quinta-feira, 21 de junho de 2012

Eu estou em pé à beira de um penhasco. Não tenho intenção de saltar ainda, apenas estou ali, parado com um olhar atônito, presenciando aquele comboio de tornados devastando toda a vastidão da planície à minha frente. Há algum tempo, eu vinha acompanhando tempestades que escureciam os horizontes e distorciam os horizontes distantes. Eu estava ciente do perigo que corria quando decidi acompanhar tais tormentas, e fazia alguma ideia do que eu poderia enfrentar pelo caminho, pelas estradas. Foi uma escolha minha, e eu sabia os riscos que correria.
Mas nada me abalou tanto naquele momento, ali no topo daquele penhasco, do que aquela visão estranha, aterrorizante. Tentava me manter em pé a muito custo, e em alguns momentos meu corpo envergava para trás vacilando em movimentos deslocados, enquanto eu continuava brigando contra ventos arredios querendo me carregar para o alto. E diante de mim, lá estavam aqueles tornados, todos eles, verdadeiros fluxos de correntes de ar rodopiando com intensidade e fúria, forças de uma natureza incontrolável, destruindo tudo o que encontrava pela frente. Casas arrancadas do chão, árvores se retorcendo agarradas às suas raízes, estradas inteiras varridas do mapa, postes sendo arremessados ao longe provocando descargas elétricas que eram rapidamente engolidas pelos imensos redemoinhos. Toda aquela paisagem estava sendo devastada sem pena pelos colossais tornados, e eu ali, dominado pela sensação de pavor e aflição, apesar de saber que eu estava ali por escolha própria e não haveria qualquer possibilidade de voltar atrás. Essa alternativa já não existia mais em minha vida a partir daquele momento, e apesar do medo que se instalou em minha mente, e do desespero adrenalizado em meu coração fora de compasso, eu sabia que a única atitude que eu deveria tomar seria a de encarar aqueles gigantes devastadores e partir em direção a eles. Então eu zerei meus pensamentos, e lembrei do verdadeiro motivo que me carregou até aquele momento único e desafiador, ali no topo daquele penhasco, diante daqueles tornados.
Eu já havia enfrentado tempestades parecidas antes, tormentas que surgiram diante de mim repentinamente, tormentas que me arrastaram para longe e quase acabaram comigo. Tempestades que por algum tempo me perseguiram numa caçada cruel, sangrenta, marcando minha jornada com feridas profundas. Sobrevivi para tratar de meus ferimentos e transformá-los em cicatrizes que apenas me fazem lembrar o quanto eu posso ser frágil se eu não monitorar os alicerces e bases que me sustentam e me tornam forte. Eu aprendi a sobreviver diante das adversidades da vida e diante de meus tornados que queriam me engolir. Agora eu estava diante de furacões que não eram meus, que não me perseguiam e nem queriam me enterrar vivo. Eles não estavam ali para me destruir. Esbocei no rosto um sorriso de satisfação e um olhar desafiador para aquele comboio que estraçalhava tudo o que pudesse estar ao alcance de minha visão. Eu não estava ali por mim. Estava ali para resgatar os sobreviventes que em mim habitam, estava ali pelas pessoas as quais eu me importava de verdade.
Aprumei meu corpo, ergui o queixo e lancei em meu rosto uma expressão de puro contentamento em estar ali naquele momento. Saltei do penhasco e corri em direção aos tornados.



Supercélulas

Enxergo muitos tornados à minha volta
jogando para o alto várias caixas de Pandora
lançando medos, demônios e aflições para fora
Desenhando nos céus olhos de insônia e revolta

Fora de mim estão arrancando flores e paredes
Ventos arrastando cotidianos para a destruição
Ventanias de máscaras e turbilhões de desesperos
Uma chuva de lágrimas açoitando as inércias
daqueles que flutuam nervosos em suas tormentas

E eu, atento, Caçador de Tempestades alheias
perseguindo as vítimas durante as catástrofes
resgatando os sobreviventes que em mim habitam
antes que tudo enfim se torne tão somente
escombros vazios num belo dia ensolarado.

por Ulisses Góes,
em junho 2012


Atualização contaminada: posterior à publicação desse texto e da poesia, descobri o vídeo acima com imagens colhidas por caçadores de tempestades. Trilha sonora da banda australiana Midnight Oil, com a música "Dead Heart", do álbum "Diesel anda Dust".

