terça-feira, 3 de janeiro de 2006

Durante muitos dias, na solidão de suas caminhadas sem destino certo por entre as plantações de cacau, o jovem dedicou todo o seu tempo na busca incessante pelo mico-leão dourado. Olhava atrás das pedras, pelas árvores, nos galhos dos cacaueiros, mas nada encontrava, a não ser a sua voz solta em ecos solitários pela mata. Às vezes ficava a se perguntar sobre o que realmente procurava. Era o momento da dúvida e da insegurança. Mas novamente algo se mexia por entre as folhagens, e o íntimo do jovem mais uma vez se agitava. Seus pensamentos sumiam, seus movimentos cessavam, e sua atenção se voltava na busca do pequeno habitante das matas. Ficava imóvel, inerte, na esperança de rever o mico. Quando percebia que sua espera era completamente inútil, sentava-se desanimado, e ficava a recordar da época em que havia trabalhado como voluntário em um projeto de uma ONG, que tinha por objetivo o equilíbrio sistemático entre áreas verdes e centros urbanos em diversas regiões do planeta. Lembrou de ter visto o mico-leão dourado incluído entre as espécies catalogadas como passíveis de extinção e que mereciam atenção especial por diversos órgãos do setor. Mais uma vez ruídos o despertavam de um transe reflexivo, e mais uma vez a agitação, a ansiedade, a busca, a angústia e o desespero por não encontrar absolutamente nada. Desesperado por não encontrar aquilo que tanto desejava, o jovem corria por entre as árvores, gritando os nomes das pessoas que um dia chegou a conhecer. Exausto, caía no chão, já ciente de que não procurava mais o mico, e sim, procurava alguém que viesse em seu socorro. Procurava pessoas. Procurava ajuda. Mas não encontrou ninguém, nem ao menos uma sombra, um vulto qualquer escondendo-se pelos vãos verdes da floresta largada.

E os dias eram nublados e cinzentos, e as noites eram escuras, de Lua e estrelas mortas. O jovem caminhava sem direção, apenas guiado pela sua imensa vontade de continuar vivo. Nunca mais viu o mico-leão dourado. Apenas pressentia sons, e sentia calafrios por causa disso. Lembrava-se do pequeno animal peludo sentado sobre as patinhas traseiras, sua cabecinha impaciente a olhar para todos os lados. E então experimentou continuamente, durante poucos segundos, o pulsar da vida. Era aquela mesma sensação momentânea de quando vira o mico. Uma sensação rápida, como uma gota d’água lançada num imenso deserto escaldante. O jovem não estava conseguindo reter essa gota por muito tempo mais, mas não desistia. Sabia que precisava insistir sempre, para que pudesse transformá-la em algo maior, um lago, um mar, um oceano. Mas o medo, a angústia e a solidão eram atribulações ainda presentes, tentando evaporar essa gota d’água. Tormentos cáusticos, cauterizando, convertendo o pulsar em escaras. As areias do deserto sugando uma gota d’água.

Sentindo o peso do cansaço causado pela longa jornada daquele dia, o jovem sentou-se à sombra de um Jequitibá. Descansava aos pés daquela imensa árvore, e pensava num modo de sair daquela situação, em como acordar de um pesadelo angustiante. Um pesadelo real, que o deixava cada vez mais acordado, vivendo numa realidade cruel e adversa. Meteu a mão no bolso direito de sua calça jeans surrada e encardida, e daí tirou sua carteira. Entre documentos, cartões de crédito e algum dinheiro, encontrou uma foto. Era uma foto de sua família. Seu pai, sua mãe, seus dois irmãos mais novos, e ele. Tinha quinze anos na época, e agora com vinte e um anos, o jovem tentava transpor a barreira do tempo, desmaterializar todos aqueles seis anos em que havia passado longe de sua família e de sua terra natal e voltar atrás. Acordar exatamente no dia em que aquela foto havia sido tirada.

Fechou os olhos então, e em poucos segundos estava revivendo um momento perdido no passado de sua vida.

Sentiu a brisa leve do mar assanhar seus cabelos castanhos, bem claros. Podia ver ao longe garotos brincando nas areias da praia. Levantou-se, aprumou o olhar, avistou seus dois irmãos entre os garotos. Ouviu alguém chamar seu nome. Sua mãe, um pouco mais distante, jogou-lhe um aceno de mão.

