quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

Trocas equivalentes

 
Cada período de nossas vidas constitui-se numa série de ciclos entrelaçados, onde você realmente nunca sabe onde terminou um e onde o outro definitivamente teve início. Gostar das pessoas, amar umas, afastar-se de outras. Confesso que não fico feliz em ter determinadas certezas, como a hora que o dia termina, para dar início a um novo dia, ou a programação da tv, ou onde o sol nasce e se poe. Claro que que pra essas certezas existem pequenas e sutis variações, pois o sol nunca nasce sempre no mesmo ponto do horizonte, dependendo sempre da estação do ano em que nos encontramos. Mas esses ciclos que nos invadem a vida, onde você realmente não encontra o ponto determinante, são pequenos tormentos que algumas vezes me tomam de assalto o espírito. Que dia exatamente eu te conheci? Como nossa amizade realmente começou? Como eu fui me aproximando de você aos poucos, e de que maneira? Como chegamos a tudo isso, nesse ponto onde nos encontramos no momento? Ninguém lembra mesmo do princípio de tudo.

A impressão que eu tenho é que conhecemos as pessoas como se já conhecessemos antes, e tudo foi simplesmente um emaranhado de reencontros, de reaparições, quando na verdade, tudo teve um início certo, único, próprio. Isso que dá ficar pela madrugada escrevendo poesias, pensando nas pessoas que você ama, sentindo uma saudade saudável aflorando no peito. Mas as pessoas te influenciam de alguma maneira, e vice-versa. E assim vamos seguindo nossas vidas, onde as pessoas aparecem e tomam conta de você de forma mágica, onde elas te invadem e fazem você invadir elas. Onde você ensina o que sabe e aprende o que nem imagina. A vida é uma troca equivalente, uma alquimia reinante, uma transmutação de sentimentos e emoções. Só não escrevo mais sobre isso agora porque estou faminto e vou comer um pedaço de bolo de chocolate. Mas minhas palavras continuam logo abaixo, criadas por influências diversas, principalmente das pessoas que passam em sua vida e te marcam de alguma maneira. E por causa delas, eu amo sem limites, e por causa delas, eu sou capaz de desarmar bombas atômicas, antes que o mundo se exploda completamente.

Versos alquímicos

Eu não tenho para onde correr sem teus passos
Nessas ruas sem placas de sinalização
Meus caminhos são misteriosos e tortuosos
forrados de grama verde e rodeado de asfalto
Não tenho medo de não ser amado
Não tenho medo de colesterol nem de muros altos

Mas tenho medo de não ver teus passos ao meu lado
ou de não ouvir mais tua voz mágica ao meu redor
Sua face linda soltando sorrisos adocicados
Pois tudo que se move em minha vida
é por causa de você

Andar de trem acompanhando o mundo lá fora
Afogar-se na multidão de um show monumental
Encarar seu olhar e sua risada ao mesmo tempo
Dormir e sonhar com teus abraços macios
Pois tudo que se movimenta em torno de mim
é por causa de você

Não tenho para onde voar sem tuas asas
Nesse céu de bombas suicidas e ameaças terroristas
Minhas jornadas são poéticas e fantásticas
onde minha vida é transmutada em Alquimia
de palavras, de vontades, de versos, de desejos

Se eu te encontrar um dia, serei mais feliz
Terei mais coragem de realizar meus sonhos
e não pensarei duas vezes antes de nos salvar
Tenha certeza de que sempre te salvarei
Nem que tenha que desarmar uma bomba atômica
antes que o mundo inteiro se acabe numa explosão.

Ulisses Góes // dezembro 2005
 
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