segunda-feira, 28 de maio de 2012

E nessa escala de tempo geológico, aqui estou eu errante andarilho perdido no período Holocênico, presenciando a criação de pequenos infernos terrestres e o fim de minúsculas eras celestiais. Civilizações surgiram e desapareceram desde a última era glacial. Povos criaram e destruiram o mundo centenas de vezes, nações nasceram e sumiram na poeira dos tempos seculares. Líderes, governantes, ditadores, estadistas, imperadores, todos eles alcançaram o poder, e ainda assim tudo permaneceu efêmero e passageiro diante da escala do tempo. Movimentos, revoluções, guerras, batalhas, militâncias, tudo planejado para desenvolver mudanças, e ainda assim as mudanças se tornaram obsoletas e ultrapassadas. Cientistas, inventores, filósofos, pensadores, todos desenvolvendo o entendimento sobre o mundo que surgiu desde a última era glacial, e ainda assim tudo que se escreveu ainda não é o suficiente para explicar o funcionamento preciso deste complexo universo expansivo.
Sinto-me solto neste mundo buscando entendimentos e sentimentos que definam minha origem e meu destino. Tenho aqui e agora essa vontade de escrever e correr o mundo numa liberdade que somente a mim cabe, poeta e andarilho holocênico descobrindo um mundo vasto perdido em céus e infernos criados por todos os homens.

Canção do Andarilho Holocênico

Na terra dos deuses descansei meus pés cansados
Andei livre e desesperado pelas montanhas desenhadas por mim
Desenterrei meus passos para relembrar as estrelas que segui
Desmontei altares e despedaçei pedaços de orações alheias

Na terra dos descrentes desfraldei discursos flamejantes
Despenquei de penhascos gelados e deslizei pela linha do horizonte
Andei sobre as águas que descansam no copo meio vazio
Afoguei meus desassossegos que boiam no copo meio cheio

Na terra dos dragões derramei meus sonhos delirantes
Distante de tudo e de todos descobri desvios e declives
Demarquei minhas fronteiras e desloquei territórios
Caminhei entre demônios acenando para anjos no céu

Agora toda semana eu espero pelo fim do mundo
com esse meus incansáveis olhos de pecador
e meus pensamentos com gosto de vinho vindo de longe
Despertando a vontade em desvendar terras novas.

por Ulisses Góes,
em maio 2012



quarta-feira, 25 de abril de 2012

Tudo o que temos agora é o que nós fizemos com o que tínhamos antes. A vida segue essa premissa simples, um raciocínio lógico, uma conclusão afirmativa, uma verdade absoluta e inabalável. Assim como o caminho que hoje percorremos é resultado dos passos traçados anteriormente por nós mesmos. E no decorrer de nossas vidas, vamos nos tornando um depósito de distorções, erros, cicatrizes e equívocos com os quais aprendemos a conviver e a aceitar como parte de nossas experiências. É quando você aceita suas imperfeições e entende que você é o maior responsável por tudo o que você é hoje. Nesse exato momento, você começa a entender um pouco mais o mundo que você constrói, e procura evitar erros anteriores, busca o entendimento com as pessoas a quem você tem um laço sólido de amizade e carinho, dialoga com mais tolerância e sem julgamentos precoces.
Tudo o que nós sempre quisemos ser está flutuando ao redor de nossos pensamentos. E são nossos pensamentos que transformam o mundo ao nosso redor. Nossos pensamentos transformados em palavras, em ações, atitudes, situações organizadas pelas nossas ideias. O ser humano medíocre é aquele que acumula ideias, frases, textos e nada faz com tudo isso guardado dentro dele. Ele se limita naquilo que ele próprio se tornou, se incapacitando e sabotando seu próprio desenvolvimento, condicionado pela sua apatia, seu comodismo, suas escolhas próprias que o impossibilitam de enxergar além de sua realidade microscópica.
Suas escolhas definem o que você é hoje. Seus erros lapidam o que você será amanhã. E é preciso sempre acordar todos os dias acreditando que é possível realizar as metas definidas para sua vida. Há muito tempo atrás, eu era um Caos errante e desgovernado. Só que eu aprendi a controlar essa natureza e me tornei um Observador do Caos, enxergando e identificando as distorções e equívocos que se manifestam diante de mim. Se eu posso alterar, reorganizar, dissolver, realinhar ou redirecionar outros caos, isso dependerá apenas de minha capacidade de absorver eles e dar a eles infinitas novas possibilidades variáveis. Com esforço e humildade, estou trabalhando para me tornar um Transformador do Caos.


