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sábado, 31 de março de 2018

Poesia e prosa nossa de cada dia

Poesia e prosa nossa de cada dia

Um universo pulsante de versos, pura Poesia estratosférica, tudo condensado em "Antes que o Astronauta aterrisse" [Poesia]. Um lugar onde realmente o fim do mundo acontece de fato, uma mudança catastrófica irreversível, onde nada mais será como antes, uma história dramática e apocalíptica em "Efeito Cacaos" [Realismo Fantástico]. E a descoberta de nove poetas antes desconhecidos, todos revelados em "Antologia dos Nove" [Poesia]. Aos amigos leitores de todo país, esses meus três livros estão disponíveis para venda no site da Editora Mondrongo [www.mondrongo.com.br]. Vocês também podem adquirir as obras entrando em contato comigo através de email ulissesgoes@gmail.com ...

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terça-feira, 15 de abril de 2014

O Escrinauta ~ Crônicas

O Escrinauta ~ Crônicas

O garoto HOb fechou o livro com cuidado e continuou fitando o Escritor Astronauta com atenção. Não estava mais espantado, e agora deixava transparecer em seu rosto uma sutil expressão de contentamento denunciada por um leve sorriso quase imperceptível. Ele parecia compreender que o Escritor fôra transportado para dentro do universo de sua leitura, fato que o agradava muito. Já o Escritor, agora agachado diante daquele jovem de dons fantabulosos, estava maravilhado com a experiência que vivenciou momentos atrás, apesar das situações que se fizeram aterrorizantes diante de si. "Peço desculpas se assustei você. Eu penso que tinha me afastado o suficiente para que ninguém pudesse ouvir minha leitura. Eu adoro livros de terror, e as pessoas sempre se assustam quando eu leio eles", disse o garoto HOb, ainda olhando curioso para o Escritor, que não demorou em responder, "Não precisa se desculpar. A culpa foi minha. Eu estava terminando de escrever algo e eu não fazia ideia das consequências que as palavras de minhas história causariam". A explicação, por mais superficial que pudesse parecer, despertou no garoto uma curiosidade aguçada,e não demoraria mais do que meia respiração sua para começarem a surgir perguntas intrigantes buscando respostas esclarecedoras...

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O Escrinauta ~ Narrativa

O Escrinauta ~ Narrativa

A primeira sensação experimentada ao abrir os olhos com certa dificuldade foi uma tontura, e logo em seguida o Escritor sentiu aquela dor forte pressionando suas têmporas. As imagens translúcidas na viseira de seu capacete mostravam informações desconexas e incompreensíveis, saindo do ar constantemente. Afastou todas aquelas informações da viseira, e percebeu que já era noite. Era possível que tivesse ficado desacordado por algumas horas ali no meio da rua, mas estranhou o fato de que não tivesse sido socorrido por ninguém que estivesse passando pela rua no momento daquele estranho acidente literário. Levantou-se e ficou surpreso ao constatar que a cidade estava completamente às escuras, mergulhada num blecaute sinistro. Deu dois passos, e sentiu novamente a dor latejando em sua cabeça, dessa vez com menos intensidade. Parou no meio da rua, olhando para os lados. Havia algo de perturbador ao redor, uma sensação estranha de abandono e perigo. Ao longe, na esquina no fim da rua, a cena de um carro aparentemente abandonado pegando fogo o incomodou a ponto de ficar meio confuso no momento. Estranhas silhuetas movimentando-se lentamente surgiram ao longo da rua. Eram pessoas andando em uma cadência descompassada, arrastando-se com alguma dificuldade. Olhou na...

