vídeo de abertura do anime, com a música tema "The Sore Feet Song".

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Brasil carnavalesco e Índia oscarizada


E eis que surge um turbilhão de novidades, em meio a essa época carnavalesca. Como eu não gosto de Carnaval, procuro ocupar meu tempo disponível com coisas que eu, particularmente, considero bem mais atrativas e interessantes. Como por exemplo o álbum novo do U2, No Line On The Horizon, que apesar de todos os esforços da banda e da gravadora, acabou vazando na internet, para alegria dos fãs. E o que dizer de um trabalho incrível que já foi proposto pela revista Rolling Stone como sendo um novo clássico do U2, recebendo 5 estrelas na crítica da publicação. E uma das melhores definições que eu considero perfeita para o trabalho mais recente do U2 partiu de uma crítica brasileira Uliana Resende, da BR Press, que o qualificou como um disco-esfinge. Decifra-me ou devoro-te. E realmente, trata-se de um disco ao mesmo tempo vigoroso, inventivo, experimental, pesado e que remete a diversas fases e sonoridades de toda a carreira do U2. Tudo indica que o disco já nasceu como um clássico, um novo divisor de águas na trajetória musical da banda. Cito três músicas que considero as mais fabulosas: No Line On The Horizon, Magnificent e Stand Up Comedy.
Outra novidade que ando escutando por esses dias é o álbum novo da banda escocesa Franz Ferdinand, intitulado Tonight Franz Ferdinand, esse também mais um trabalho que curti bastante. O curioso é que inicialmente baixei esse álbum porque havia uma música com meu nome, e eu queria ouví-la, e saber que tipo de sonoridade brotava de Ulysses, o primeiro single da banda. De acordo com a banda, eles escreveram essa música, assim como todo o restante do álbum, baseada na obra Ulysses, do escritor irlandês James Joyce. Assim como o livro, que conta a história de um dia na vida do personagem, o trabalho da banda tenta mostrar tudo o que poderia acontecer em uma noite na vida de alguém. Can't Stop Feeling e Lucid Dreams são músicas incríveis, apesar de que eu preferi a primeira versão desta última, divulgada antes do álbum ser lançado.
E ontem assisti a 81ª festa de premiação do Oscar na TNT [já que a Globo tomou uma decisão ridícula e infeliz de transmitir o Desfile das Escolas de Samba do Rio ao invés da premiação], que este ano mostrou um produção mais modesta, num formato mais diferenciado dos anos anteriores, numa apresentação até mais rápida e dinâmica, e com resultados incrivelmente globalizados. Quem Quer Ser Milionário?, uma produção dirigida por um inglês e com atores indianos acabou levando 8 das 10 premiações as quais estava indicado, inclusive o de melhor diretor e melhor filme. A foto acima é da pequena indiana Rubina Ali Qureshi, 9 anos, atriz-mirim que atuou na produção [Foto Gautam Singh/AP]. Outro filme que liderava as indicações, com um total de 13, era O Curioso Caso de Benjamim Button, que acabou levando apenas 3, melhor efeito especial, melhor maquiagem e melhor direção de arte. E Heath Ledger foi homenageado com um Oscar póstumo de melhor ator coadjuvante devido ao seu trabalho como Coringa por Batman - O Cavaleiro das Trevas. O prêmio foi recebido pelos pais e a irmã do ator. Por incrível que pareça, um filme que ainda não assisti e que tenho imensa curiosidade em ver por causa da tão comentada atuação de Ledger. Eu já assisti Batman Begins e considerei o melhor filme até então feito sobre o herói. E após assistir na íntegra a premiação do Oscar, percebo que, enquanto o nosso Brasil se rende a tantos festejos momescos, a Índia brilha ofuscante agora com sua produção oito vezes oscarizada.
Para terminar, dois fatos importantes que estou procurando desenvolver ao máximo e torço para que dê tudo certo em ambos: o primeiro é um livro que estou escrevendo chamado As Crônicas de Nevareth, baseado em um jogo MMORPG, Cabal Online, e o segundo é a proposta de uma editora de São Paulo em analisar meu livro Efeito Cacaos e ver as possibilidades reais dele ser lançado. E atualmente, isso é tudo o que mais desejo que se realize, basta eu acreditar.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Caótico e tecnológico


Acredito que, atualmente, para a maioria das pessoas, está sendo uma tortura estar vivo e interagir com outros seres humanos. Eu percebo isso observando o cotidiano de muita gente que demonstra uma dificuldade enorme em superar conflitos, anular brigas e discussões desnecessárias. Elas parecem realmente estar em guerra constante, jogadas em trincheiras amaldiçoadas e imundas, lutando para sobreviver e seguir adiante, dia após dia. É lamentável, mas é uma verdade cruel. Diante dos fatos, começo a realmente me sentir um óasis vivo, isolado em minhas calmarias, imune à qualquer tipo de selvageria ou decadência sociológica que possa invadir minha vida. O mundo se tornou um inferno onde o homem cria outros tantos.
Ontem à noite, aqui perto de minha casa, um homem em uma moto foi atropelado por um ônibus. Morreu no choque, e chamou a atenção de milhares de curiosos que queriam ver seu corpo inerte, seu sangue no asfalto. ontem, o proprietário da casa onde moro resolveu discutir comigo, e eu, acostumado a usar de diplomacia e bom senso, decidi usar um dircurso defensivo e mostrar que não estou apto a certos tipos de pressões ridículas.
O mundo é esse retrato rápido de situações que acabei de pincelar. Violência, stress, revolta, caos, sangue no asfalto e no olho. E eu me sinto cada vez mais rodeado de um mundo revoltado, enquanto me defendo em meu oásis, buscando o máximo possivel ter o mínimo de problemas que puder. Até porque, por mais que tentemos, nunca estamos livres de um problema ou outro que apareça em nosso caminho.
Diante de tanto caos, abro um parênteses para demonstrar minha alegria e abençoar a maravilha tecnológica que é a internet. Depois de muitos anos, semana passada meu irmão Miro, a quem eu não via há mais de 10 anos, entrou em contato comigo. Antes havia sido minha irmã Zélia e meus sobrinhos Hemilly e Wasley que haviam conseguido me encontrar no orkut. E na semana passada foi a vez da mulher de meu irmão, Priscila, me encontrar no orkut e pedir notícias da família distante. Conversamos bastante pelo msn, os irmãos reunidos numa conferência via msn, coisa realmente inédita para essa família tão fragmentada e desconexa por tantos anos. Fiquei contente, e minha mãe mais ainda, por rever o filho distante.
Engraçado esse mundo de hoje. Sendo destruído e se revolucionando ao mesmo tempo.

