quinta-feira, 10 de maio de 2007

Acordei hoje e vi o tempo em que vivemos. Pessoas dopadas por falsas verdades e absorvidas por ilusões, manipuladas por hipócritas desonestos, cujo mau caráter desconhece os próprios limites. O tempo fechou nos últimos anos, e não tende a melhorar. Não que eu esteja sendo cético ou pessimista. Mas minhas conclusões pessoais são fruto de cuidadosa observação realista. Os noticiários não mentem, os jornais não escondem mais nada, tudo o que se passa em nosso mundo é um prato cheio para a mídia, que sempre busca informações para sempre manter sua audiência no topo. O mundo se aquece, as pessoas se matam, os invejosos se corroem por dentro cada vez mais. A verdade é assim, uma navalha afiada em seu pescoço, e você não pode se mover nem um milímetro sequer, do contrário você irá sentir gosto de sangue em sua boca. Hoje em dia é matar ou morrer. E as balas perdidas têm matado muito mais ou tanto quanto as guerras no Oriente Médio. Crianças morrem em sequestros de maneira aterrorizante. os filmes hoje em dia perderam a graça e não mostram enredos mais originais do que a vida real, muito mais surpreendente e cinematográfica em seus efeitos especiais, sociais, dramáticos, violentos. Cheguei à lamentável conclusão de que somos heróis de nós mesmos, sempre buscando nos salvar a cada dia do pior e sobrevivendo diante deste mundo terrível. O sofrimento ocupa todas as páginas, e o calor penetra meus poros em dias extremamente quentes. É o aquecimento global misturado com uma rotina sufocante. Estou tentando transferir toda transpiração em meus poemas, estou suando em palavras. Estou derretendo toda minha raiva em versos. Minha poesia está nas sombras agora, por minha própria opção.

Antes da Meia-Noite

Cada dia está sendo desperdiçado
pelas desgraças e carniças nas calçadas
Este aquecimento que sufoca e prende
a escuridão envolve e me rende
Seu olhar inerte na esquina
observando a destruição iminente

Ninguém tem mais nada a dizer
aos corpos boiando após a tempestade
Seu rosto suado apenas enxerga
o sangue que marca o asfalto quente.
O hipócrita conta suas mentiras
e arrasta os inocentes para o deserto
Todos se entregam a ilusões e orações
O desespero sufoca os humildes e os idiotas
Sua cruzada é uma farsa ridícula
e você exala falsidade repugnante

Meu pior inimigo espera meu vacilo
Uma raça maldita e dissimulada tentando
me derrubar sempre no meio do jogo
Uma corja de assassinos e ladrões
fazendo meu dia se despedaçar
entre as carcaças dos mais fracos

Não espere que eu me entregue
Meu sangue não será teu troféu
Aguardo sereno nas sombras
pois seu tempo está se esgotando
Verei teu sangue entre meus dedos
e desenharei meu futuro glorioso
em vermelho escarlate
antes de sentir seu último suspiro
sendo negociado pelo diabo na esquina.