“Venha”, dizia ela, “Vamos tirar uma foto. Chame seus irmãos”. Ele tentava responder, mas não conseguia, apenas ficou parado, olhando sua mãe caminhar de volta pela praia. Seus irmãos continuavam brincando despreocupados naquela manhã ensolarada. Então, tudo ao seu redor ficou turvo, distorcido, e o que lhe parecia tão real desmanchou-se suavemente. As imagens de seu passado diluíram-se lentamente.

Lágrimas brotaram de seus olhos, rolando pelo seu rosto, e tocando silenciosas a terra na qual ele estava adormecido.A saudade pulsava forte dentro de teu peito. E foi justamente esse sentimento que o fizera decidir regressar para Itabuna. Era como uma espécie de chamado, uma voz distante, um som estranhamente familiar. Uma voz que se transformava num coro cheio de harmonia. Olhou a foto, tirada num belo dia de verão. Ouviu rugidos de trovões sobrevoando o céu nublado. A solidão apertou-lhe o coração. Aquela mesma solidão de cidade grande, que havia decidido enfrentar quando deixou sua terra natal, aquele pequeno mundo de cidade do interior, para ir buscar novos horizontes no progresso alucinado do Sul do país. Havia deixado seus quinze anos para trás, guardados na casa de seus pais, na rua onde havia crescido, na cidade onde havia nascido. O que viesse por agora guardaria em sua mochila pendurada em seu ombro. Ganhou a estrada, descobriu seu espírito aventureiro, seu sangue de peregrino, andarilho em busca de seus sonhos. Desvendou novos caminhos, pequenas outras trilhas por onde poderia caminhar. Ganhou encruzilhadas, e o direito de escolher o melhor caminho para si, mesmo que isso significasse a descoberta do erro. Outro rugido ecoou pelo ar. Agora, os caminhos estavam perdidos pela mata, escondido pelas ervas daninhas, e precisavam ser redescobertos. O jovem sabia que precisava reencontrar os caminhos. A foto permanecia em sua mão, enquanto tentava lembrar-se da última vez em que entrou em contato com sua família. Talvez uma terça-feira, ou uma sexta-feira, havia conversado pelo MSN com sua mãe, avisando que estava se preparando para ir passar o Natal com eles, o primeiro depois de seis anos longe de casa. No dia seguinte, numa conversa pelo videofone, a primeira também em seis anos, criou coragem e pôde então rever os rostos de seus pais, e seus irmãos já mais crescidos, já em plena adolescência. Quando desligou, não conseguiu conter as lágrimas de saudade, e estava realmente decidido a voltar. Iria novamente cair na estrada, dessa vez para retornar à sua terra natal, a terra das árvores dos frutos dourados.

terça-feira, 6 de dezembro de 2005

Ultimamente me deparei com alguns poemas meus onde os títulos nos remetem a lugares que sabemos existir, mas aos quais nunca fomos, nunca chegamos realmente a conhecer em nossas vidas, ficando apenas a certeza de sua existência, apesar de nunca os ter vistos nem visitados. Na realidade, títulos que procuram explicar nossa própria existência, onde muitas vezes acreditamos em coisas que não vemos, não enxergamos, não temos como tocar, mas que sentimos e sabemos que nos permeia a alma, o espírito. Sim, você sabe que está amando, mas não pode tocar nesse sentimento, como se fosse na cozinha buscar um copo de leite, ou um pedaço de torta. Você sabe que ele existe, ele está ao seu redor, permeia sua pele de sensações e provocações hormonais, rodeia seu espírito como uma aura invisível de poder e força. Sim, é uma abstração que não faz parte desse mundo de corpos, massas e concretos.

