sexta-feira, 30 de abril de 2010

Isso é algo que me entorpeceu praticamente no primeiro momento em que acordei. E acordei já pensativo, querendo logo analisar o que havia sonhado, e porque havia sonhado, e os detalhes do que havia sonhado. Foi uma viagem onírica vertiginosa, e raramente tenho esse tipo de sonho intenso e sufocante. Até cheguei a postar diversos comentários no dia seguinte ao sonho em meu Twitter. Vou tentar aqui em meu blog, com o máximo de lembranças possíveis e detalhes relatar esse sonho estranho, sinistro, catrastófico.
Até onde consigo lembrar, puxando cuidadosamente pela memória detalhista, o sonho começava comigo andando por um pátio de uma escola, ou faculdade, onde eu já havia estudado. Bom, pelo menos no universo do sonho, eu já havia estudado ali, e era um pátio meio semelhante ao pátio da Uesc, conhecida universidade do Sul da Bahia. Eu caminhava e então ficava sabendo que um grupo de pessoas estavam fazendo pesquisas referente a pequenos abalos sísmicos que estavam ocorrendo em minha cidade. Para ser bem exato, o epicentro dos abalos ficavam no centro, bem no centro de minha cidade. O intrigante é que na cidade do meu sonho, o local do epicentro era justamente o colégio. Só que o colégio ficava em um local onde, na vida real, aqui em minha cidade, funciona um grande hipermercado. Bom, voltando ao âmbito do sonho. Curioso, fui procurar essas pessoas conhecidas minhas que estavam fazendo as tais pesquisas. Logo encontrei entre essas pessoas um conhecido professor de Física aqui de minha cidade, que por sinal ensina em alguns colégios particulares e cursinhos aqui. Em meu sonho, ele e mais outros menos conhecidos estavam pesquisando os abalos em um laborátorio montado bem próximo do epicentro. Mais curioso ainda, fui justamente ao local onde sentiram com mais intensidade os tremores, e então, ao chegar nesse local, observei no chão fissuras e rachaduras que estavam sutilmente se abrindo. Então senti os pequenos tremores, e logo em seguida, de alguns pequenos buracos no chão começaram a jorrar lava derretida. O chão tremeu mais intensamente, e onde eu pisava sentia um aumento excessivo de temperatura. Estava começando a ficar quente, e a terra começava a tremer com mais intensidade. O grupo de pesquisas pediu para que todos saissem dali o mais rápido possível, pois tudo indicava que o chão por baixo da gente iria explodir em um mar flamejante de lava.
Eu comecei a correr, e atrás de mim explosões sucessivas. Construções, prédios, casas, tudo começou a vir abaixo, se despedaçando ao meu redor. Pânico e terror tomaram conta de mim de dentro para fora, uma sensação que nunca senti antes na vida real. Caos no trânsito, carros batendo, capotando por todos os lados, e eu correndo por entre esse cenário caótico, enquanto atrás de mim o mundo explodia. Eu podia sentir o calor da explosão. Olhei para trás e vi tudo indo pelos ares num enorme cogumelo em tons de vermelho e amarelo, confundidos e misturados numa imensa nuvem tóxica que subia aos céus. Então corri, pulando entre os carros, passando por pessoas desesperadas. Atrás de mim uma nuvem grossa, negra, espessa, vinha perigosamente em minha direção, tentando me engolir para a morte fatal. Consegui alcançar a parte da avenida que era uma ladeira, e desci desembestado, desesperado, sem acreditar que tudo aquilo acontecia. Eu consegui escapar da explosão de lava que surgiu de dentro da terra bem no meio da cidade, mas aquele grupo de pessoas não conseguiu fugir a tempo. Morreram instantaneamente. Corri para o mais longe