Por Ulisses Góes

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Gosto da sensação de estar sempre aprendendo com as pessoas ao meu redor. Isso demonstra que tenho sabedoria suficiente para entender que não sou perfeito e que tenho ainda muito conhecimento a absorver sempre e constantemente, no decorrer de minha vida. Aprendo a ouvir canções que antes não ouvia. Aprendo a escrever cada vez revelando um maneira nova de demonstrar o que sinto. Aprendo a criar poesias. Aprendo que preciso ser sempre mais forte, se quiser superar obstáculos e alcançar novos degraus em minha vida. Aprendo que existem pessoas muito importantes em nossas vidas pelas quais devemos nos preocupar e sempre buscar dar o melhor de nós para que eles possam entender o mundo da melhor maneira possivel. Aprendo com meus erros passados a moldar melhor minhas atitudes presentes. Superar escuridões desesperadoras, esmagar monstros, encontrar a própria resistência diante das insanidades e loucuras do mundo ao seu redor. Diante das friezas e das inutilidades, seguir firme, vencendo os círculos do medo que rodeiam as fronteiras de nossos olhos. Confesso que sinto-me vaidoso em sempre querer explicar a vida, e a minha vida através de palavras poéticas, de poesia e música. Porém, isso me liberta, libera de dentro de mim um poder imenso e invencível, que estremece tudo ao meu redor. A minha espada são minhas palavras, e tenho apenas que estar ciente de que não posso guardar esse poder dentro de mim. Sempre que possível e necessário, aprender a usar minha Zanpakutou*, quando a batalha assim a chamar. Ter a força necessária para nunca fugir diante da guerra, e sempre estar atento ao chamado da minha Zanpakutou, não ter medo de liberar seu Shikai**, e alcançar a força necessária em meu espírito para liberar seu Bankai***.
Hoje posso dizer que sinto orgulho extremo em saber que tenho um afilhado que demonstra um nível de força surpreendente, e que nunca esmorece nem se abate diante de situações desafiadoras na vida. Consciente de seus pensamentos e de seus atos, acredito que ele já tenha atingido um nível de evolução interior que têm superado sempre, a cada dia de convivência com ele, as expectativas de um padrinho orgulhoso e extremamente feliz com o afilhado que ganhou. Hoje, dedico este espaço para versos escritos por ele, uma prova sincera e clara de seu amadurecimento como pessoa. Eu sei que ele guarda em seu coração a certeza de que sempre, e por toda as nossas vidas, ele poderá contar com o apoio, a amizade, a compreensão e o respeito de seu padrinho.

Pairando entre o céu e o inferno

Eu sou um demônio religioso,
Um anjo pecador,
Cientista religioso,
Cristão descrente,
Não amo quem me ama,
Odeio quem me odeia,
Sou homunkulus com alma,
Sou a clara luz negra,
A escura iluminação,
Sou um drácula sentimental,
Sou guerreiro sem espada,
Eu sou a guerra congelada.
Sou um morto-vivo,
Sou a viva morte,
Samurai desonrado,
Um cantor mudo,
Um templário maldito,
Abençoado cavaleiro negro,
Sou o plebeu rei,
Sou o gelado calor,
O gelo flamejante,
Sou o deus dos demônios,
Sou o demônio dos deuses.


Poema escrito pelo
meu afilhado Thalles
______________________
Notas referentes ao texto.
* Zanpakutou:
[literamente cortadoras de almas], no mundo de Bleach, são as armas que os Shinigamis usam para derrotar os Hollows. São espadas, normalmente, mas elas mudam de forma. Cada Zanpakutou tem vida própria, personalidade e força, e quando usadas em conjunto com o Shinigami é que ele pode realmente ser forte.
** Shikai:
Assim que o portador da Zanpakutou apura sua audição ele consegue ouvir o chamado de sua Zanpakutou, que grita seu nome. Se ele souber o nome de sua Zanpakutou ele pode chamá-la, normalmente com alguma frase antes, fazendo com que ela ganhe alguma habilidade especial e tamanho.
*** Bankai: última e mais poderosa liberação da Zanpakutou. Somente poucos conseguem chegar nesse nível, e para se conseguir uma é necessário 10 anos de treino, e mais alguns para dominar totalmente a Bankai.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