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domingo, 9 de dezembro de 2012

O Escrinauta ~ Spoiler

O Escrinauta ~ Spoiler

De olhos fechados, o Escritor Astronauta degustou o último gole do chá de hortelã feito por Carol. Ainda podia sentir o gosto morno descendo pela sua garganta, enquanto sua mente permanecia invadida por centenas de borboletas azuis voando mansas em um céu branco e silencioso. Já não escutava a voz de sua amiga, que ficou cada vez mais distante, como se ela estivesse se distanciando aos poucos, lentamente, até se tornar apenas uma lembrança ecoando em sua memória. Abriu os olhos e percebeu que não estava mais na casa de sua amiga Feiticeira Lunar. Estava em seu apartamento, sentado diante de seu computador, o cursor piscando em uma página em branco, esperando pela suas próximas palavras que dariam continuidade à história que estava desenvolvendo. Voltou um pouco a história e leu as partes mais recentes que havia escrito, e depois da leitura mental, olhou para as imagens translúcidas ao seu redor, que mostravam imagens dos personagens no momento em que a narrativa havia parado, além de trechos rascunhados de sua história, e com alguns toques de seus dedos fez todas elas próximas desaparecerem. Limpou sua mente de todas as ideias que tivera até o momento, e continuou a...

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terça-feira, 13 de novembro de 2012

O Escrinauta ~ Hortelã

O Escrinauta ~ Hortelã

Após aquele bloqueio criativo desenvolvido numa lógica temporal difícil de se compreendida, onde os dias podiam ser condensados em frações de microssegundos, um silêncio profundo se firmou por todo o ambiente do apartamento do Escritor Astronauta. Ele sentia um gosto amargo de tempo perdido quando se recordava da experiência vivida há poucos momentos atrás, como se tivesse vivido uma vida durante um simples piscar de olhos. Levantou-se vagarosamente, e por segurança, colocou seu capacete. Depois das duas tentativas perigosas de Flávio, queria realmente se certificar de que não seria pego novamente desprotegido vagando em suas ideias e pensamentos. Precisava voltar a escrever o quanto antes, já que sabia exatamente a razão de todos aqueles ataques de seu personagem rebelde, que estava disposto a tomar qualquer atitude para impedir que pudesse prosseguir com a história da maneira como queria. O questionamento maior do Escritor era como fazer para seu personagem esquecer tudo o que ele descobriu e voltar a seguir o curso de própria vida dentro da história. "Como eu faço para Flávio esquecer que ele é fruto de minha mente de escritor?", perguntava-se intrigado e ciente de que, enquanto Flávio soubesse que era personagem de seu livro, ele...

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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O Escrinauta ~ Bloqueio

O Escrinauta ~ Bloqueio

Um flash momentâneo cegou a visão do Escritor Astronauta, balançando a cabeça por causa da leve tontura que sentira. Devia ser a quinta vez que sua mente rodopiava em decorrência da sensação estranha de torpor provocado por aqueles flashes ocasionais. Apoiou-se no cabo da vassoura por alguns segundos, respirou fundo e procurou seguir com sua tarefa. Olhou ao redor, mirando toda a amplidão daquele hangar vazio e tentando imaginar há quanto tempo estaria ali varrendo o chão daquele lugar. Estava muito incomodado por não conseguir se lembrar como chegou ali e nem porque estava varrendo a poeira daquele imenso espaço aparentemente abandonado. Tinha uma lembrança meio distante a respeito de uma história que estava escrevendo atualmente sobre três jovens que encontram um objeto maligno e que estão correndo perigo por conta desta descoberta. Parou de varrer e novamente olhou calmamente o hangar ao seu redor. "Não é possível. Será que estou tendo uma crise criativa e estou sem ideias para continuar desenvolvendo a história?", indagou o Escritor para si mesmo. Era difícil obter respostas quando a mente parecia mergulhada numa piscina de amnésia flutuante, boiando em meio a memórias esquecidas e lembranças afundadas. "Eu tenho essa lembrança meio...