possivel, e só via destruição e terror atrás de mim, e aquela nuvem subindo cada vez mais. O sonho sofre algum tipo de quebra de sequência, e o que consigo me lembrar é de tentar retornar ao ponto central onde tudo ocorreu. Já era noite, e fui retornando depois de horas do terror ocorrido. Havia uma parte da cidade envolvida numa grossa nuvem tóxica. Tentei entrar naquela área, mas não consegui ir muito longe. O ar estava pesado, denso, ardia os pulmões, e sufocava qualquer ser vivo. Voltei atrás. E imaginei como seria que estava tudo próximo ao desastre. Pensativo, absorto naquele pesadelo. O chão praticamente se abriu numa cratera de lava, e a catastrofe foi tão imensa que toda uma área da cidade veio abaixo, tudo cedeu, e foi engolida pelas águas do rio que passava ali próximo. Tudo ficou inundado. Outra interrupção sem lógica, e dias depois eu passava pelo local, creio que estava em um jipe, e conseguia finalmente ver e presenciar a extensão apavorante daquela tragédia. A cidade destruída, como que vitimada por um holocausto. E o rio totalmente fora de seu curso, havia inundado tudo ao redor.
A imagem se desfez diante de mim. Acordei com aquela sensação sinistra do bizarro, de ter presenciado o pesadelo em seu tom mais cru e cruel.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Tenho escutado uma música de forma insistente e quase hipnótica nesses últimos dias. Claro que escuto outras, mas essa música em especial tem tocado constantemente em minha playlist e invadiu meus ouvidos praticamente todos os dias. Fui desenvolvendo um raciocínio sutil, tentando entender o motivo que me leva a ouvir ela sem parar. Amadureci essa sensação e desenvolvi minhas idéias sem pressa, até que percebi o que ela queria. Ela queria ser remodelada por mim, reestruturada em verso, recriada em arte poética. Esse foi o sinal. E eu então esperei o momento certo, a hora noturna, o silêncio boêmio que somente eu consigo escutar, a solidão presente, e deixei fluir tudo o que essa música quis dizer para mim. A música? Fragile Tension, do recente álbum Sounds of The Universe, do Depeche Mode. Inclusive postei ela aqui em minha última passagem contaminada pelo blog.
Acredito que o que escrevi fala de amor, um amor entre duas pessoas, um amor que nasce sincero, despretencioso, mas que com o tempo acaba perdendo sua essência vital, e se desgasta através de sentimentos distorcidos, como insegurança, ciúme, obsessão, desconfiança, desrespeito, imaturidade, crueldade, indiferença. Era para ser amor, mas não foi filtrado e se deixou contaminar por tudo aquilo que destrói o sentimento puro. As pessoas ainda tem o amor dentro delas, mas não é mesmo do início. É algo fragilizado, sempre no limite de sua existência, pulsando momentos críticos, ou decisivos, suspirando suas agonias terminais. O sentimento cativante sumiu, dando lugar a uma sensação de atordoamento, de torpor profundo, que tira teu sono, que desequilibra teus dias e escurece ainda mais tuas noites. Não tive intenção de explicar o que a letra original da música do Depeche Mode queria passar para quem a escuta. Foi apenas um caso simples onde sou possuído pelo minha força interior que me diz quando escrever, como escrever e o que devo escrever. E dessa vez escrevi não sobre o inicio, mas sobre um possível fim, onde as pessoas sempre ficam com a sensação de que seus amores ainda tem chances de sobrevida, de sobrevivência, de retorno. E justamente por isso continuam a acreditar que tudo sempre é possível, mesmo que você esteja em queda livre perto de se espatifar no chão.