Ninguém começa um novo ciclo partindo do zero. Exatamente, você traz em sua bagagem resquícios e informações de ciclos anteriores. Então você já começa com um certo conhecimento do que vem pela frente. Começar um novo ano não quer dizer muita coisa hoje em dia, já que quando você erra, você parte do princípio de que admite um erro e tem que começar do zero novamente, buscando corrigir aquele erro anterior. E isso é algo que acontece conosco durante todos os dias do ano. Conclusão: sempre temos algo novo a começar, não importa se é final do ano, ou se é no meio do ano. Datas são apenas convenções capitalistas para as empresas ganharem dinheiro em cima dos sentimentos dos pobres mortais. Tudo bem, olhando pelo calendário, hoje é o primeiro dia de um novo ano. Mas aí vem a questão: ninguém vai começar nada partindo do zero. Existem as contas do ano passado para pagar, existem compromissos que foram firmados no ano que passou e que ficaram pendentes, idéias que nasceram dias ou meses atrás e que estão sendo colocadas em prática somente agora.
Não deseje nunca apenas um Feliz Ano Novo. Deseje tudo de bom para as pessoas durante o ano todo, que elas possam alcançar seus objetivos, resolver seus problemas, realizar seus desejos, serem felizes e poderem amar e serem amadas. Que isso possa se repetir por todo o ano, e que as pessoas não sejam tão superficiais a ponto de somente desejar felicidades aos outros pelo fato de ser uma data especial. Que elas possam desejar isso sempre, durante o ano todo. E que as pessoas não se deixem vencer pelos problemas da vida, que sejam fortes o suficiente para empunhar a espada com força e determinação, e se impor com sabedoria e nobreza diante dos inimigos.

Bleach

Você é jovem e impetuoso
portanto você se enfurece facilmente.
Você é dor e fúria intensa
portanto seu coração se abala tanto.
Com seu coração ferido
Sua espada perde o poder e brilho.

Afaste a dor, crie sabedoria
Veja os olhos de sua própria criança.
Torne sua dor na sua melhor arma
Avance sobre seu inimigo
com fúria inteligente e nobre
Jovem e impetuoso você é.
Corte com o brilho e
o poder de sua espada
e depois sorria
andando sobre os
corpos de suas vítimas.

por Ulisses Góes

sábado, 18 de novembro de 2006

O motivo de minha ausência aqui nesse meu espaço se deveu mais a problemas tecnológicos e trâmites burocráticos dessa nossa vida algumas vezes atribulada. Mas aqui estou de volta, buscando nao deixar esse meu lugar único entregue à própria sorte. Já bastam as nossas vidas, que parecem que andam alheias à nós mesmos, largadas como barcos no meio de um oceano, ao sabor dos ventos. Eu sempre tive a certeza do poder das palavras nas pessoas, mostrando a elas verdades que o mundo quase nunca nos mostra de forma clara.

Hoje recebi um email de uma grande amiga minha, especial por sua posição privilegiada na história de vida deste humilde poeta das palavras. Ela lutou pelas minhas poesias, meus versos, buscou mostrar a todos quem conhecia todo o vigor e riqueza de tudo o que escrevo de peito aberto. E assim como minhas palavras redescobertas por ela recentemente a tocaram profundamente de uma maneira que ela própria jurava desconhecer, suas palavras em seu email atiçaram chamas meio adormecidas dentro de mim. A poesia pulsa dentro de mim, vibra constantemente, a cada momento, em cada palavra, cada situação, cada olhar, cada sorriso, cada abraço, cada vivência intensa da qual participo ou me entrego sem medo. Amizades, amores, amigos, amigas, pessoas importantes que me marcam de uma forma especial e fabulosamente mágica.

Stéphanie, tefinha, ou simplesmente stef. Sua forma de enxergar poeticamente o mundo me encanta, ainda mais quando você consegue redescobrir formas, cores e nuances em coisas que outros diriam já estar ultrapassadas, antigas ou datadas. Eu sei que a poesia é atemporal, é única, é fôlego diante de nossa falta de oxigênio nesse mundo de pernas para o ar. Mas o fantástico poder que emana de você é poder desarticular uma pessoa com palavras tão sinceras e cristalinas. Flores em suas mãos, sempre terão o cheiro da primavera, não importa se elas tenham sidos colhidas no ano passado. Cartas antigas, aos seus olhos, sempre terão novidades a acrescentar em sua vida, mesmo que elas tenham sido escritas há alguns outonos atrás. Porque você consegue enxergar a essência, você consegue sentir a vibração da vida ainda viva em tudo, até mesmo em versos escritos num papel amarelado pelo tempo. E eu sei, suas lágrimas irão molhar o papel e você terá a sensação de felicidade invadindo você por conta dessa descoberta.