E antes que eu me esqueça, a imagem que ilustra esse texto que escrevi é da contracapa do mais recente álbum do Guns N'Roses, Chinese Democracy, que eu estava ouvindo enquanto escrevia estas linhas. Para quem passou a adolescência ouvindo a voz cortante de Axl Rose em verdadeiros clássicos, nada mais adequado como trilha sonora para nossos tempos.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Bono e Lara, Lara e Bono


Hoje o U2 lançou finalmente seu novo single, o tão aguardado Get On Your Boots, que estará no próximo álbum da banda intitulado No Line On The Horizon, álbum esse já catalogado em minha extensa lista de coincidências existentes em minha vida. A primeira audição da nova canção do U2 já me remeteu a um som setentista, principalmente a bateria de Larry que, juntamente com a guitarra poderosa de Edge e o baixo de Adam, parecem ter absorvido uma sonoridade semelhante a de bandas como Led Zeppelin, uma das influências já declaradas pela banda nesse novo trabalho deles. Não fiz comparações com outras músicas anteriores de sucesso do U2, até porque seria um equivoco fazer isso. Como eu deixei claro em uma discussão na comunidade da banda no orkut, é preciso limpar nossas mentes e esquecer todas as músicas anteriores do U2 e ouvir essa nova música como se fosse a primeira vez que se estivesse ouvindo U2. Ainda estou absorvendo o que estou ouvindo de novidade em Get On Your Boots, e o que posso dizer no momento é que o som é renovado, diferente do que o U2 já tenha feito antes. E Bono solta mais uma pérola na letra dessa nova música:

"I’ve gotta submarine
You’ve got gasoline
I don’t wanna talk about wars between nations"

A propósito, a foto acima é da banda na cidade de Fez, em Marrocos, onde gravou partes do novo álbum No Line On The Horizon.

Lara retorna
E depois de tanto tempo longe de minha musa arqueóloga, aqui estou eu novamente jogando mais uma versão de Tomb Raider. Meu amigo Oroga trouxe para mim, de presente, a edição de aniversário intitulada Tomb Raider Anniversary, que comemora os 10 anos de lançamento do jogo de Lara Croft. Na verdade, essa versão é apenas um remake de Tomb Raider 1, com a diferença dos gráficos avançados e muito melhorados, além de utilizar a engine do jogo Tomb Raider Legend e alguns de seus recursos de jogabilidade. Sensação de nostalgia estar jogando mais uma vez este jogo, e para mim que já zerei as cinco primeiras versões do jogo, é excitante poder enfrentar novos desafios com Lara Croft. Era incrível jogar, pois o desafio de zerar demorava alguns meses, já que naquela época ainda não havia internet para podermos buscar tutoriais ou trocarmos idéias com outros jogadores sobre como passar pelas fases ou superar inimigos no jogo. Hoje a diferença está na facilidade em obter informações sobre o jogo e na rapidez com que se pode zerar um game, quando você está muito mais familiarizado com os desafios.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Um Horizonte de Coincidências


Minha vida é feita de experiências e coincidências. E mais uma dessas coincidências surge para se juntar a milhares de outras que ocorreram comigo e me fizeram rir e achar tudo uma constante brincadeira do destino. Mês passado eu havia ido a Ilhéus em um dia de chuva e pude admirar, fascinado à beira da praia em Olivença, um tempo fechado, cinzento, nublado, chuvoso, e um horizonte sem linha, o que fazia com que o mar se fundisse com o céu. Nunca havia visto aquela paisagem antes. Agora vem a fabulosa coincidência. Dias depois, antes do ano terminar, descubro através de informações e notícias divulgadas por fãs em comunidades no orkut que o U2 irá lançar seu próximo álbum no inicio deste ano de 2009. Agora você fica a se perguntar onde está a coincidência nisso tudo. E eu respondo: o nome do novo álbum do U2 é No Line On The Horizon.
De certa forma até já me acostumei com essas situações misteriosas que ocorrem sempre em nossas vidas. Entretanto, ainda fico pensando sobre coincidências. idéias e imagens que visualizo em minha mente e que, tempos depois, se realizam de maneira surpreendente. Talvez minha mente apenas processe diversas informações ao meu redor e consiga antecipar resultados óbvios como eventos lógicos. Imaginar um determinado prédio sendo construido em um terreno baldio 10 anos antes do mesmo ser erguido. Escutar as músicas de uma banda que ninguém sequer conhece, e seis meses depois essa mesma banda virar o sucesso do momento. Assistir episódios de uma série pouquíssimo conhecida, e tempos depois constatar que essa mesma série agora passa em alguns canais e é líder de audiência. Se interessar por um determinado assunto, pesquisar e ler livros a respeito, e em seguida ver, surpreso, que esse mesmo assunto se transformou em notícias e reportagens na TV. Coincidências? Ou o inconsciente coletivo em funcionamento constante? Seria uma predisposição nossa em conseguir antever as tendências sócio-culturais de um imenso grupo de pessoas? Cada um que procure encontrar suas próprias respostas.
Voltando ao novo trabalho do U2, o primeiro single do álbum "No Line on the Horizon", "Get On Your Boots", terá seu lançamento nas rádios do país, no dia 19 de janeiro, e a banda se apresentará no Brit Awards no dia 18 de fevereiro, onde tocarão o primeiro single do novo álbum. Enquanto isso, eu aguardo ansioso por ouvir novas músicas de uma das bandas que mais curto, e contabilizo mais uma estranha coincidência em minha vida.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Sem linha no horizonte


Passada a euforia das festas de final de ano, os brindes, os brilhos e luzes dos fogos de artifício, todos voltam à normalidade do dia-a-dia, certos de que estão começando novos ciclos em suas vidas. O que ninguém percebe é que o único ciclo que se fechou para que outro se iniciasse foi o ciclo temporal, esse de dias, meses e anos que rege a vida de toda a humanidade. De resto, nada mudou tão significativamente. A vida segue em frente, com sua rotina de compromissos, trabalhos, família e contas a serem pagas. Basta ligar a TV e assistir aos noticiários mais atentamente. Os conflitos na Faixa de Gaza continuam, a atual crise econômica mundial permanece, a violência urbana continua a ocorrer de maneira assustadora, as chuvas em Santa Catarina continuam a cair.
Não quero me mostrar pessimista ou negativo quanto aos planos de todos para este ano que se inicia. Apenas procuro observar o mundo de maneira mais realista e sem essa ilusão de considerar que tudo vai melhorar este ano. Sou otimista, mas com bom senso e inteligência. Todos sabemos que o mundo está atravessando um período muito turbulento cheio de crises, guerras, violências e diversas outras pequenas desgraças que nos alertam para o que está ocorrendo e para o que está por vir ainda. E justamente por causa disso é que, antes de sermos otimistas, devemos ser realistas. E não precisamos de festas de fim de ano para que nos confraternizemos e busquemos repensar e reavaliar nossas vidas, fazendo novos planos para o futuro. Se o mundo passar por mudanças profundas e drásticas em breve, pode ter certeza de que tais mudanças não irão esperar o dia 31 de dezembro para ocorrerem. Por isso devemos ficar atentos, e observar que nossas próprias mudanças pessoais devemos fazer em qualquer tempo, em qualquer época, independente de que seja final de ano para que possamos dar o primeiro passo para realizar tudo o que sempre planejamos fazer.
Como eu mesmo escrevi há um ano atrás, não preciso que um ano se inicie para que eu decida que ciclos e períodos em minha vida terminaram e outros tiveram início. Meus ciclos seguem andamentos próprios regidos por mim, começam e terminam quando eu considero que eles devam ser iniciados ou finalizados. Todos deveriam pensar assim, e buscar agir de maneira mais independente, sem ter que aguardar Natal ou Ano Novo para reavaliar suas vidas e colocar em prática seus projetos, seus sonhos e buscar alcançar seus objetivos estabelecidos.
E agora, somente perto do final do texto, lembrei de falar sobre a última vez que fui à praia. Semana passada, dois dias antes do final do ano. Fui a trabalho, receber um pagamento. Tempo fechado, chuvoso, uma garoa fina caindo, nuvens pesadas no céu. Logo após sair do Morro dos Navegantes, na estrada Ilhéus-Olivença, fui andando pela beira da pista em direção a um ponto de ônibus próximo. Andava sempre observando o mar, e puder ver algo que nunca havia visto antes. Não havia linha do horizonte na paisagem. O tempo estava tão fechado que o mar e o céu se confundiam numa paisagem acinzentada. Fiquei fascinado e hipnotizado por longos minutos, antes de pegar o ônibus de volta pra casa.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Sem árvore e sem enfeites

