domingo, 4 de janeiro de 2009

Sem linha no horizonte

 

Passada a euforia das festas de final de ano, os brindes, os brilhos e luzes dos fogos de artifício, todos voltam à normalidade do dia-a-dia, certos de que estão começando novos ciclos em suas vidas. O que ninguém percebe é que o único ciclo que se fechou para que outro se iniciasse foi o ciclo temporal, esse de dias, meses e anos que rege a vida de toda a humanidade. De resto, nada mudou tão significativamente. A vida segue em frente, com sua rotina de compromissos, trabalhos, família e contas a serem pagas. Basta ligar a TV e assistir aos noticiários mais atentamente. Os conflitos na Faixa de Gaza continuam, a atual crise econômica mundial permanece, a violência urbana continua a ocorrer de maneira assustadora, as chuvas em Santa Catarina continuam a cair.
Não quero me mostrar pessimista ou negativo quanto aos planos de todos para este ano que se inicia. Apenas procuro observar o mundo de maneira mais realista e sem essa ilusão de considerar que tudo vai melhorar este ano. Sou otimista, mas com bom senso e inteligência. Todos sabemos que o mundo está atravessando um período muito turbulento cheio de crises, guerras, violências e diversas outras pequenas desgraças que nos alertam para o que está ocorrendo e para o que está por vir ainda. E justamente por causa disso é que, antes de sermos otimistas, devemos ser realistas. E não precisamos de festas de fim de ano para que nos confraternizemos e busquemos repensar e reavaliar nossas vidas, fazendo novos planos para o futuro. Se o mundo passar por mudanças profundas e drásticas em breve, pode ter certeza de que tais mudanças não irão esperar o dia 31 de dezembro para ocorrerem. Por isso devemos ficar atentos, e observar que nossas próprias mudanças pessoais devemos fazer em qualquer tempo, em qualquer época, independente de que seja final de ano para que possamos dar o primeiro passo para realizar tudo o que sempre planejamos fazer.
Como eu mesmo escrevi há um ano atrás, não preciso que um ano se inicie para que eu decida que ciclos e períodos em minha vida terminaram e outros tiveram início. Meus ciclos seguem andamentos próprios regidos por mim, começam e terminam quando eu considero que eles devam ser iniciados ou finalizados. Todos deveriam pensar assim, e buscar agir de maneira mais independente, sem ter que aguardar Natal ou Ano Novo para reavaliar suas vidas e colocar em prática seus projetos, seus sonhos e buscar alcançar seus objetivos estabelecidos.
E agora, somente perto do final do texto, lembrei de falar sobre a última vez que fui à praia. Semana passada, dois dias antes do final do ano. Fui a trabalho, receber um pagamento. Tempo fechado, chuvoso, uma garoa fina caindo, nuvens pesadas no céu. Logo após sair do Morro dos Navegantes, na estrada Ilhéus-Olivença, fui andando pela beira da pista em direção a um ponto de ônibus próximo. Andava sempre observando o mar, e puder ver algo que nunca havia visto antes. Não havia linha do horizonte na paisagem. O tempo estava tão fechado que o mar e o céu se confundiam numa paisagem acinzentada. Fiquei fascinado e hipnotizado por longos minutos, antes de pegar o ônibus de volta pra casa.
 
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