A sua imaturidade? Agora ela está hermeticamente presa no passado, e você alcança sempre outros níveis pessoais fabulosos. Tenha certeza de que seu sorriso não é mais vazio, seu choro não é mais em vão, e sua vida não está mais sem rumo. Pois você está encontrando os caminhos primorosos que fazem da gente pessoas especiais e que trazem dentro do coração tudo o que existe de mais puro, belo e encantador. O prazer de poder dizer que o mais importante da vida é saber vivê-la, entre nossos erros e acertos. E eu tenho o imenso prazer em poder dizer que, apesar de distanciados nos últimos tempos, ainda somos incríveis, fantásticos e poderosos em nossa amizade sempre eterna.

Stef, tem uma música que nesse momento dedico a você, e estou ouvindo ela nesse momento. Espero que você possa ouvi-la também agora, enquanto estiver lendo esse meu texto. A música se chama Shine On, do novo álbum da banda JET, que também se chama Shine On. É a faixa 8. Escute e preste atenção em sua letra. Com certeza, ela iluminará mais as minhas palavras para você.

Shine On - JET
do álbum Shine On, lançado em outubro 2006

[...]
And if the moon had to runaway

And all the stars didn’t wanna play
Don’t waste the sun on a rainy day
The wind will soon blow it all away

So many times I’d tried
To be much more than who I am
And if I let you down I will follow you ‘round until you understand

That if the moon had to runaway
And all the stars didn’t wanna play
Don’t waste the sun on a rainy day
The wind will soon blow it all away

When the days all seem the same
Don’t feet the cold or wind or rain
Everything will be okay
We will meet again one day
I will shine on, for everyone

[...]

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Se existe uma banda que tem uma aura dark, densa, penetrante e consistente, e que reflete toda uma atmosfera sinistra e melancólica presente em boa parte da década de 80 e início dos anos 90, essa banda se chama Depeche Mode. Muitas de suas músicas exalam um clima sombrio, soturno, e minha adolescência teve em sua trilha sonora algumas músicas marcantes do Depeche Mode. Never Let Me Down Again, Behind The Wheel, além de Strangelove, criaram contornos marcantes em muitos momentos de minha vida, onde eu sofri, chorei, amei, e senti o relativo gosto da felicidade nessa época de nossas vidas. Época de efervecência de sentimentos, sensações, descobertas. E muitas de minhas descobertas em minha vida, eu as fiz no silêncio mais extenso de meus atos, minhas atitudes, a maioria delas movidas pelo coração. E esse silêncio era quebrado sempre pelas minhas conclusões ensurdecedoras e por alguma canção de uma banda que eu começava a curtir na época. Uma dessa bandas foi o Depeche Mode, que acabou se unindo às minhas conclusões ensurdecedoras. Naquela época, eu absorvia o som da banda de uma maneira própria, de acordo com minha idade, meu estado de espírito, minha forma de enxergar o mundo. E ele já se mostrava caótico já naquela época.
O tempo passou, eu cresci, e fui ampliando meus horizontes musicais, e fui deixando algumas bandas que eu ouvia para trás, guardadas apenas naquela época em que tudo para mim parecia amplificadamente mais difícil, complicado, complexo. Deixei de ouvir Depeche Mode, mas nem por isso a banda deixou de seguir seu caminho, lançando seus trabalhos, suas músicas sinistras e melancólicas, e sempre se adequando à épocas e aos estilos musicais reinantes.
Quase 10 anos depois do lançamento de Strangelove, uma das músicas que passearam a trilha sonora de minha vida, aqui estou eu ouvindo novamente Depeche Mode sem medo de me sentir datado, ou ultrapassado. A banda parece que submerge de dentro de mim, busca respirar novamente, depois de tanto tempo esquecida nas profundezas. Comecei ouvindo o novo trabalho da banda lançado esse ano, e que realmente gostei muito: Playing The Angel. E hoje culminou com minha busca insistente pelo show mais recentes deles. Tudo porque li uma notícia essa semana de que em setembro eles estarão lançando o DVD da Tournet de Playing The Angel. Touring the Angel - Live in Milan realmente precisava ser lançado, pois o único registro de show ao vivo do Depeche Mode que eu tenho em minha mente é o do álbum 101, que por sinal é o álbum mais significativo da carreira da banda. Então fui atrás de algo mais, e acabei encontrando Touring The Angel 2006 CD - Live at Bremen Weser Stadion, um show deles na Alemanha. E o que antes era um combustível para a minha adolescência conturbada, hoje se mostra um revigorante para minhas idéias e meu amadurecimento enquanto pessoa. E então percebo que aquele anjo negro que todos temos dentro de nós não desapareceu, apenas está meio adormecido, meio domado, meio dominado, apenas quietinho, nos observando sutilmente. Acredite ou não, eu já tive asas pretas e um céu escuro ao meu redor.