Escrevi três poemas onde os títulos, por si só, procuram expressar essa faceta de nossa existência. São lugares que existem, estão lá, a milhares de quilômetros de distância, e eu sei que existem, mas que nunca fui lá, nunca andei por lá. E mesmo sabendo que nunca vi tais lugares, eu acredito que eles existam e os imagino e os sinto em meus pensamentos. Isso é um tipo de situação abstracional que podemos comparar com os sentimentos, as emoções. Amor, raiva, saudade, compreensão, paixão, fé. Como não acreditar em coisas que nos invadem de repente e se alojam dentro de nós muitas vezes até à nossa revelia? Mesmo que não se queira acreditar, isso não mudará o fato dos lugares existirem. Três poemas meus tem títulos assim: Chuva sobre Andaluzia, Os ventos de Kandahar e o mais recente, As areias de Corsica. Todos os três falam de sentimentos, amores, devoção a quem você ama, abstrações que você não enxerga, mas que sente. Assim como os lugares dos títulos. Você não os vê, nunca os viu, mas sabe que eles existem, e podem de alguma forma alterar o teu estado de espírito.


Chuva sobre Andaluzia

A maré trouxe para dentro de meu coração
Um bravo oceano de calmarias
Gotas de chuva e pés descalços
Criando inquietas ondas de revoluções
O céu lançou-me num abismo
Onde o vento limpa minha face
De todos os males do mundo
Chorei com um sorriso, me perdi num abraço
Dormi em afagos, afoguei-me em carinhos
Encontrei clarões sutis
Na escuridão que te envolvia
A tempestade nos atravessaria.


Os ventos de Kandahar

O deserto cruel apaga tuas pegadas
Evapora de teus poros
O suor de tuas conquistas
Deixando apenas o calor insistente
De tuas lembranças remotas
Caminhar numa jornada de amores perdidos
Contar os grãos de areia
Imaginar o mar, amar o distante
Guardado dentro do pensamento
E mesmo assim, diante de imensa distância
Enxugar tua lágrima, abraçar-te
Afogar tuas tristezas, guardar teu sono
E manter acesos os clarões sutis
Na escuridão que agora nos envolvia.


As areias de Corsica

Você é uma bênção. Um elo cativante.
A raiz das conexões incessantes.
O salto nos ventos dos horizontes.
Uma ilha ensolarada acima do Meridiano.
Você está na velocidade dos meus pensamentos
na dança descalça dos meus passos na praia
na música aprisionada em minha mente
no meus pés molhados e no meu olhar pensativo.
Você é uma sublimação. Uma essência constante.
Você criou minhas lembranças mais fortes
gerou meus versos mais lindos e corajosos
amanheceu meus dias mais impressionantes.
Você é uma poesia. Uma tradução divina.
Transmutação de sentidos, levitando meu
corpo e meu espírito para além do limite
onde perco o meu senso de gravidade.

 

Ulisses Góes

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

Cada período de nossas vidas constitui-se numa série de ciclos entrelaçados, onde você realmente nunca sabe onde terminou um e onde o outro definitivamente teve início. Gostar das pessoas, amar umas, afastar-se de outras. Confesso que não fico feliz em ter determinadas certezas, como a hora que o dia termina, para dar início a um novo dia, ou a programação da tv, ou onde o sol nasce e se poe. Claro que que pra essas certezas existem pequenas e sutis variações, pois o sol nunca nasce sempre no mesmo ponto do horizonte, dependendo sempre da estação do ano em que nos encontramos. Mas esses ciclos que nos invadem a vida, onde você realmente não encontra o ponto determinante, são pequenos tormentos que algumas vezes me tomam de assalto o espírito. Que dia exatamente eu te conheci? Como nossa amizade realmente começou? Como eu fui me aproximando de você aos poucos, e de que maneira? Como chegamos a tudo isso, nesse ponto onde nos encontramos no momento? Ninguém lembra mesmo do princípio de tudo.

A impressão que eu tenho é que conhecemos as pessoas como se já conhecessemos antes, e tudo foi simplesmente um emaranhado de reencontros, de reaparições, quando na verdade, tudo teve um início certo, único, próprio. Isso que dá ficar pela madrugada escrevendo poesias, pensando nas pessoas que você ama, sentindo uma saudade saudável aflorando no peito. Mas as pessoas te influenciam de alguma maneira, e vice-versa. E assim vamos seguindo nossas vidas, onde as pessoas aparecem e tomam conta de você de forma mágica, onde elas te invadem e fazem você invadir elas. Onde você ensina o que sabe e aprende o que nem imagina. A vida é uma troca equivalente, uma alquimia reinante, uma transmutação de sentimentos e emoções. Só não escrevo mais sobre isso agora porque estou faminto e vou comer um pedaço de bolo de chocolate. Mas minhas palavras continuam logo abaixo, criadas por influências diversas, principalmente das pessoas que passam em sua vida e te marcam de alguma maneira. E por causa delas, eu amo sem limites, e por causa delas, eu sou capaz de desarmar bombas atômicas, antes que o mundo se exploda completamente.