Véspera de Natal. Para a maioria, uma data festiva, motivo para reuniões familiares e troca de presentes, além de exercitar esse tão falado espírito natalino, desculpa estranha para querer ser benevolente somente nessa época do ano. Para mim, uma dia como outro qualquer, sem muita expectativa ou ansiedade por eventos importantes em família. Falando em família, sou nostálgico o suficiente para lembrar de meus Natais passados, de quando eu curtia mais essa época do ano. Quando eu morava com minha família, minha mãe e meus irmãos, eu gostava de arrumar a árvore e seus enfeites. Hoje não moro mais com minha família e aqui em casa não existe uma evidência sequer que possa denunciar a época natalina, sem um enfeite sequer, nada. Não que eu seja indiferente com relação às festas de final de ano, apenas não me empolgo mais com esse Natal marketeiro e altamente consumista. Simplesmente esse Natal não consigo me encaixar.
A única coisa boa desse dia de hoje é que amanheceu nublado e agora chove mansamente. Espero que o dia todo seja assim, pois curto muito dias nublados e chuvosos.
E para combinar com um dia como hoje, escolhi Dido como trilha sonora. Nada daquelas músicas ridiculas de Natal, aquelas melodias repetitivas e deprimentes, pelo menos para mim. Não há coisa mais estúpida do que aqueles temas natalinos ao toque de harpas. E coincidentemente, justo quando tive vontade de ouvir No Angel, descubro que Dido acabou de lançar seu novo trabalho este mês. Safe Trip Home caiu como uma luva para o momento, e aqueceu meu coração com canções lindas e uma voz maravilhosa. Concordo plenamente que Dido possui uma voz bossanova aconchegante e hipnotizante, e esse trabalho novo dela apenas confirma isso. E a leveza de sua voz sofreu uma evolução positiva, já que Dido ficou distante do holofotes desde seu último trabalho, Life For Rent, de 2003, para estudar música, engenharia de som, arranjos e masterização na Universidade da California. O resultado é um álbum maduro, com canções mais introspectivas e sérias, muito provavelmente influenciadas pela morte de seu pai. Como sempre, o sofrimento transformado em arte resulta em uma riqueza inquestionável de imagens, prosas, poesias, melodias. Basta ouvir Grafton Street, do novo álbum de Dido, e você compreenderá com mais intensidade tudo o que escrevi aqui.
E que todos tenham um bom dia nublado e chuvoso.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Continue andando


É algo que eu ainda não tinha feito até hoje. Nunca peguei um texto escrito por mim sobre determinado assunto e contextualizado ele em versos, transformando-o em um poema. Percebi lirismo no que eu havia escrito há mais de 1 ano em um texto com o título "O DNA de um herói". Ultimamente, meus poemas estão um tanto quanto ácidos e pesados. Inclusive, "pesado" foi a definição dada pelo meu afilhado Thalles depois de ler um outro poema meu intitulado "Uma Sinfonia em C". Os dois poemas em si descrevem um mundo conturbado e caótico, alucinantemente infernal e pertubador, perdido em rotinas de violências e catástrofes. Tudo isso filtrado por mim e canalizado em versos "pesados". A propósito, meu afilhado criou um blog esta semana, Ankh's Blog, onde ele também expõe suas impressões sobre este mundo, além de postar poemas escritos por ele. Clique e confira.

Os passos de Johnnie

Acordei hoje e vi o tempo em que vivemos.
Pessoas tragando falsas verdades
gente em pose fumando puras ilusões
nicotinizadas em hipocrisias e vícios

O mundo se aquece, as pessoas se matam,
os invejosos se corroem, o Natal se consome.
E sobre os escombros e no meio de enchentes
todos precisam continuar andando sem parar.
"Keep Walking, Johnnie Walker"

Sou herói de mim mesmo nestes dias sufocantes
Transfiro toda minha transpiração para meus poemas
Estou suando em palavras pelos poros
Derretendo minha raiva em versos.
Continuo seguindo meu caminho
Vendo as pessoas em pose colocando
mais gelo em seus copos de uísque.

por Ulisses Góes, final da Primavera de 2008.

As faturas de Noel


O mundo é um imenso turbilhão de consumismo. E a época em que isso fica mais exposto é justamente o Natal, onde todos correm atrás dos presentes a serem dados para seus familiares e amigos. Não há como negar que atualmente o Natal é isso, consumismo descarado e desenfreado. Acredito que nem mesmo a atual crise econômica mundial está freando as pessoas em suas compras pelo shopping. Provavelmente poucos estejam pensando no futuro, e buscando fazer suas economias ou evitar criar mais dívidas que se multiplicarão no decorrer do início do próximo ano. Tudo em torno do Natal foi criado e gerado para fazerem as pessoas consumirem, gastarem o que tem e o que poderão ter mais adiante. Até mesmo o Papai Noel que nós conhecemos, vestido nas cores vermelha e branca, foi obra da Coca-Cola, que em 1931 realizou uma grande campanha publicitária vestindo o Noel com tais cores, o que foi muito conveniente, já que são as cores presentes no rótulo do refrigerante. Lógico que a campanha foi baseada na criação do cartunista americano Thomas Nast, lançada em uma revista americana de 1886. De qualquer forma, a Coca-Cola é a responsável por difundir a imagem do papai Noel como ele é hoje. Coisas de nosso planeta consumista e regido pela mídia da propaganda.
Não que eu seja contra esse mundo consumista no qual vivemos, apenas considero certo exagero a maneira como esse consumismo é colocado pela mídia e por todos. Essa necessidade imperiosa de comprar presentes, essa "obrigação" que eu considero realmente desnecessária. Mas trata-se de convenções do mundo moderno, então não há muito o que se fazer. O máximo que se pode fazer é expor sua opinião sincera, sua indignação, sua queixa, caso a tenha com relação ao caso. E desejar Boas Compras e Felizes Dívidas Novas em 2009.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

As pupilas do Tornado

O mundo está girando em águas turvas e tempestades que parecem inacabáveis. Depois de assistir tantas tragédias por contas das inundações e desabamentos provocados pelas chuvas em Santa Catarina neste final de ano, chego à conclusão de que as mudanças sofridas pelo planeta por conta do aquecimento global são fatos reais e televisionados para todos constatarem. E toda aquela história de que o Brasil é o país do futuro e de que as consequências ambientais por causa do aquecimento globais serão desatrosas para todos futuramente não funciona mais com o verbo sendo utilizado no tempo que ainda está por vir. O tempo já veio e está passando diante de nossos olhos. O mundo está girando em águas, e elas estão caindo em proporções muito maiores do que antes. E o que me revolta mais é que, enquanto milhares e milhares de pessoas sofrem tragédias imensas com perdas materiais e morte de familiares, eu consigo enxergar aqui, entre pessoas com quem convivo, aquela insistência em continuar vivendo dramas pessoais absurdamente ridículos. Discussões ridículas por motivos mais ridiculos ainda, falta de bom senso ao lidar com problemas que aparentam ser maiores, mas que não são. Dramas pessoais e familiares onde a solução é simples e pode ser efetivada em poucas e sensatas atitudes.
Entretanto, nem todos costumam cultivar o bom senso, a paciência e a lógica para lidar com problemas que podem muito bem ser neutralizados, isolados ou cortados pela raiz. É triste observar isso. O mundo se acaba em tragédias, e muitas pessoas não se dão conta de que, diante de tantos desastres maiores, seus próprios problemas são pequenos e fáceis de serem resolvidose até mesmo evitados. E aqui estou eu, vez ou outra vivendo entre pessoas estressadas, nervosas, ansiosas, e tendo que me proteger de tudo isso, principalmente porque procuro de todas as formas cultivar sentimentos opostos a tudo isso. Enquanto todos se jogam premeditadamente aos ventos dos tornados, eu me concentro em ficar no olho do furacão.
A imagem acima é da capa de um dos álbuns da banda texana V.A.S.T., recomendada para quem curte rock alternativo sem pretensões. Recomendo ouvir Music For The People [2000] e Nude [2004].