Precious

Angels with silver wings
Shouldn't know suffering
I wish I could take the pain for you.

If God has a masterplan
That only he understands
I hope it's your eyes he's seeing through.

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Anjos com asas prateadas
Não deveriam conhecer o que é sofrer
Quem dera eu pudesse suportar a dor por você

Se Deus tem um plano mestre
Que só ele entenda
Eu espero que seja pelos seus olhos que ele esteja vendo

trecho do música Precious, do álbum
Playing The Angel, lançado em 2006
pelo Depeche Mode

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

É fascinante você se descobrir um pouco mais em cada reação positiva sua a determinadas coisas da vida. Amadurecer não é somente aprender com os erros, mas também aprender a se reconhecer em coisas e pessoas que te atraem e te trazem sensações boas. Não é de agora que eu descobri que curto muito rock britânico. Mas a cada banda nova que descubro e ouço, vou realmente tendo cada dia mais certeza de que sinto prazer sonoro em ouvir bandas como Coldplay, Starsailor, e agora mais uma: Snow Patrol. Coincidentemente, a banda lançou agora em maio último seu mais novo trabalho intitulado Eyes Open, por sinal, o 2º CD do grupo. Trilha sonora perfeita para sonhos que tenho, como o que tive hoje à tarde, quando fechei meus olhos para um cochilo, e abri os olhos para um mundo diferente, distante, onde as coisas acontecem mais decididamente, como se não pudesse esperar por decisões nossas. Alguém estava comigo, e eu recebia o carinho dessa pessoa de forma tão surpreendente e fabulosa, que nada mais importou pra mim, a não ser aquele momento dentro do sonho. E esses dois últimos dias se pareceram com meus sonhos, onde resolvi fazer diversas coisas que eu vinha adiando por algum tempo. Decidi ver situações pendentes e acabei fazendo mesmo mais do que eu próprio previa. Primeiro, tirar novos documentos, já que meus antigos me foram roubados. Mesmo considerando o fato de que me sinto absorto numa rotina meio parada, meio acomodada, consigo realmente tomar decisões que definem muitos pontos pendentes de minha vida. No final do dia, até o filtro de minha casa eu estava limpando, retirando a sujeira das velas, e depois fazendo um café revigorante e aproveitando a companhia de meu afilhado aqui em casa. Acho que falta mais disso na pessoas, saber aproveitar algumas horas do dia, não pensar em problemas, abrir os olhos para algum sonho ou devaneio sutil e furtivo, sorrir despreocupadamente, mesmo que no dia seguinte tenha que enfrentar mais problemas. É verdade que muitas parece ser difícil fazer isso, mas depois de muitas tentativas, vai se tornando cada vez mais fácil se desvencilhar dos problemas e buscar alívio, buscar fôlego para continuar seguindo em frente, da melhora maneira possível. Abra os olhos para si mesmo, para que você possa olhar nos meus olhos.