Versos alquímicos

Eu não tenho para onde correr sem teus passos
Nessas ruas sem placas de sinalização
Meus caminhos são misteriosos e tortuosos
forrados de grama verde e rodeado de asfalto
Não tenho medo de não ser amado
Não tenho medo de colesterol nem de muros altos

Mas tenho medo de não ver teus passos ao meu lado
ou de não ouvir mais tua voz mágica ao meu redor
Sua face linda soltando sorrisos adocicados
Pois tudo que se move em minha vida
é por causa de você

Andar de trem acompanhando o mundo lá fora
Afogar-se na multidão de um show monumental
Encarar seu olhar e sua risada ao mesmo tempo
Dormir e sonhar com teus abraços macios
Pois tudo que se movimenta em torno de mim
é por causa de você

Não tenho para onde voar sem tuas asas
Nesse céu de bombas suicidas e ameaças terroristas
Minhas jornadas são poéticas e fantásticas
onde minha vida é transmutada em Alquimia
de palavras, de vontades, de versos, de desejos

Se eu te encontrar um dia, serei mais feliz
Terei mais coragem de realizar meus sonhos
e não pensarei duas vezes antes de nos salvar
Tenha certeza de que sempre te salvarei
Nem que tenha que desarmar uma bomba atômica
antes que o mundo inteiro se acabe numa explosão.

Ulisses Góes // dezembro 2005

sábado, 19 de novembro de 2005

Quando comecei a escrever esse poema, nessa última madrugada, tinha passado boa parte da noite conversando com meu amigo Sérgio, pelo msn. Ele, lá em Boston, e eu aqui em Itabuna, terras diferentes que parecem emergir de mundos antagônicos, universos erradicados em galáxias distantes. Tava inspirado pela letra da música do Audioslave, Doesn't Remind Me, do CD Out Of Exile e por algo escrito por um amigo meu em um fórum de discussão. Nesse Fórum, ele falava sobre amizade, solidão, a busca de nossa constante felicidade. Não deu outra. A necessidade incendiou-se dentro de mim, depois de um debate intenso sobre poesia com Sérgio, depois de ouvir uma música forte, depois de ler algo sincero e magnífico. Seriam ingredientes propícios sempre para meus escritos, minhas poesias? O que escrevi é tão nostálgico na essência quanto dramático no relato poético. Uma fuga, uma trágica perda, uma vontade de tentar esquecer aliada à impotência de conseguir alcançar esse objetivo. Um desabafo de quem perdeu tragicamente um jovem amigo. Mas qual foi minha surpresa e emoção, que me vieram lágrimas nos olhos, quando percebi que meu poema acabou se escrevendo sozinho, e se revelando por ele mesmo através de imagens de situações nunca vividas. A tal fuga para lembranças não existentes tinha sido em vão. Infelizmente, o efeito borboleta não estava funcionando.

Maverick na calçada

Olhares luminosos perdidos nas ruas espanholas
Os cabelos soltos e molhados diante do espelho
Martelando pregos e cantando melodias japonesas
Corro esquecido na amplidão dos estacionamentos
Tudo isso não me lembra você

Quebrando as cordas de uma guitarra esquecida
Solidão ensolarada sentada na beira da piscina
Brincando com a areia e limpando o suor na testa
Sanduiche de atum numa lanchonete movimentada
Tudo isso nada me lembra, muito menos você

Não consigo aprender o que tenho que esquecer
Sinto-me fraco e impotente embaixo do chuveiro
Saudade e água fria trazem de novo à tona
minhas lembranças e minhas lágrimas
Não consigo esquecer o que a vida me fez perder
Não há sabedoria suficiente ainda dentro de mim
Existem tentativas perdidas e choros insistentes

Dormindo docemente numa tarde fria e chuvosa
As letras miúdas nas legendas das fotos
Os cartões de embarques e os vistos nos passaportes
A calçada forrada de pedras simétricas e geométricas
Sentado no banco da frente de um Maverick
Nada disso realmente me lembra você

Não consigo aprender o que tenho que esquecer
Sou teimoso e deixo o passado me afogar
Não consigo esquecer o que a vida me fez perder
Não há forças suficientes dentro de mim
que façam eu me apegar a recordações
que nunca me farão lembrar do
verdadeiro Amigo que encontrei em você.