domingo, 4 de março de 2012

Os procedimentos buscam seguir um padrão em sua vida. Os mais leigos chamam isso de rotina. Mas você precisa ficar atento, pois haverá um dia, um momento em que esse padrão será quebrado, e você será atingido por uma sensação de que seu mundo sofreu uma profunda transformação e não será mais possível voltar aos procedimentos anteriores, pois tudo estará alterado. Ciclos que se arrebentam, cronogramas que são desativados, agendas incendiadas. Você olha para o mundo ao seu redor, e percebe que ele foi sutilmente alterado, e você não pode fazer nada com relação a isso.
Você sabe que é o seu mundo, e ao mesmo tempo não é mais seu mundo. Ele está igual e diferente. As pessoas estão iguais e diferentes. E você tenta assimilar tudo isso e se adaptar. O café que você toma é o mesmo, mas parece ter um outro gosto. O cigarro que fumam ao seu redor é o mesmo, mas o cheiro e a fumaça são diferentes. E você, logo você que antes se importava tanto, hoje parece aceitar as coisas de uma maneira mais tolerante e diferente. Porque não há nada a ser feito a não ser tentar entender como o Destino age e qual a lógica de seus atos misteriosos nas vidas que se cruzam e se conectam com a sua. Eu reconheço que o Destino é um poeta sinistro escrevendo versos misteriosos enquanto eu tento, inutilmente, decifrar as entrelinhas de sua escrita.
É quando você reconhece as pessoas que um dia você conheceu, e essa frase pode ser entendida aqui como conhecer novamente as mesmas pessoas de uma forma diferente, de um outro ângulo, sob um novo prisma e se surpreender tanto com elas como consigo mesmo e com suas reações. Conhecer de novo as mesmas pessoas é fascinante. E elas estão inseridas nesse novo mundo ao seu redor. Ele parece ser o mesmo mundo de sempre, mas não é. Já se passaram algumas centenas de dias e um novo padrão foi criado.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Quando a vida promove aquela sacudida momentânea e te faz sentir um pouco do desconforto que é estar vacilando e cambaleando para fora do olho do furacão, então você começa a perceber que está na hora de adrenalizar sua rotina e canibalizar todas as formas de situações que possam, de alguma maneira, roubar a felicidade constante que você sempre busca desenvolver para as pessoas que você ama de coração aberto.
Sabemos que ninguém é perfeito e perfeição é algo que não existe em nosso mundo. Mas não é a perfeição que devemos buscar obstinadamente, mas sim, formas de sermos um pouco melhores a cada dia de nossas vidas. Essa deve ser a nossa verdadeira perseguição interminável até que o último suspiro nos mostre o fim do ciclo.
Recuperar o foco e manter ele insistentemente em nossa frente e não se deixar confundir pelos obstáculos e dificuldades que eventualmente querem nos atrapalhar. Escrever sempre e cada vez mais, até que eu sinta que as palavras fluem em minhas veias no lugar de meu sangue. Ler o máximo que eu puder, e sempre devorar livros, como dizia minha saudosa professora de Matemática, Iara, durante todos os anos que me ensinou a lidar com números, equações e fórmulas. Elaborar pensamentos mais bem estruturados e dinamizar melhor as ideias, teorizar, discutir e debater. Desenvolver estratégias e visualizar com mais concentração o campo de batalha, enquanto jogo xadrez com meu afilhado Thales, agora universitário e Desenvolvedor Iniciante de Campos de Futuro para sua vida. E nunca me esquecer de promover sempre pequenas piadas descontraidas com sua namorada Thays.
Escandalizar a rotina, estrangular o cotidiano e servir suas tripas crocantes com um bom vinho antes do jantar da noite. Beber poesia e ter ressacas líricas. Escrever para a Morte e fazer ela rir sobre os sonhos que seu irmão costuma soprar em meus olhos dormentes. Prender o desespero numa caixa de leite vazia e esperar com sorrisos silenciosos pelos seus gritos claustrofóbicos. Estremecer o desejo em calafrios e arrepios arredios.
Entender, enfim, que não sou perfeito, que esse meu texto não é perfeito, mas que tudo aquilo que escrevo são pedaços de lembranças com sabor de eternidade, algo assim bem supercalifragilisticexpialidoso, como diria a Morte para seu entediado irmão. E que, por causa de uma palavra tão incomum, descobri essa Morte inusitada nesse vídeo com seus erros e tocando Pink Floyd suavemente.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Sim, ainda tenho muito a dizer, muito a escrever, e pelo visto o nosso mundo contemporâneo parece condensar nosso tempo o máximo que pode, minimizando, encapsulando e comprimindo todos os nossos objetivos, metas, desejos e anseios em espaços temporais cada vez mais reduzidos. Talvez seja por isso que as pessoas façam tudo de maneira apressada ou exagerada, pois elas tem a sensação de que não há mais tempo a perder, nem podem esperar por mais nada, nem por elas mesmas. Estamos nos afogando em um mundo com cada vez mais informações a serem assimiladas, conhecimento a ser absorvido e processado em nossos cérebros, e tudo num espaço que parece ficar menor do que o Bóson de Higgs, a chamada partícula de Deus, como foi apelidada pelos cientistas. Estamos sobrevivendo das migalhas deixadas pelo relógio do nosso tempo. Todos os nossos valores, todos os nossos amores, nossos sofrimentos, nossas descobertas, nossas vontades, tudo sendo reduzido a momentos curtos, quase ínfimos, que se perdem nas lembranças do dia anterior.
Artistas sendo descobertos ontem e lançando biografias amanhã. Um oceano de músicas, livros, filmes formando um turbilhão efêmero de fama momentânea para em seguida se tranformar no mar do esquecimento, com milhares de versos, páginas, palavras e cenas boiando esquecidas por 7 bilhões de seres que parecem não fazer a menor ideia do que estão fazendo neste mundo. Eu acordo todos os dias e apenas vejo a banalização da idiotice, a disseminação da estupidez e a valorização da escrotidão humana. Concordo que em nosso mundo não existem santos, mas a humanidade está valorizando os demônios. Sim, o mundo reduz nosso tempo, e as pessoas individualizam suas ações, escandalizam suas palavras e se tornam profanos escravos de seus demônios interiores. Está na moda ridicularizar os outros, tornou-se normal matar as pessoas pelos motivos mais banais, tornou-se lei seguir seus instintos mais desumanos e agir de acordo com os valores mais deturpados possíveis. Esse é nosso mundo escatológico, este mundo que te desafia a se manter vivo e pensar cada vez mais rápido a cada dia que sangra silencioso nessa sua rotina entorpecente.