[...]
levante, vá embora, saia de perto desses mentirosos
Porque eles não pegam sua alma ou seu fogo
pegue minha mão, entrelaçe seus dedos entre os meus
E nós sairemos deste quarto escuro pela última vez

Cada minuto a partir deste agora
Podemos fazer o que gostamos em qualquer lugar
Eu quero tanto abrir seus olhos
Porque eu preciso que você olhe nos meus
[...]

Música: Open your eyes
Banda: Snow Patrol
CD: Eyes Open [2006]

terça-feira, 11 de julho de 2006

Meus posts aqui em meu blog são tão esporádicos, que quando retorno aqui, fico impressionado com o que escrevi há algum tempo atrás. Parece que existe uma certa regularidade com que eu venho aqui postar, e escrever algumas linhas. Existe em mim um tempo certo para escrever na medida certa. Cada palavra em seu lugar, cada pensamento em sua linha de raciocínio. A Copa passou, o Brasil perdeu, Roberto Carlos não fez nada para impedir o gol, Felipão levou Portugal a mares nunca dantes navegados, Zidane se despediu do futebol com uma cabeçada infeliz, a Itália chegou onde somente o Brasil já chegou tempos atrás. Mas não sou comentarista de futebol, e nem tenho capacidade para comentar sobre futebol. Prefiro falar sobre outros pormenores poéticos de nossas vidas. Tenho hoje curiosidade em saber como serão meus próximos anos. Sinto perfeitamente dentro de mim que tudo poderá ser incrivelmente melhor do que nos anos que se passaram. Se bem que não podemos comparar nada que passou com nada que ainda está por vir. Tudo é imprevisível. Mas eu sinto uma perfeição insistente no meu futuro próximo, e só depende de mim que ele seja perfeitamente melhor do que esse momento de agora. Fico mais apreensivo com o dia de amanhã do que com o ano que vem, com os próximos meses, apenas por conta de situações nas quais me deixo levar, ou que deixo que aconteçam sem que eu faça algo ou tome algum tipo de atitude. E estranhamente parece que sinto que algo, ou alguém me protege de todos os males deste mundo, me purifica aos poucos, me solta, me liberta, me libera, me sopra no ar em rajadas limpas de vento. Sinto-me solto, dono de mim, dono de meus atos, dono de meus pensamentos mais lindos e mágicos. Só me questiono algumas sobre onde está o amor neste nosso mundo de hoje? As pessoas só pensam em pedras, palavrões, perversões, perdições. Enquanto eu penso diferente, penso em pétalas, perfeições, pessoas, presentes.

poema
pétalas, palavras, pronúncias
pistolas, pessoas, prenúncios
provas, pratos, prantos
prerrogativas, propostas
perdas, perdições, perversões
pêras, pirâmides, paisagens
passeios, paçocas, pássaros
pronto