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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O Escrinauta ~ Revelação

O Escrinauta ~ Revelação

O Escritor estava confuso com a descoberta. Não tinha certeza se o que tinha em mãos era exatamente aquilo que deveria ter encontrado. Passou muito tempo caminhando nas areias daquela praia deserta, e após uma busca cansativa que parecia nunca terminar, tudo o que o detector de textos incontroláveis encontrou foi uma pequena caixa retangular de metal enfeitada com minúsculas engrenagens, um relógio que mal cabia na ponta do dedo e uma lâmpada diminuta, sempre acesa. Agora estava sentado no sofá da sala, segurando aquele pequeno objeto, tentando decifrar como aquilo poderia lhe ajudar a encontrar o trecho em que a história que estava escrevendo fugiu ao seu controle. "Isso parece uma sucata enferrujada", disse, contrariado, examinando de perto a pequena caixa de todos os ângulos possíveis. Pensou em retornar pela porta para iniciar uma nova busca, mas a mesma já havia desaparecido logo após ele retornar para a sala de seu apartamento. E assim como as outras, sequer viu o momento em que ela sumiu, uma situação que deixava o Escritor visivelmente irritado. "Malditas portas...", resmungou, enquanto movimentava, meio nervoso, a caixinha em suas mãos. Balançando ela levemente, percebeu que havia algo dentro. Mesmo considerando a possibilidade...

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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O Escrinauta ~ Portas

O Escrinauta ~ Portas

O Escritor estava se levantando, disposto a subir as escadas em direção ao seu apartamento para tomar uma boa xicara de café como planejado naquele momento quando a viseira de seu capacete foi inundada por uma enxurrada de informações descontroladas. Dezenas de imagens translúcidas acompanhadas de breves chiados e ruídos intercalados deixaram o Escritor atordoado. "Não é possível. Outra interferência? Ou estou sonhando novamente?", esbravejou, lembrando do pesadelo maluco do supermercado que tivera há alguns dias. Balançou o capacete, tentando se livrar daquela interferência, enquanto por comando de voz buscava fechar todas as janelas de informações que surgiam, mas tudo foi em vão. Foi quando nesse momento os ruídos cessaram e começou a escutar uma música ecoando em seus ouvidos. Imaginou que algum dia teria que descobrir a origem de tais intervenções sonoras que apareciam de maneira tão inesperada. Ouviu aquela canção tão familiar do R.E.M. e percebeu que a música parecia controlar todo o fluxo de informações que vinha num emaranhado de notícias diárias, textos científicos, verbetes de dicionários, tutoriais extensos, imagens de programas do canal Discovery, tudo aparecendo e desaparecendo incessantemente em sua viseira. A melodia comandava a onda de informações de forma gradativa até que...

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sábado, 25 de agosto de 2012

O Escrinauta ~ Dragões

O Escrinauta ~ Dragões

O Escritor Astronauta saiu daquele apartamento vazio com os pensamentos anestesiados. Desceu as escadas ainda sem entender o que havia acontecido minutos antes com ele naquele lugar. Pensava no guarda-roupa, no leão, na música que tocava sem parar, nas pessoas com as quais ele possivelmente havia conversado e nos livros com personagens de sua história na capa. Foram momentos tão reais que sua mente sentia uma dificuldade imensa em considerar que tudo aquilo foi um sonho maluco. Continuou descendo os degraus, percebendo agora o silêncio que reinava pelo prédio. Não havia mais qualquer música ecoando pelo ambiente. Chegou no corredor que levava ao seu apartamento, e viu as pedras lunares ainda pelo chão, exatamente no mesmo lugar em que estavam quando passou por ali alguns minutos atrás. "Parece que as pedras que Drummond anda deixando por aí definitivamente não fazem parte de meus estranhos devaneios", pensou o Escritor. Caminhou em direção à escotilha de seu apartamento, e quando estava tirando as chaves do bolso de seu traje, notou um pequeno bilhete grudado bem na entrada. "Estive aqui e não encontrei você. Fiz uma descoberta fantástica e preciso que você veja. Assim que puder, me encontre no estacionamento do...

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