Ulisses Góes

domingo, 6 de novembro de 2005

Estou perdendo noites e me transformando em um ser virtualmente boêmio, me envolvendo em relações distantes, discutindo opiniões, vivenciando mais as pessoas atrás dos monitores do que mesmo nas ruas de minha cidade. E nunca me imaginei ouvindo rock gótico e punk cru. Nunca me imaginei escutando Nightwish, por influência de uma amigo meu que acabou me adotando como mano mais velho dele, e me pediu pra ser padrinho dele. Sempre me surpreendo como as pessoas acabam fazendo parte da vida da gente de alguma forma e acabam deixando suas marcas na gente, suas influências, numa troca recíproca de experiências. Depois de alguns sonhos meus espatifados e projetos que não deram em nada, me senti um pouco mais sozinho, mas no sentido de que parece que cada vez mais dependo apenas de mim pra poder girar as manivelas que movem meus sonhos. E fico ouvindo esses petardos do Green Day, no CD American Idiot, um retrato limpo e preciso de um país que é tão podre e cheio de defeitos como qualquer outro. Os estados Unidos sempre foram um pesadelo para todo o mundo, e depois de atentados, furacões, tempestades tropicais, os americanos percebem cada vez mais que são tão frágeis quanto qualquer outro país menos desenvolvido.

E as pessoas se apaixonam sempre por mim, e não consigo explicar como isso acontece, qual a química transcendental que me permeia, qual aura significativa de emoções me elabora a alma, para que pessoas tenham a sinceridade ativa de me dizer palavras de amor e de afeto. Música mais apropriada para essas palavras que escrevo é Wake me up when September ends, do CD novo do Green Day. O que move as pessoas são emoções e atitudes. Umas são movidas pelo coração, e a maioria pela razão crua, nascida do instinto cruel de sobrevivência. Se arrancar a pureza dos sentimentos e deixar a fúria das ações, o atrito das forças, sobra apenas um mundo sombrio de instintos e luta pela sobrevivência. Agora estou descartando sentimentos e escrevendo na fúria das palavras. Por isso estou ouvindo Dinho Ouro Preto ressucitar O Aborto Elétrico, uma das primeiras bandas de punk rock do Brasil com destaque no cenário nacional. E no final, me deparo com um mundo onde o amor é desesperador, quando não deveria ser. Um mundo onde os nossos sentimentos são sacudidos, e onde as pessoas vivem esmagando os sentimentos, estraçalhando as amizades, despedaçando os carinhos. E o que deveria ser a descoberta de sentimentos mágicos, acaba se transformando em desespero para entender algo que parece nos sufocar mansamente no meio do mundo moderno e sujo. Conclusão: estão abortando o amor antes mesmo que ele nasça dentro de você.

Love Song One
[Renato Russo]

Você me faz pensar demais
Sempre quando quero tentar
Ser só mais um que quer você
Ah! Não consigo entender
por que eu quero você
Não consigo entender

Você me faz deixar pra trás
tudo que faz lembrar
Como é viver sem ter você
Ah! Não consigo entender
por que eu quero você
Não consigo entender

Eu não sei mais voltar atrás
nunca deixei
quero parar de ser só
mais um que quer você
Ah! Não consigo entender
por que eu quero você
Não consigo entender

Você me faz pensar demais
Sempre quando quero tentar
Ser só mais um que quer você
Ah! Não consigo entender
por que eu quero você
Não consigo entender