sexta-feira, 16 de junho de 2006

Viver nesse mundo onde todos esqueceram o que realmente é amar ao próximo está cada vez mais difícil e sufocante. Esse mês presenciei uma passeata pela paz promovida pela sociedade organizada aqui em minha cidade. Considerei bastante louvável a iniciativa de todos. Balões brancos, discursos inflamados, a cidade praticamente parou e se uniu num sentimento mútuo de busca por dias melhores. E então veio o dia seguinte, e suas surpresas impregnadas em nossas rotinas e cotidianos. No dia seguinte, presenciei algo completamente oposto ao que tinha visto no dia anterior. Um pobre coitado havia roubado uma mulher dentro de casa, e saiu correndo desembestado pela rua, buscando fugir. Foi perseguido e aqui, logo abaixo da janela de meu apartamento, ele foi pego. Encurralado que nem um animal, quase linchado, praticamente alvo de toda ira popular, de olhares curiosos, de gente querendo motivos para alterar a rotina diária. Juntou gente ao redor do pobre infeliz, um homem baixo, de pele morena, descalço, barba por fazer, suado, de bermuda e camisa, praticamente a imagem viva da miséria humana. Chamaram a polícia, e quando apareceu a Força Especial, os policiais simplesmente chegaram intimidando, intimando, batendo, humilhando, fazendo pouco caso daquele ser humano perdido em seus rumos. Ele foi humilhado, espancado, e até spray de pimenta jogaram-lhe nos olhos, ele já algemado e sentado na calçada, esperando a condução que o levaria preso até a delegacia.E eu fiquei indignado, me perguntando se era isso mesmo que tinha que acontecer naquela manhã. E o que houve na manhã anterior? Toda aquela manifestação pela paz, onde foi parar? Policiais que humilham pessoas, mesmo que elas sejam marginais. Pessoas manifestando ódio, raiva, por uma pessoa que elas mal conhecem e que nem sequer fizeram mal a elas, apenas à pessoa que havia sido assaltada. Não sei realmente como caminha e para onde vai o mundo aí fora. Estou eu aqui, refugiado em meu pequeno universo, minhas atividades, meus trabalhos, vivendo meus dias mais amenos e despretenciosos, como nunca vivi antes em minha vida. Pessoas gostam de mim de maneira especial, ganho o carinho e o amor de pessoas que me tem como exemplo e me tem como porto seguro em suas vidas conturbadas. Aqui dentro, não me sinto só. Mas quando saio no mundo lá fora, sinto-me unicamente solitário, por achar que eu deva ser uma espécie em extinção, que sempre acredito no amor, na amizade, no companheirismo e nas pessoas. Sinto-me um anjo caído, sem as asas, impossibilitado de alçar vôos e buscar uma iluminação maior.

sábado, 6 de maio de 2006

Cada música nova que escuto me inunda com algum sentimento enriquecedor para a minha alma, e acaba gravando em mim o retrato de uma época que vivo e respiro. E fico impressionado como tem certas músicas que de repente grudam em meus ouvidos e não paro de escutá-la. Agora estou escutando o novo álbum duplo de Red Hot Chilli Peppers, Stadium Arcadium, e a canção que me pegou desprevenido dessa vez foi Desecration Smile, primeira faixa do álbum Mars, uma canção com uma batida consistente, uma letra poderosa e verdadeira. Isso acabou me fazendo pensar em situações e momentos em nossas vidas que quase acabam por nos destruir. Amores, pessoas, ações, palavras. Tudo ao nosso redor tem um potencial latente de nos destruir em questão de segundos, e desestabilizar tudo o que tentamos construir durante muito tempo. É preciso saber viver e saber amar as pessoas da maneira certa. Apesar de que nem tudo depende unica e exclusivamente de nossos atos, apenas interagimos juntamente com milhares de outras pessoas nesse universo vasto. E é justamente nesse universo vasto e amplo que podemos mostrar que somos capazes de ser felizes ou não. Não existe, no momento, outro lugar que possamos fazer isso. Tem que ser agora e aqui. Cada momento é único e não podemos desperdiça-lo. Por isso é sempre bom pensar nas situações que quase nos destruiram, que por segundos nos fizeram sentir que estaríamos sendo jogados num precipício. Esses versos que escrevi tem certa influência dessa música do Red Hot que estou escutando agora. Eu recomendo ouvir o novo álbum. Quase tão bom quanto Californication. Eu disse quase.

Espaço Sideral

Estou sozinho rodando dentro de mim mesmo
Amo uma pessoa nociva para meu coração
Parece morfina, parece chocolate com adrenalina
Ando em círculos em meus sentimentos de anilina

Uma celebração pertubadora em amar você
Uma serenidade terrível que me afoga
Sons e sorrisos que nunca são ouvidos e vistos
a não ser por mim numa frequência viciante

Seus abraços me desintegram em poeira dentro de mim
Ando em torno de mim mesmo procurando você
É óbvio e ensurdecedor a sua voz em meus pensamentos
E eu não paro de quebrar meus caminhos
para sempre seguir seus passos debaixo do sol

Goles de Coca-Cola entre sorrisos largados
fotos e imagens brincando em meu álbum
Me esforço em sorrir mesmo que algo me machuque
Dificil é constatar que mesmo nocivo
Você é meu lindo Amor envolvente
Sincero, forte, incrivel, entorpecente


Estou sozinho rodando dentro de mim mesmo
Você tem uma obscuridade madura
Tento terminar o que eu mesmo comecei
Mas é impossível voltar pelo caminho
quando olhamos para trás e vemos
que não existe mais caminho.