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Escolhendo e decidindo

Engraçado que ainda não utilizei este espaço para desabafar sobre algumas decisões que tomei nestas últimas semanas. Provavelmente seja pelo fato de que tais decisões são muito pessoais e importantes para mim - as mais importantes tomadas em toda a minha vida - e que definirão meus caminhos daqui pra frente. Nunca estive tão certo do que fazer como agora, neste momento de minha vida. As escolhas foram feitas, e sigo em frente. Não me arrependo, em momento algum, do que decidi, e como esse é um assunto realmente muito pessoal e especial, apenas posso dizer aqui que eu escolhi o lado que é o mais importante e especial para mim. E que assim será por toda esta vida.
Esta semana, meu afilhado Thalles trouxe dois novos gatos, e agora a casa tem dois novos moradores. Um gato e uma gata, que já foram batizados de Yin e Yang, irmãos que não se separam e que estão ainda demorando a se acostumarem ao novo lar. Yang já não está tão cismado assim e caminha pela casa despreocupadamente. Já sua irmã Yin é muito desconfiada e cismada, e está demorando a se soltar no ambiente. Por enquanto, tomaram conta de meu quarto, e dormem por lá, saindo apenas para comer e fazer suas necessidades. Já demonstraram serem higiênicos e educados, fazendo suas necessidades no banheiro. Fiquei até surpreso com isso, e já é uma preocupação a menos. Por enquanto, eu espero que Thalles consiga fazer a gata se acostumar com a casa, porque até o momento ela continua desconfiada.
E como trilha sonora destes dias frios e chuvosos de setembro - apesar de já estarmos na Primavera - estou escutando muito Metallica, Epica, Nightwish, por influência de meu afilhado. Nada mais natural, já que a troca de experiências musicais entre a gente é constante. Por influência minha, por exemplo, ele escuta sempre Depeche Mode. Considero isso muito positivo, pois demonstra que sempre aprendemos muito um com o outro. Aproveito para ouvir o novo álbum do Metallica, Death Magnetic, que está sendo muito bem recebido pelos fãs e pela imprensa musical, sendo considerado o álbum que resgata muito da sonoridade do Metallica da época anterior ao lançamento do clássico Black Album. E de fato, o som deles ressurge mais trash, mais sujo, uma bateria mais intensa, solos de guitarra bem pensados e trabalhados, músicas com pegadas pesadas e agressivas. Sinal de que a banda buscou voltar às suas origens. Decisão tão acertada quanto a minha.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Solidão de Imperador

Em um mundo tão conturbado e violento como o nosso atualmente, vivendo esses dias de cão, entre notícias sangrentas e imagens aterrorizantes, nada mais justo do que buscar um refúgio longe das trincheiras da guerra diária e do cotidiano sufocante. E eu encontro esse refúgio na música, buscando em meu acervo pessoal algo que acalme nossos ânimos e nos faça relaxar os pensamentos, nos envolvendo num mantra espiritual.
Entretanto, estava eu ouvindo algumas músicas da banda britânica Suede, e tive a idéia de garimpar algo mais da mesma, quando me deparo com álbuns solo de seu vocalista Brett Anderson. Encontrei o álbum mais recente, Wilderness, que acaba de ser lançado, e decidi fazer uma audição do mesmo, até como uma forma de escapar de algumas rotinas desses dias, me largar um pouco de fóruns, jogos, trampos, entre outros pequenos detalhes do cotidiano. O que me chamou a atenção para o álbum é que o mesmo soa triste e melancólico, num cortejo sonoro de piano e cordas. A sonoridade pode se mostrar triste e obscura, porém nos remete à condição de reflexão e serenidade. Belíssimas canções, como A Diferent Place, The Empress e Funeral Mantra, tocantes e magníficas.
Gosto da banda Suede desde o primeiro momento em que ouvi muitas de suas canções, mas agora sinto uma atração sincera pelas músicas desse novo álbum de Brett, um acústico que nos evoca à introspecção.
Esta calma madrugada agora é o meu refúgio. E em meu refúgio busco o calor de minhas palavras. Isso realmente me faz muito bem.

offline
Em diferentes lugares cai a mesma chuva mansa
molhando olhares de arrependimentos
e pensamentos melados de dúvidas
Em meu refúgio busco o calor de minha palavras
que brotam de madrugada e se proliferam
através do vento frio de dias nublados.

Meus passos encontram poças e pessoas
mas estou distante pensando momentos
Lembrando dos nossos sorrisos juntos
Observando as nuvens cinzentas
desenhando um horizonte pálido e turvo.

Doce é lembrar de você chamando meu nome
Amargo é ouvir o som do silêncio em meu refúgio
e perceber minhas palavras trazendo você de volta
Para que eu não me sinta como um Imperador
isolado em um palácio de solidão embriagadora.

Por Ulisses Góes, agosto 2008.

sábado, 2 de agosto de 2008

A Maldição de Rgroba


As adversidades do momento realmente me forçaram a escrever por aqui novamente. Claro, tantos e tantos dias dividido entre o trabalho e a diversão acabaram realmente por me tomar praticamente todo o tempo disponivel para escrever algumas linhas momentaneas sobre meu cotidiano sem grandes catástrofes pessoais. Na realidade, estou aqui por causa de minha placa de vídeo, uma NVIDIA GeForce 6800 GT, que pifou de vez, creio eu, fazendo com que eu fique impossibilitado de jogar Cabal Online. Essa é a verdade. Aqui estou, exercitando meu português e expondo um pouco mais de mim em cada linha e cada palavra. Acredito eu que minha placa de vídeo pifou devido a maldição lançada por um amigo meu que também joga Cabal online, um advogado maldito conhecido pela alcunha de rgroba. Foi realmente a maldição de Rgroba que agora me impossibilita momentaneamente de jogar. Maldito Rgroba!
A rotina caminha constante, sem atropelos, sem tsunamis de outrora, que me lançavam em correntezas perigosas de sensações e emoções fantásticas. Olhando para trás, vejo o quanto eu fui dominado pelas minhas emoções, meus sentimentos. Hoje eu me sinto vivendo um período light, clean, como diria minha ex-professora de Teoria da Literatura [saudades dela e dos tempos da faculdade], vivendo deliberadamente organizado, um pouco menos do que antes, mas uma organização mais simples e sem stress. Sei que tudo acontece e acontecerá em seu devido tempo e circunstância, e não me abalo por mais quase nada. Algumas vezes, fico receoso que tal situação seja perigosa, essa de não se abalar por nada, pois fica-se a sensação de pura apatia, como se estivesse acomodado, largado em uma rotina a qual já se acostumou.
Não quero me acostumar a rotinas, nem me largar e me acomodar de forma alguma. Quero estar sempre disposto a tocar meus projetos adiante e sentir novos ânimos soprarem diante de mim. Meus livros serão lançados, meus versos serão lidos por muitos, meu site de jogos continuará crescendo cada vez mais, e, quem sabe, eu lance todo o conteúdo deste blog em um livro, cuja leitura será agradável e nostálgica, uma reunião de lembranças marcantes e de versos significativos.
Há males que vêm para o bem. Só espero trocar o quanto antes minha placa de vídeo por uma nova, e resolver de vez esse pequeno contratempo tecológico em minha vida. Enquanto isso, vou escrevendo alguns versos ouvindo algumas canções de Suede. Ou seja, vivendo cada momento e cada segundo. Ah, na foto acima, eu, minha amiga Fatally e meu afilhado Seraph, na rodoviária de Camaçari, momentos antes de voltar para casa.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Combando no Cabal Online