Faixa do novo CD "MTV Especial
Aborto Elétrico", de Capital Inicial

sexta-feira, 19 de agosto de 2005

Posso sentir realmente este meu novo trabalho literário pulsando cada vez mais forte ao meu redor. Um livro ousado, diferente, que navega outros mares, que destoa completamente de meu primeiro trabalho, Flores do Caos. Um retrato do que um amor pode fazer na vida de uma pessoa, de uma maneira não muito positiva. Talvez a maioria dos poetas sempre busque mostrar o amor como algo sublime, lindo, mágico, encantador. Eu procurei mostrar uma face do Amor que raros poetas versalizam. Um amor que envolve, cativa, entorpece e embriaga, trazendo torpor aos sentidos, um certo desequilíbrio ao espírito, um certo descontrole aos atos. À Sombra de Um Eclipse é um livro sombrio, posso até ter essa coragem de afirmar isso. Algo me surpreende quando observo ele e vejo quanta coragem eu tenho em publicá-lo. Talvez o que mais me encante seja sua ousadia, seus versos onde os sentimentos são lançados numa penumbra quase sufocante de atitudes e emoções. Até mesmo musicalmente, já pensei nesse livro. Canções do álbum 101, do Depeche Mode, que marcou época nas décadas de 80 e 90, seriam perfeitas como fundo musical dos versos. E para ser mais recente, o álbum Fallen, do Evanescence, outra trilha que se encaixa como uma luva. Nada mais a dizer, por enquanto. Termino com um poema escrito pelo meu amigo Ícaro, uma espécie de prefácio poético, onde ele procura traçar os limites onde terminam as flores, e onde o eclipse começa a se fazer presente na vida do poeta.

Flores de um Eclipse

Esse é um Lugar,
Onde o Caos se confunde com o Eclipse
e as flores vivem na eterna sombra
de um caos enfim, sem fim.

Um lugar onde se cria asas
mais de nada valem, se não conseguir voar.
Nesse lugar, teus olhos sao inúteis
pois de nada conseguirá enxergar.

A terra das flores,
flores em meio ao eclipse,
um romance sem fim
um fim sem começo, onde tudo vive
entre o caos e a sombra.

Ícaro Messias

segunda-feira, 15 de agosto de 2005

Como era de se esperar, minha vida está chegando numa encruzilhada e sinto que preciso tomar decisões, agir, tomar a iniciativa de situações e partir para o ataque extremamente ofensivo. Tenho planos, projetos, idéias, e sei que necessito colocá-las em prática mesmo. Não posso ficar mais submerso no limbo, absorto num espaço amplo com minhas idéias pulsando sem parar. Estou num ano divisório, onde o que ficou para trás são lembranças, e o que vier daqui pra frente será uma nova fase, com situações novas pra mim. Um casamento talvez, um filho, quem sabe. Mais um livro a ser lançado, um site de jogos já conhecido e que se mantém no ar ainda porque eu adoro games, adoro jogos, mantenho mesmo como uma paixão que levo adiante sem medo, mesmo que eu tenha que levar sozinho por alguns trechos de meu caminho. Sei que tenho amigos que se disponibilizam sempre a ajudar em determinadas épocas, mas tenho a certeza de que a maior parte do tempo estarei sempre sozinho.

Por influência de um grande amigo meu que esteve aqui em casa, Pedro, resolvi escutar Radiohead a fundo, todo dia. É o que está tocando insistentemente em meu fone, seja em meu PC ou em meu discman é o álbum Ok Computer. E para supresa minha, uma dessa coincidências que sempre acontecem em minha vida, leio hoje que em em uma edição comemorativa de 20 anos, a revista americana “Spin” elegeu o álbum “OK Computer”, do Radiohead, como o melhor disco das duas últimas décadas. O CD lançado em 1997, ficou na frente de “It Takes A Nation Of Millions To Hold Us Back”, do Public Enemy, que ficou com a segunda posição e, do clássico “Nevermind”, do Nirvana, encabeçando o terceiro lugar. Não foi um disco realmente recordista de vendas, mas isso realmente não entrou no critério de avaliação da revista. E fico mais uma vez feliz em poder estar ouvindo um disco que é considerado um trabalho antológico, assim como o Nevermind, do Nirvana, ou o Álbum Branco, dos Beatles. Hoje mesmo, andava furtivamente através de um dia nubladíssimo e chuvoso, pelas ruas de minha cidade, ouvindo Ok Computer. Uma trilha sonora perfeita para um dia como o de hoje.