Por Ulisses Góes, em maio 2006

quinta-feira, 16 de março de 2006


Tempos difíceis, tempos conturbados, acordo sonolento, procuro me arrumar a tempo de poder resolver o que é preciso resolver, mas parece que o mundo ao meu redor travou em algum momento. Todos os dias estão meio iguais, meio similares, e creio que seja até por culpa minha. É difícil compreender o que ocorre com a gente algumas vezes, parece que ficamos inertes num momento estranho de nossas vidas, como que sentado no alto de um penhasco, apenas apreciando a paisagem ao longe, sem muito o que poder fazer de fato, aguardando novas instruções, ou esperando que algo nos sacuda e então a gente acorde e recobre a consciência, como o prenúncio de uma tempestade iminente. Situações fugiram ao meu controle esses dias, como avisos de um possível temporal. Discuti com um jovem amigo meu, que considero muito, e ele, pela idade turbulenta da adolescência mergulhada numa revolta absurda e sem qualquer motivo convincente, parece estar jogando nossa amizade pela janela e dizendo adeus. Ontem discuti com meu irmão, e creio que ele não tenha mais retorno, pelo caminho que está trilhando, se entregando à embriaguez completa, se matando aos poucos. Não reconheço mais ele, completamente um conhecido, uma pessoa a quem nem bom dia mais eu dou.

Esses dias estão nublados, ontem choveu, e hoje o tempo continua fechado. A tempestade está eo redor. Não sei mais realmente porque eu fico aguardando que a tempestade se vá e que o sol volte a brilhar. Eu tenho que realmente acreditar que minhas forças e determinação aparecem justamente neste momento de inércia na qual me encontro temporariamente. O mais incrível de tudo é que justamente nessa época de minha vida acontecem certos milagres, surgem anjos que parece que estão perto de mim para me proteger e não deixar que nada de errado aconteça em minha vida. São pessoas especiais, que nos enchem os dias de alegrias e sorrisos, por mais que os problemas estejam ao nosso redor nos pertubando os pensamentos e desnorteando nosso espírito. De um lado, percebo amizades que eu prezo muito se perderem e se distanciarem de mim de maneira triste. De outro lado, outras amizades que nos mostram que a vida é vivida e sentida a cada momento e feita de situações, pedaços saborosos de sorrisos, conversas, num crescimento maduro e sincero, sem medo de demonstrar o quanto se gosta de alguém. E percebo que minha vida é assim, esse constante sabor de um chocolate de uma doçura meio amarga. Talvez a tempestade não seja de todo ruim. Quem sabe ela sirva para te limpar um pouco mais e mostrar que você ainda encontrará forças no final para poder observar o mau tempo indo embora, se distanciando no horizonte, enquanto você do alto do penhasco, observa o céu abrir.

Chocolate meio amargo

eu amo você, mas você é como um sopro de ventania na imensidão
Não posso te abraçar e você não consegue escutar meu coração
eu quero você, mas você é como uma imagem nítida na tv
eu vejo tua beleza, porém você não enxerga o amor que tenho por você
eu busco você, mas você é como o sol raiando acima das casas
não posso me aproximar muito para não derreter as asas

eu sinto você como se fosse o mundo todo ao meu redor
uma rajada de vento, um programa de tv, um nascer do sol
Você é o significado completo para o sentido de minha vida
E tudo o que tenho é meu amor, minhas asas e meu coração
para buscar estar sempre mais perto de você
e fazer valer cada segundo intenso de minha respiração

meu amor por você é um salto na imensidão.

Ulisses Góes
 
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