Este final de semana que passou foi marcado pela descontração de um Encontro de jogadores de um MMORPG online que curto muito e jogo. Sábado, dia 14 de junho, aconteceu o 2º Encontro Oficial de Jogadores de Cabal Online, na Cyber Lan House, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. Fomos eu e meu afilhado, e a viagem foi uma diversão animada. Foi novidade para meu afilhado, que não conhecia ainda a capital baiana, e para nós dois foi a chance de conhecermos nossos amigos vituais, a Fatally, Hiro, DiegoMaia. E claro, conhecer nosso amigo Sullivan, da Gamemaxx, empresa que administra o Cabal Online aqui no Brasil, e o [GM]Jack, uma grande figura que animou muito o evento.
A gente planejava até retornar no mesmo dia para Itabuna, mas não havia ônibus saindo naquela noite de sábado com destino à nossa cidade. Então eu e meu afilhado tivemos que passar a noite em Camaçari, cidade que fica a 40 minutos de Salvador, na casa de nosso amigo Hiro. Aproveitamos a oportunidade e conhecemos também Navarro, o pai da Fatally, e também o irmão dela, Renegado.
Sempre curto muito esses momentos onde podemos sair de nossa rotina diária, e buscarmos uma aventura extra, saindo dos limites de nossas próprias fronteiras pessoais. Adoro viagens, curto muito viajar de ônibus e conhecer outras cidades, conhecer os amigos que temos distantes. O Evento foi um sucesso completo, nos divertimos bastante, fizemos mais amizades, aproveitamos ao máximo todo o final de semana, apesar da viagem ter sido um pouco cansativa, principalmente na volta pra casa. No final, valeu todo o esforço, toda a união dos amigos da guild, toda a nossa organização e empenho para o sucesso do evento. Ah, e valeu também pelos deliciosos pães de queijo que saboreamos junto com Fatally na casa de Hiro.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Luppi-kun - In Memorian















Quando chegou aqui, todos pensavam se tratar de uma linda gatinha. Até meu afilhado se confundiu, e te batizou de Luppi-chan. O tempo foi passando, e percebemos que você era um felino macho. E um felino bastante brincalhão e alegre. Corria, pulava, e demonstrava toda sua alegria quando estávamos juntos. Tinha seus próprios esconderijos, como aquele que você mais gostava, dentro do sofá, que tinha um parte descosturada atrás, que era por onde você entrava. Adorava bolinhas de papel e pedaços de garrafas pet de refrigerantes, brinquedos que faziam sua festa constante. Adorava biscoitos triturados, pedacinhos de pães, leite e tudo o mais delicioso que nós tívessemos à mão para te oferecer. Sua ração predileta era de sabor peixe, carne e legumes. era muito observador, principalmente quando estávamos almoçando ou jantando, e isso tirava meu afilhado do sério. Tinha seu lugar predileto no outro sofá, onde sempre ia tirar uma soneca boa, se estirando todo e fazendo as mais diversas poses para dormir. Gostava de viver perigosamente dentro de nossa casa: desafiava o ventilador, pulou uma vez em cima da gaiola de Ana Luisa [coitada, tremeu de medo quando te viu ameaçador], andava pelos vãos das paredes que dividem os cômodos de nossa casa. Corria atrás de Thalles até ficar sem fôlego, e se largar no chão, completamente exausto.
E era sorrateiro, sempre de tocaia, esperando a gente passar para dar um bote certo em nossas pernas. Adorava dormir ao lado de Gordon Freeman [o nosso PC], sempre naquele aperto aconchegante. Era carinhoso, adorava deitar em nosso colo e demonstrar todo o seu carinho por nós. E não se desgrudava em nenhum momento da gente. Podia estar largado de sono, mas ao nos ver ir em direção do quarto, da sala ou da cozinha, levanta-se e nos seguia, curioso, carinhoso, atencioso, observador. Para mim, era o meu "negão descarado sem vergonha relento safado rueiro". Para Thalles, era o "gatinho mô véi". Sua vida foi extremamente curta, mas nesse curto espaço de tempo, viveu tudo da sua maneira, da melhor forma que podia, sempre alegre, brincalhão, pertubado e descontraído. Hoje, você está fazendo falta, a casa está vazia. Mas não se preocupe, a gente sempre vai se lembrar de você, assim como eu sei que você, onde quer que você esteja, guardará lembranças nossas. O nosso gatinho branco.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Onde brilham os olhos de Takai













Que coisa mais linda e intimista, suave e delicada acabei descobrindo hoje. Eu já tinha lido em algum lugar na internet que a vocalista Fernanda Takai, da banda Pato Fu, havia feito releituras sonoras refrescantes de canções da saudosa musa da Bossa Nova, Nara Leão. Porém, somente agora é que acabei me deparando com essa pérola de álbum, surpreendente e renovador, elegante, discretamente inteligente. Sou fã há muito tempo da banda mineira, e a voz de Fernandinha, bem como inúmeras músicas do Pato Fu, já foram trilhas sonoras de milhares de momentos de minha humilde e singela vida. Sou tão fã dessa banda, que em jogos online [outra paixão minha] eu utilizo o nome da banda como nick [ou nome do personagem no jogo, para os leigos de plantão]. E essa identidade virtual, algumas vezes, já me deu um nó em meu juízo, pois já me peguei pensando realmente quem sou na realidade: seria eu o poeta e escritor Ulisses Góes, ou o jogador conhecido pela "alcunha" de Patofu? Muitos artistas, por conta da fama estratosférica para a qual suas vidas foram sugadas, acabam incorporando o nome artístico ao nome de batismo registrado em cartório. E eu já imaginei algumas vezes assinando como Ulisses "Patofu" Góes, como eu mesmo tenho feito por diversas vezes em comunidades no orkut.
E para prender esse meu texto escrito nessa madrugada de 11 de abril, e não deixar nenhum ponto sem nó, já que falei em orkut, foi justamente depois de ver Fernandinha sendo entrevistada por Jô Soares e divulgando seu primeiro álbum-solo que eu fui no orkut catar esse inesperado álbum intitulado Onde Brilhem Os Olhos Seus. E como eu disse no início, que coisa mais linda e intimista, suave e delicada. Vocês estão ouvindo? É Fernanda Takai, que Pedro Alexandre Sanches, em seu blog, carinhosamente chama de a japonesinha da família paterna Takai, a indiazinha amazonense, a brasileirinha de pop-rock gringo-mineiro do Pato Fu. Arigatô Gozai Masta, Fernanda.