sexta-feira, 5 de agosto de 2005

Hoje o técnico da Telemar veio instalar finalmente a Velox aqui em casa. Uma novidade incrível realmente é eu ter internet 24 horas aqui em meu humilde apê. Antigamente não tinha esses luxos tecnológicos virtuais. Achei engraçado quando o técnico ficou supreso duas vezes. Uma, por ter visto meu PC, e outra quando foi testar a velocidade de minha conexão aqui na linha. "Bom, aviso a você que o link é de 1 mega, mas nunca bate realmente nessa faixa", disse ele, em tom explicativo. Quando fomos testar a velocidade de conexão, ele ficou [pela 2ª vez] surpreso, ao constantar que o medidor havia batido 1020 kbps! Ele riu e disse que era a primeira que isso acontecia. Preciso realmente agradecer a Deus por tudo de bom estar acontecendo comigo por estes tempos, pois tudo parece se resolver comigo de forma fácil.

//Fullmetal Alchemist //
Não é realmente qualquer coisa que me prenda a atenção a ponto de me fazer ficar maravilhado e em estado sugestivamente hipnótico. Com relação a desenhos japoneses, talvez o único desenho que me cativou completamente foi Yuyu Hakusho. Mas esta semana comecei a assistir o novo canal Animax. Assisti alguns animes, como Getbackers, HunterxHunter, Vandread, mas um em especial me chamou muito a atenção: Fullmetal Alchemist. O desenho tem uma história tão envolvente e original, que me tornei fã imediatamente do anime. Por conta disso, já catei na net desenhos, imagens, mangás, já até faço parte de comunidade no orkut. A história gira em torno de dois irmãos, que depois que perdem a mãe, tentam trazê-la de volta à vida usando uma ciência proibida da alquimia humana. Mas eles acabam sofrendo consequencias desatrosas por conta dessa ousadia. Ed perde um de seus braços e uma perna, e seu irmão Al acaba perdendo todo seu corpo, mas Ed consegue ainda prender a alma de seu irmão numa grande armadura. Essa parte espiritual da história me prendeu, e talvez seja isso que me fascina em qualquer tipo de história. Yuyu Hakusho tem um enredo bem espiritual, com lances sobre reencarnação, mundos espirituais. No caso de Fullmetal Alchemist, a jornada dos dois jovens irmãos é achar a Pedra Filosofal, para que eles possam ter seus corpos de volta. Agora passo todas as noites assistindo o Animax, para não perder um episódio sequer desse anime.

sexta-feira, 29 de julho de 2005

Essa semana finalmente meu PC foi pra casa. Passei mais de um mês aguardando Binho montar ele todo, mas depois de muita espera e paciência, afinal ele realmente é o sonho de todo nerd. A começar pela placa de vídeo GeForce NX 6800 GT, atualmente uma das melhores placas do mercado, possibilitando que eu jogue praticamente qualquer jogo lançado no mercado. Ainda não testei Doom 3 ou Battlefield 2, mas estou à procura para poder fazer esse teste. Além dessa placa de vídeo, meu PC tem um processador AMD Atlhon XP 3200+ FSB400, uma placa-mãe MSI K7N2, 1024 de memória RAM DDR 400 e dois HDs, um de 60GB e outro de 80GB, totalizando 140 GB de espaço para eu fazer o que eu quiser. Por enquanto, estou sem internet em casa, mas estou providenciando isso rapidamente. Minhas madrugadas agora são em companhia de Gordon Freeman, o famoso cientista de Half-Life 2. Espero poder fazer muita coisa com meu PC, e aproveitá-lo ao máximo. Ah, um detalhe legal que deixou meu PC bem original foi o casemod que fiz nele, com uma imagem de Gordon em uma das laterais do PC, que ainda conta com coolers em neon, um deles na placa de vídeo.

quinta-feira, 21 de julho de 2005

Tudo em mim foge para este sonho
onde persistem teus olhos negros
essas dunas de paçocas
teus rabiscos nos arabescos
teus sorrisos pelos becos

Tudo em mim foge para este sonho
onde eu ouço o que você me diz
entre beijos de algodão
e canções feitos de brancos giz

Sandman ainda não percebeu
e eu enganei Morpheus
Não é uma fuga, enfim
Trata-se de uma caçada sem fim.

poema do livro
À Sombra de um Eclipse
julho 2005
 
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