Diário de um Astronauta

Todos os dias eu acordo de paraquedas
com um gosto dormente de nostalgia na boca
o dia se rasga numa manhã sedosa
enquanto eu tiro meu capacete
e respiro toda a putaria rotineira
impregnada no ar venenoso deste mundo

Caminho descalço até janelas abertas
enxergo o sol sangrando dourado e suave
sinto o leve odor agridoce da rotina que exala
como um gás entorpecente um odor indecente
preparando as pessoas para "batalhas diárias"

Monitoro silencioso esse mundo antropofágico
de compartilhamentos e de curtições
onde as bruxas estão à solta caçando a si mesmas
Passeatas explodem como jardins pelas praças
Estradas cheirando a sangue e gasolina
A morte banalizada, doce como açúcar
Os choros de lágrimas batizadas com morfina
tudo fluindo intenso em veias de adrenalina

Observo os satélites riscando o infinito escuro
bombardeando com sequências dementes de imagens
os marginalizados e os estúpidos
sorrindo e gritando nas arquibancadas dos estádios

Sinto um abalo na força
interceptaram meu sinal poético
Fim da transmissão...

por Ulisses Góes,
em janeiro 2012


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Diariamente, o mundo é desafiador. Até mesmo quando o dia parece entediante. Pois sua mente trata sempre de lembrar a você dos desafios a serem superados, não importando se vocês os escolheu ou eles o escolheram. Enquanto o mundo gira freneticamente entre conflitos no Egito, protestos esdrúxulos na USP e policiamentos tecnológicos na rede por parte de hipócritas, eu sigo meu caminho pela faixa opcional, sem atrapalhar muito o trânsito caótico, principalmente porque atualmente eu prefiro muito mais ser um Observador [lembrando um pouco os personagens misteriosos da série Fringe]. E que ninguém me julgue, estou no meu direito de assumir essa postura. Quem sabe, futuramente, eu mude minha filosofia de vida e me torne uma pessoa mais participativa na sociedade. Porém, no momento prefiro observar, analisar, anotar e digerir toda forma de conhecimento que absorvo.
É um caminho escolhido de forma consciente e que se encaixa perfeita em minha carreira de escritor, pois na medida em que estou promovendo um desenvolvimento lento e gradual de minha jornada literária, é justo que eu pense muito mais em tornar meu trabalho mais visto do que a minha própria pessoa em si enquanto autor. Porque meu objetivo é justamente fazer meu trabalho ganhar mais notoriedade junto ao público que decidir se envolver com a leitura dos livros que eu escrever. Não quero e nem pretende estar à frente de meu trabalho, mas decido por ser a pessoa por trás da obra criticada, analisada, elogiada ou massacrada. Leiam minha história, decifrem minhas mensagens, analisem meus personagens, contextualizem o seu universo com o universo da obra. É justamente isso que eu busco, promover aquilo que faço, que escrevo, que crio através da escrita, e não promover a minha pessoa. Lógico, eu sou o autor e preciso mostrar quem sou. Mas antes do autor, vem a obra criada e divulgada para o mundo.
Esse meu blog é um exercício fabuloso de construção de meus pensamentos e minhas ideologias enxutas. Eu acredito no que eu faço, apesar de que, em alguns momentos, a frustração e o desânimo pesam mil toneladas e minhas palavras parecem estar esmagadas sob mil pés sem almas. Mas nesse momento eu recobro minha consciência e me dou conta de que isso tudo faz parte do desafio escolhido. pois você nunca vai poder discordar de que a cada dia o mundo é desafiador, nunca entediante.

A nível de informação: o vídeo postado no início deste meu texto é o Booktrailer de meu livro "Efeito Cacaos", que lancei recentemente pela internet. Uma versão completa em PDF do livro está disponível para download e pode ser baixado no site do livro.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Escrever Efeito Cacaos foi uma experiência única. Foi o meu primeiro livro de ficção, e acreditem, escrevi ele de maneira artesanal, usando caneta e muito, muito papel. Na época em que escrevi ele, internet era uma novidade ainda não disseminada em nossa cultura e computadores eram produtos de luxo para poucos. Então lá estava eu, um jovem escritor à moda antiga, debruçado sobre folhas de papel e escrevendo os capítulos de meu livro numa velocidade atordoante.