segunda-feira, 24 de março de 2008

O som da sinfonia

O mundo está doente e os noticiários não são nada agradáveis. As imagens nos pertubam, e as informações nos intimidam. Cada vez mais doente, cada vez mais violento, cada vez mais perigoso, o mundo oscila como a chama de uma vela no soprar de ventos frios. O Rio de Janeiro mergulha numa epidemia de dengue, Os Estados Unidos anunciam uma possível recessão econômica, a China se envolve em conflitos com os monges tibetanos, crianças cada vez mais novas se envolvem com drogas e prostituição, e cada vez mais falcatruas e corrupções são descobertas e desarticuladas. Para falar a verdade, eu não me sinto abalado com todas essas notícias. Apenas me sinto incomodado em estar vivenciando claramente um período da história da Humanidade onde o inferno está em fase de acabamento aqui, entre nós.
Lógico, quando nos sentimos intimidados dessa forma pelo mundo ao nosso redor, a primeira coisa que tentamos fazer é sermos otimistas e pensar que tudo poderá ser resolvido, poderá ser solucionado. E mais, buscar mostrar a si mesmo que o mundo não é feito apenas de infernos em vários níveis. Existe o nascer e o pôr do sol, existem as amizades, existem músicas que te envolvem e tornar seus dias mais suportáveis. Existem as coisas as quais você gosta muito e que você procura se apegar, criando seu próprio mundo de valores, condutas, momentos, sonhos, objetivos, imagens e sons. É o seu abrigo que o protege contra o mundo lá fora, que está sendo destruido gradativamente, alienado constantemente, queimado, poluído, assassinado, estuprado, atropelado,incendiado.
Esses últimos dias tive a grata satisfação de me deparar com vários álbuns da banda californiana Cake. Eu já havia baixado um álbum deles há alguns meses atrás, Pressure Chief, e fiquei ouvindo durante vários dias a música Guitar Man. Dessa vez, baixei na internet toda a discografia deles, inclusive um álbum ao vivo, Cake - Live At The House Of Blues [2003], e passei esses dias purificando meu espírito com suas músicas leves e bem humoradas, com pitadas de funk, ska, pop, jazz, rap e country e letras irônicas. Comfort Eagle, Short Skirt/Long Jacket, Commissioning a Symphony in C, Love You Madly, e diversas outras pérolas de Cake iluminaram meus dias, marcados por notícias pertubadoras e insistentes. E eu, como sempre, impelido por uma força íntima e poderosa, lapido em forma de palavras minhas profundas impressões sobre esse mundo fora de órbita e em rota de colisão com seu próprio inferno.

Uma Sinfonia em C

Eles estão erguendo religiões e construindo líderes
Eles estão criando conspirações e comissões de inquéritos
Intrépidos e inquietos os seus pés de fogo em espirais de fumaça
Estão traficando sua liberdade e comendo suas crianças
Estão trancafiando sua sanidade em filas febris e doentes

Eles estão queimando suas esperanças com madeira de lei
Estão sufocando sua gargante com violência gratuita
Estão matando em ligações por celulares
Canibalizando o que resta de suas virtudes escondidas
Exterminando sua racionalidade com sete balas

Eles estão fazendo esse mundo oscilar numa dança
de cadávares nas pistas e corpos desovados
Estão plantando terrorismo em vasos de estrume e sangue
Estão poluindo seu café da manhã e fumando seu almoço
Estão drogando suas inocências e cancelando seus vôos

Eles estão congestionando suas vias e atrasando seus objetivos
obstruindo suas conexões e desprezando seus princípios
Enterrando suas resistências e afogando suas conquistas
E você, depois de lavar suas mãos, olha para o espelho sorrindo
enquanto assobia uma bela e destoante sinfonia em C.


Ulisses Góes, outono de 2008

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Vida em Marte

Há algum tempo atrás eu escrevi um conto onde o personagem principal estava em conflito intenso com o mundo à sua volta. No decorrer da história, descobria-se que ele era um sequestrador que mantinha um jovem refém em seu poder no meio de uma rodovia deserta. Entretanto, ele, o sequestrador, tinha a estranha sensação de que estava sendo constantemente observado por centenas de olhares curiosos e atentos, e em determinados momentos, tinha quase certeza de estar ouvindo vozes em sussurros ao seu redor. Depois de dirigir um maverick por uma rodovia secundária estadual, ele podia achar natural que estivesse cansado, exausto e, por isso mesmo, poderia estar tendo surtos estranhos e momentâneos, resultado do stress da situação na qual estava envolvido: um sequestro. Porém, as sensações tornavam-se cada vez mais claras e insistentes, intermitentes, nervosas e constantes.
Na época, eu estava escrevendo diversos contos, e experimentava um pouco de uma prosa nervosa e cinematográfica. Situações intensas, rápidas, dolorosamente poéticas. Nesse conto do sequestrador, eu sabia, a princípio, o que se passava com ele. Imagine então que você é o sequestrador. E se, de repente, no meio de sua vida, justo quando você está vivendo uma situação pertubadora, você começasse a perceber que era um personagem fictício de um filme? Qual seria realmente sua reação? Não cheguei a terminar este conto, mas a idéia ficou em meu íntimo, guardada, esperando sempre o momento de ser finalizada.
Então, recentemente, descobri um fabuloso seriado na HBO chamado Life On Mars, que relata a história de um policial britânico que sofre um acidente nos dias atuais, e repentinamente acorda nos anos 70, mais precisamente no ano de 1973. Ele fica confuso, pertubado a princípio, tentando entender o que está acontecendo com ele. E aos poucos, no decorrer dos episódios do citado seriado, ele vai descobrindo que pode estar em coma, em decorrência do acidente sofrido. Porém, tudo é tão confuso e aparentemente tão real, que ele tem a sensação de ter voltado no tempo e acordado naquela época em específico.
Não tive dúvidas. Primeiro, lembrei rapidamente de meu conto escrito há tempos atrás, e que tem uma semelhança contextual de confusão do personagem com o universo no qual ele está inserido. Logo em seguida, eu já tinha certeza de que tinha gostado, e muito, do seriado. É o tipo de história que me fascina, esse mistério criativo e original de contar uma história buscando novas diretrizes para o enredo. utilizar a situação do acidente e do Coma vivido pelo personagem para inserir toda uma possibilidade de histórias é realmente formidável. A propósito, o título do seriado faz alusão à uma música de David Bowie, "Life On Mars", de 1973, que tocava na rádio no momento em que o personagem Sam sofre o acidente. Nada mais original e insólito do que essa licença poética e referência musical. É um dos seriados lançados recentemente pela HBO que eu realmente recomendo a todos, para fugir um pouco da obviedade dos grandes seriados [24 Horas, Smallville, Lost, Heroes] mais vistos na TV atualmente.
Enquanto isso, o personagem do meu conto continua ainda sem saber como sua própria história termina. Quem sabe eu ainda termine ela por esses dias.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Rosto Nu

Não se sinta sufocado com a profusão de idéias, nem se deixe intimidar com a sensação de falta de ar ao tentar buscar oxigênio ao seu redor. O recinto pode até parecer diminuto, mas os pensamentos são imensos, apesar de parecerem submersos. Faz tempo as sirenes soaram o ensurdecedor sinal de "perigo iminente"े. Mas você, completamente afogado na sonoridade de suas mp3 de seu ipod, não escutou o chamado que o poderia salvar. Já era tarde, e não havia mais razão para colocar aquela máscara no rosto. Depois de inalar todo aquele ar impregnado de partículas poderosas, seu cérebro agora rodopiava ferozmente em um furacão de idéias. Seu sangue adrenalizado, sua cabeça produzindo todo tipo de palavra, imagem, som. Não havia mais qualquer tipo de retorno, e o processo era completamente irreversível. Você já estava contaminado. E todas as verdades do mundo estavam prestes a se descortinar completamente diante de seus olhos. E você começaria, então, a entender que não havia mais razão plausível para usar aquela máscara.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