A base da história que eu queria desenvolver já estava pronta em minha mente. Um mundo conturbado e caótico, vivendo uma nova Grande Guerra, e um meteoro cruzando o espaço, silencioso, vindo na direção de nosso planeta fragilizado. Esses seriam os grandes eventos que seriam citados na história, pincelando um quadro apocalíptico, um cenário onde catástrofes estavam a ponto de serem detonadas, desencadeando uma série de eventos posteriores que influenciariam de forma indireta a vida de todos os personagens do livro. Poderia ser isso o tal "Efeito Cacaos"? Um grande evento catastrófico que direta ou indiretamente afetaria a vida de milhares de pessoas sobreviventes?
O livro relata a história dos personagens (que curiosamente não tem nomes durante toda a narrativa) de forma sempre a deixar dúvidas sobre o que realmente aconteceu e que gerou todo o desastre de grandes proporções. Assim como os personagens, também o leitor ficará, durante todo o trajeto de sua leitura, tentando decifrar as situações e buscando entender o que realmente ocorreu.
Momentos dramáticos de dor, solidão e sofrimento, situações tensas que mostrarão a capacidade e a coragem de cada um em desafiar o mundo para permanecer vivo e continuar seguindo em frente. Eventos de proporções globais afetando indiretamente vidas que pessoas que sequer imaginavam se conhecer um dia e que agora se cruzavam numa jornada de dilemas e desafios pessoais. Uma história que parece mostrar a todos que, às vezes, é necessário você se perder para se encontrar e compreender seu verdadeiro lugar neste mundo.
Espero realmente que aqueles que se aventurarem pelas páginas de meu livro apreciem esta história única, esse fim do mundo escrito de uma maneira singular.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O filme estrelado recentemente por Will Smith é emblemático. Silencioso, impactante, Eu Sou a Lenda trabalha de forma impactante a questão temerosa da Humanidade com relação a sua frágil condição sobre a face da Terra. Uma possível extinção da raça humana através de uma catástrofe de proporções gigantescas sempre rondou o nosso imaginário, e quando um filme toca nesse assunto, sempre ficamos a nos questionar e a pensar sobre isso. Temas como esses me atraem literariamente falando, e me vejo constantemente visualizando pensamentos, ideias, conjecturas, me proponho histórias e relatos fictícios. Meu livro Efeito Cacaos, ainda não publicado, é a prova definitiva do quanto esse tema sempre atual me hipnotiza e me induz a escrever sobre esse tema desafiador.
Em meu livro, um jovem retorna para sua terra natal após alguns anos vivendo nas metrópoles do sul do país. Na realidade proposta pelo meu livro, o mundo está mergulhado em uma guerra mundial que perturba a todos, também apreensivos pela possível queda de um meteoro em nosso planeta. No meio de sua viagem de retorno, o jovem acaba sofrendo um acidente no ônibus no qual viajava. E após o acidente, ele acorda ferido, sozinho e sua última lembrança foi ter visto um clarão forte na linha do horizonte. E é justamente nesse ponto que meu livro e o filme estrelado por Will Smith se aproximam muito. Catástrofe mundial, possível extinção da raça humana, e alguém sozinho vagando em lugar deserto, buscando encontrar sinal de vida.
Esse tipo de história é fascinante, e ao mesmo tempo aterrorizante, pois sempre dá margem a diversas interpretações das situações que, a principio, não mostram explicações plausíveis e acabam criando uma aura de mistério e suspense, deixando no ar diversos questionamentos sobre o que realmente aconteceu e mais interrogações sobre o que futuramente poderá acontecer. E atualmente, nossa realidade está nos trazendo esses mesmos questionamentos, sempre que pensamos nos problemas que a Humanidade têm enfrentado, seja em nível ambiental ou terrorista. É como se fosse o prenúncio do fim, onde vivemos dias angustiantes, e assim permanecemos, justamente pela impossibilidade de sabermos com precisão quando seremos novamente engolidos pelas ondas de um tsunami.