O Counter-Strike de Bin Laden

Onde está a verdadeira violência e o incentivo à luta armada entre jovens, crianças e adolescentes? Estaria aqui no Brasil, sob a forma velada e disfarçada de um jogo online, onde garotos se divertem virtualmente de mocinho e bandido? Ou estaria ela exposta abertamente nas terras do Oriente Médio, ao norte de Bagdá, pelo grupo Al-Qaeda, que treinar crianças para operações terroristas? essa pergunta poderia ser feita sem medo algum para a Justiça brasileira, principalmente para o Senhor "excelentíssimo" juiz Carlos Alberto Simões de Tomaz, 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, autor da lei polêmica que proíbe a venda dos jogos CS e Everquest aqui no Brasil.
Sinceramente, a mente humana tem uma complexidade que é dispensável em alguns casos. Chega a ser hilária e ridícula a atitude "sensata" do Sr. juiz, em querer proibir a comercialização de um jogo que, segundo ele, "trazem imanentes estímulos à subversão da ordem social, atentando contra o estado democrático e de direito e contra a segurança pública, impondo sua proibição e retirada do mercado". Ora, Sr. Juiz, faça-me o favor! Você quer algo mais subversivo do que a corrupção dos políticos brasileiros? Poderia ser jogada na cara do Sr. Juiz fatos mais aterradores e que seriam verdadeiros atentados contra o tal estado democrático e de direito e contra a segurança pública, como a miséria e a fome que passam milhares de crianças e suas famílias, sobrevivendo nas periferias e favelas, onde a verdadeira violência [essa sim] deveria ser combatida e proibida por você e toda a Justiça brasileira!
Essa justiça brasileira, e o sr. Juiz Carlos Alberto poderiam e deveriam assistir aos trechos dos vídeos apreendidos pelo comando americano no Iraque, e que foram apresentados à imprensa nesta semana. Eles mostram crianças com idades entre 10 e 15 anos empunhando armas de todos os tipos: pistolas, kalachnikovs, metralhadoras PKM. Usando camisas de futebol, elas têm seus rostos tapados por tocas negras. Em um trecho do vídeo, as crianças bloqueiam um ciclista em uma barreira e o forçam a ficar de joelhos com uma pistola apontada contra sua cabeça. Em outra parte, as crianças aprendem a se movimentar entre muros em ruínas, tomam posição em um palmeiral antes de atacar uma casa e de aprisionar seus ocupantes, sempre monitorados por homens adultos encapuzados.
Essa é a verdadeira violência que está sendo ensinada e incentivada entre crianças e adolescentes, lá no Oriente Médio. Isso, sim, deve ser combatido de maneira enérgica e decisiva por todos nós, não importa onde estejamos. Devemos mostrar nosso repúdio a esse tipo de situação proporcionada pela Al-Qaeda. E mostrar para a Justiça brasileira que ela está combatento o inimigo errado aqui no Brasil, com atitudes completamente ineficazes.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

O silêncio das catástrofes

O filme estrelado recentemente por Will Smith é emblemático. Silencioso, impactante, Eu Sou a Lenda trabalha de forma impactante a questão temerosa da Humanidade com relação a sua frágil condição sobre a face da Terra. Uma possível extinção da raça humana através de uma catástrofe de proporções gigantescas sempre rondou o nosso imaginário, e quando um filme toca nesse assunto, sempre ficamos a nos questionar e a pensar sobre isso. Temas como esses me atraem literariamente falando, e me vejo constantemente visualizando pensamentos, idéias, conjecturas, me proponho histórias e relatos fictícios. Meu livro Cacaos, ainda não publicado, é a prova definitiva do quanto esse tema sempre atual me hipnotiza e me induz a escrever sobre esse tema desafiador.
Em meu livro, um jovem retorna para sua terra natal após alguns anos vivendo nas metrópoles do sul do país. Na realidade proposta pelo meu livro, o mundo está mergulhado em uma guerra mundial que pertuba a todos, também apreensivos pela possível queda de um meteoro em nosso planeta. No meio de sua viagem de retorno, o jovem acaba sofrendo um acidente no ônibus no qual viajava. E após o acidente, ele acorda ferido, sozinho e sua última lembrança foi ter visto um clarão forte na linha do horizonte. E é justamente nesse ponto que meu livro e o filme estrelado por Will Smith se aproximam muito. Catástrofe mundial, possível extinção da raça humana, e alguém sozinho vagando em lugar deserto, buscando encontrar sinal de vida.
Esse tipo de história é fascinante, e ao mesmo tempo aterrorizante, pois sempre dá margem a diversas interpretações das situações que, a príncipio, não mostram explicações plausíveis e acabam criando uma aura de mistério e suspense, deixando no ar diversos questionamentos sobre o que realmente aconteceu e mais interrogações sobre o que futuramente poderá acontecer. E atualmente, nossa realidade está nos trazendo esses mesmos questionamentos, sempre que pensamos nos problemas que a Humanidade têm enfrentado, seja em nível ambiental ou terrorista. É como se fosse o prenúncio do fim, onde vivemos dias angustiantes, e assim permanecemos, justamente pela impossibilidade de sabermos com precisão quando seremos novamente engolidos pelas ondas de um tsunami.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Minhas próprias rotações

E começamos mais um ano, mais um ciclo de compromissos, de metas a serem alcançadas, objetivos a serem estabelecidos. Faz tempo eu percebi que não consigo me adaptar mais a esse esquema popularizado e universalmente seguido pela Humanidade, esse de parar em uma determinada época do ano e reavaliar suas atitudes, repensar suas idéias, reoganizar suas metas. Descobri que os inícios e os fins de meus ciclos não seguem o padrão dos ciclos seguidos pela Humanidade. Não preciso de Natal e Ano Novo para repensar minha vida e reestabelecer metas prioritárias para o próximo ano. Não preciso que um ano se inicie para que eu decida que ciclos e períodos em minha vida terminaram e outros tiveram início. Meus ciclos seguem andamentos próprios regidos por mim.
Tenho vivido dias calmos, organizados, premeditados até. Meus dias são calmos, sem pressa exagerada. Saboreio meus cafés matinais, faço minhas próprias refeições com extremo zelo. Carnes ao molho, cafés com pitadas de chocolate, pães árabes com queijo derretido. Tenho assistido TV sempre buscando mais informação e cultura. Assisto a vida dos suricatos no Animal Planet, dou risadas com os Padrinhos Mágicos e me empolgo com Avatar na Nickelodeon, vejo bons filmes na HBO, seriados de minha preferência na Warner. Não tenho dívidas preocupantes, nem compromissos comprometedores demais. Meu afilhado sempre me visita e brinca com a sua gatinha Luppichan [ainda não me acostumei com esse nome nela], branquinha e brincalhona. Minha periquita Ana Luíza [presente de outro afilhado meu] adora passar as manhãs vendo o movimento da rua da janela.
Tudo isso ocorrendo sempre dentro de meus ciclos constantes, impregnados de sentimentos, surpresas, vivências, convivências, experiências. Acho que estou aprendendo a não deixar minha vida ser regida por ciclos que nada tem a me dizer ou nada me trazem de realmente positivo. Meus ciclos são feitos por mim mesmo e começam e terminam quando eu considero que eles devam ser iniciados ou terminados, ou quando fatos e momentos importantes de minha vida determinam o início e o término dos mesmos. Por isso, não estranhe se eu te desejar um bom 2008 lá para maio ou junho. Provavelmente eu esteja terminando meus ciclos pessoais e iniciando novos.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

O DNA de um Herói

Acordei hoje e vi o tempo em que vivemos. Pessoas dopadas por falsas verdades e absorvidas por ilusões, manipuladas por hipócritas desonestos, cujo mau caráter desconhece os próprios limites. O tempo fechou nos últimos anos, e não tende a melhorar. Não que eu esteja sendo cético ou pessimista. Mas minhas conclusões pessoais são fruto de cuidadosa observação realista. Os noticiários não mentem, os jornais não escondem mais nada, tudo o que se passa em nosso mundo é um prato cheio para a mídia, que sempre busca informações para sempre manter sua audiência no topo. O mundo se aquece, as pessoas se matam, os invejosos se corroem por dentro cada vez mais. A verdade é assim, uma navalha afiada em seu pescoço, e você não pode se mover nem um milímetro sequer, do contrário você irá sentir gosto de sangue em sua boca. Hoje em dia é matar ou morrer. E as balas perdidas têm matado muito mais ou tanto quanto as guerras no Oriente Médio. Crianças morrem em sequestros de maneira aterrorizante. os filmes hoje em dia perderam a graça e não mostram enredos mais originais do que a vida real, muito mais surpreendente e cinematográfica em seus efeitos especiais, sociais, dramáticos, violentos. Cheguei à lamentável conclusão de que somos heróis de nós mesmos, sempre buscando nos salvar a cada dia do pior e sobrevivendo diante deste mundo terrível. O sofrimento ocupa todas as páginas, e o calor penetra meus poros em dias extremamente quentes. É o aquecimento global misturado com uma rotina sufocante. Estou tentando transferir toda transpiração em meus poemas, estou suando em palavras. Estou derretendo toda minha raiva em versos. Minha poesia está nas sombras agora, por minha própria opção.

Antes da Meia-Noite

Cada dia está sendo desperdiçado
pelas desgraças e carniças nas calçadas
Este aquecimento que sufoca e prende
a escuridão envolve e me rende
Seu olhar inerte na esquina
observando a destruição iminente

Ninguém tem mais nada a dizer
aos corpos boiando após a tempestade
Seu rosto suado apenas enxerga
o sangue que marca o asfalto quente.
O hipócrita conta suas mentiras
e arrasta os inocentes para o deserto
Todos se entregam a ilusões e orações
O desespero sufoca os humildes e os idiotas
Sua cruzada é uma farsa ridícula
e você exala falsidade repugnante

Meu pior inimigo espera meu vacilo
Uma raça maldita e dissimulada tentando
me derrubar sempre no meio do jogo
Uma corja de assassinos e ladrões
fazendo meu dia se despedaçar
entre as carcaças dos mais fracos

Não espere que eu me entregue
Meu sangue não será teu troféu
Aguardo sereno nas sombras
pois seu tempo está se esgotando
Verei teu sangue entre meus dedos
e desenharei meu futuro glorioso
em vermelho escarlate
antes de sentir seu último suspiro
sendo negociado pelo diabo na esquina.

Por Ulisses Góes

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Todas as ondas, todos os trovões

Gosto da sensação de estar sempre aprendendo com as pessoas ao meu redor. Isso demonstra que tenho sabedoria suficiente para entender que não sou perfeito e que tenho ainda muito conhecimento a absorver sempre e constantemente, no decorrer de minha vida. Aprendo a ouvir canções que antes não ouvia. Aprendo a escrever cada vez revelando um maneira nova de demonstrar o que sinto. Aprendo a criar poesias. Aprendo que preciso ser sempre mais forte, se quiser superar obstáculos e alcançar novos degraus em minha vida. Aprendo que existem pessoas muito importantes em nossas vidas pelas quais devemos nos preocupar e sempre buscar dar o melhor de nós para que eles possam entender o mundo da melhor maneira possivel. Aprendo com meus erros passados a moldar melhor minhas atitudes presentes. Superar escuridões desesperadoras, esmagar monstros, encontrar a própria resistência diante das insanidades e loucuras do mundo ao seu redor. Diante das friezas e das inutilidades, seguir firme, vencendo os círculos do medo que rodeiam as fronteiras de nossos olhos. Confesso que sinto-me vaidoso em sempre querer explicar a vida, e a minha vida através de palavras poéticas, de poesia e música. Porém, isso me liberta, libera de dentro de mim um poder imenso e invencível, que estremece tudo ao meu redor. A minha espada são minhas palavras, e tenho apenas que estar ciente de que não posso guardar esse poder dentro de mim. Sempre que possível e necessário, aprender a usar minha Zanpakutou*, quando a batalha assim a chamar. Ter a força necessária para nunca fugir diante da guerra, e sempre estar atento ao chamado da minha Zanpakutou, não ter medo de liberar seu Shikai**, e alcançar a força necessária em meu espírito para liberar seu Bankai***.
Hoje posso dizer que sinto orgulho extremo em saber que tenho um afilhado que demonstra um nível de força surpreendente, e que nunca esmorece nem se abate diante de situações desafiadoras na vida. Consciente de seus pensamentos e de seus atos, acredito que ele já tenha atingido um nível de evolução interior que têm superado sempre, a cada dia de convivência com ele, as expectativas de um padrinho orgulhoso e extremamente feliz com o afilhado que ganhou. Hoje, dedico este espaço para versos escritos por ele, uma prova sincera e clara de seu amadurecimento como pessoa. Eu sei que ele guarda em seu coração a certeza de que sempre, e por toda as nossas vidas, ele poderá contar com o apoio, a amizade, a compreensão e o respeito de seu padrinho.

Pairando entre o céu e o inferno

Eu sou um demônio religioso,
Um anjo pecador,
Cientista religioso,
Cristão descrente,
Não amo quem me ama,
Odeio quem me odeia,
Sou homunkulus com alma,
Sou a clara luz negra,
A escura iluminação,
Sou um drácula sentimental,
Sou guerreiro sem espada,
Eu sou a guerra congelada.
Sou um morto-vivo,
Sou a viva morte,
Samurai desonrado,
Um cantor mudo,
Um templário maldito,
Abençoado cavaleiro negro,
Sou o plebeu rei,
Sou o gelado calor,
O gelo flamejante,
Sou o deus dos demônios,
Sou o demônio dos deuses.


Poema escrito pelo
meu afilhado Thalles
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Notas referentes ao texto.
* Zanpakutou:
[literamente cortadoras de almas], no mundo de Bleach, são as armas que os Shinigamis usam para derrotar os Hollows. São espadas, normalmente, mas elas mudam de forma. Cada Zanpakutou tem vida própria, personalidade e força, e quando usadas em conjunto com o Shinigami é que ele pode realmente ser forte.
** Shikai:
Assim que o portador da Zanpakutou apura sua audição ele consegue ouvir o chamado de sua Zanpakutou, que grita seu nome. Se ele souber o nome de sua Zanpakutou ele pode chamá-la, normalmente com alguma frase antes, fazendo com que ela ganhe alguma habilidade especial e tamanho.
*** Bankai: última e mais poderosa liberação da Zanpakutou. Somente poucos conseguem chegar nesse nível, e para se conseguir uma é necessário 10 anos de treino, e mais alguns para dominar totalmente a Bankai.