A nível de informação: escrevi e publiquei o texto acima aqui em meu blog em janeiro de 2008. Resolvi resgatar ele novamente dado ao fato de ter lançado recentemente meu livro na internet, e por haver conexões de contexto interessantes entre as histórias que podem servir como fonte de informação importante para os leitores que se aventurarem a ler Efeito Cacaos.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

De tempos em tempos, o mundo, tal qual o conhecemos, é sacudido por revoluções simbolizadas pela imagem icônica de uma maçã. Houve uma primeira, de cunho religioso e protagonizada pela Igreja, que tentou dar ao homem um sentido divino para sua vida. Então veio uma segunda revolução, envolvendo Newton e a queda de uma maçã, que mostrou ao homem o caminho da ciência, para entender o universo ao seu redor. Enfim, uma nova onda revolucionária tomou a todos de forma surpreendente através de uma mente brilhante movida por ideias visionárias. Steve Jobs e sua maçã nos mostrou o caminho da tecnologia, moldando uma sociedade nova onde todos podem interagir e transformar o mundo através da informatização e da conectividade. Pensamentos que mudaram o nosso mundo.
O mundo nasce pelo pensamento de cada um. O mundo é feito de ações, mas para que as ações possam se realizar, antes elas nascem no plano das ideias, dos pensamentos. O meu mundo, o seu mundo, o nosso mundo é feito de ideias, sonhos e pensamentos com potencial de se tornarem futuramente ações bem sucedidas. Para mudar o mundo, você precisa de ideias, de sonhos, de pensamentos, e então transformar tudo isso em ações desafiadoras, atitudes decididas, objetivos corajosos. Somos definidos por tudo aquilo que permeia nossos pensamentos, e o mundo ao nosso redor será definido pelo conjunto de nossos pensamentos transformados em ações, manifestações, realizações.
O grande prazer da vida é você saber plenamente qual o seu objetivo traçado por você em conjunto com o caminho que o destino lhe reservou para que seja trilhado. Nunca seja evasivo, nunca seja incoerente. Concentre-se naquilo que você acredita que possa ser o seu diferencial para transformar o mundo ao seu redor. Precisamos de pessoas dispostas a entender a Humanidade, e decididas a desenvolver de forma positiva este universo que habitamos.
Estou disposto a mudar o mundo, à minha maneira, com minhas ideias, meus pensamentos, buscando sempre alcançar meus objetivos estabelecidos. Espero realmente que minhas palavras, meus textos, minhas histórias possam atingir esse êxito pleno. Mudar este nosso universo não é fácil, mas é uma ideia sustentável. Você pode fazer do seu modo e se sentir realizado ou pode ficar reclamando continuamente e se sentir insatisfeito com a vida e com o mundo. Tudo vai depender somente de sua forma de pensar. Pois um mundo se faz primeiro com ideias. Ou com maçãs.

para Steve Jobs [1955-2011]
 
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