Queda Livre

Essa tensão fragilizada tão firme
sobrevivendo em intervalos rápidos
enquanto respiramos este ar tenso
intensificando o tempo relativo
ativando nossa eternidade que não dura
Eu sei que não dura para sempre
Mas que sempre está fluindo

Existe algo de mágico sugando o ar
Algo trágico tentando nos sugar

Essa estranha obsessão de cinema
cercando nossos limites numa tela de LCD
Nunca conseguimos entender o motivo
O princípio ativo desse ópio relativo
ativando nossa obscura humanidade
Nessa nossa idade dissimulada
que simulou uma cruel fuga armada

Existe algo de místico em nosso sonhar
Algo plástico causando nossa falta de ar

Essa sensação artificial de sabor "doce"
Esse amor voando em colapso puro
Descendo vertiginoso na estratosfera
Esse sentimento atordoante nos espera
Existe algo radical em nossas mãos
Mas nada lógico em nossos planos


Ulisses Góes ~ abril 2010

domingo, 28 de março de 2010

Esse ano começou tenso e intenso para mim, e até agora tudo está caminhando de maneira diferente de qualquer outro ano. Situações novas, propostas de trabalho fora da cidade, viagens programadas para o meio do ano novamente para o Rio, e a incessante e insistente busca pelo lançamento de meu livro. Se tem algo que considero uma qualidade minha é a tal da persistência. Sempre fui persistente em tudo que sempre quis, sempre mesmo. Nunca desisti de meus sonhos e sempre acreditei nas coisas que fiz e costumo fazer. Essa qualidade faz você alcançar alturas nunca atingidas antes na sua vida. Irei seguindo em frente com meus objetivos, pois sei que lá na frente tudo dará certo da maneira como penso, e terei pessoas me apoiando fielmente em meus projetos. Esses pensamentos povoam minha mente com uma certeza que me assombra. Eu sei que se não desistir e sempre perseguir meus objetivos, um dia eu acabo alcançando os mesmos e os conquistando por completo. É uma lição de vida que passo para todos que me conhecem.
E esse ano creio que viajarei como nunca viajei há muitos anos. Quando eu era garoto, todo ano minha família promovia viagens de férias para o Rio de Janeiro, e era gostoso viajar. Eu me recordo dessas viagens, apesar de tudo em minha mente estar fracionado em flashbacks vagos de tudo o que ocorria. Coisa chata isso de você não lembrar com exatidão de tudo o que ocorreu em sua infância. Como referência, você dispõe apenas de vagas lembranças e de fatos que pessoas mais antigas contam.
Uma das coisas boas dessa minha viagem ao Rio foi ter pego de volta todas as minhas fotos antigas de quando eu era criança, que estavam guardadas com minha mana Zélia. São fotos incríveis, de uma época muito boa de minha infância, onde a sensação que se tem é a de que você sempre respirava felicidade no ar e não existia qualquer vestígio de preocupação. Isso tirando o fato de que minha família sempre foi problemática demais, mas eu era criança para lembrar ou tentar entender o que se passava com meus familiares. De qualquer forma, assim que puder, irei postando fotos de minha infância aqui em meu blog.
Semana passada comecei a trabalhar com a Revista Folha da Praia em Ilhéus. Antes eu fazia todo o trabalho aqui em casa e enviava tudo por email para o pessoal. Esse ano agora está sendo diferente, eles me chamaram para ficar no escritório deles na Avenida Soares Lopes, em Ilhéus, diagramando a revista lá com eles. Eu gostei da idéia e está sendo uma experiência nova para mim, ainda mais que todo dia acordo com a vista maravilhosa da praia da Avenida.
E falando um pouco de música, ontem resolvi garimpar na net algum show ao vivo recente do Depeche Mode, e de tanto procurar, acabei encontrando num blog de um fã-clube de Portugal download de diversos shows recentes da Tour of The Universe ocorrida na Europa no final do ano passado. E melhor ainda, encontrei o download com todas as músicas tocadas pelo DM nos shows recentes. São ao todo 39 canções, incluindo as do último álbum, Sounds of The Universe. Para quem curte essa banda e quiser dar uma conferida nessa preciosidade, segue os links para baixar: Tour Of The Universe Parte 01 // Tour Of The Universe Parte 02

There's a fragile tension   
That's keeping us going   
It may not last forever   
But always is flowing   
   
It's something magical in the air   
Something so tragic we have to care   
   
There's a strange obsession   
It\'s drawing us nearer   
We don't understand it   
It never gets clearer   
   
It's something mystical in our dreams   
It's so simplistic it kicks and screams   
   
Oh well, we'll seem to reek   
On the edge of collapse   
Nothing can keep us down   
   
There's a dizzying feeling   
That's keeping us flying   
Through glittering gauntlet   
Without even trying   
   
It's something radical in our hands   
But nothing logical to our plans
   

Fragile Tension - Depeche Mode
álbum Sounds of The Universe [2009]

terça-feira, 16 de março de 2010

Muita coisa aconteceu desde a última vez em que postei aqui no meu blog. De fato, se eu fosse contar em detalhes tudo o que me ocorreu, creio que ficaria demasiado enorme. Então vou resumir e dar destaque nos fatos mais importantes. No início de fevereiro recebi um telefonema de minha irmã solicitando minha presença urgente no Rio de Janeiro, afim de resolver a situação de minha mãe. Por um lado, fiquei muito feliz, pois depois de 20 anos eu iria rever minha irmã Zelia e meus sobrinhos Wesley e Hemilly, que não via há uns 20 anos. Entretanto, a viagem não seria a passeio. Eu estava realmente indo resolver problemas familiares. E quando cheguei no Rio de Janeiro, praticamente 2 dias antes do Carnaval, eu já sabia mais ou menos o que me esperava na cidade maravilhosa Rio 50º.
Fui colocado em um teste difícil pelo destino e tive diversos momentos de falha e vacilo. Tudo aquilo que eu havia conseguido dominar e encarcerar dentro de mim - impaciência, nervosismo, raiva - simplesmente se soltaram e fizeram um pequeno cotidiano infernal nos poucos dias em que estive no Rio. Abriram minha caixa de pandora à força e soltaram tudo aquilo que demorei anos para prender. Na verdade, apenas uma pessoa conseguiu esse feito, e não convem aqui eu dizer realmente quem foi, provavelmente mais adiante em minha vida eu me sinta mais à vontade para dizer abertamente a pessoa culpada por tal feito.
E lá estava eu, revendo novamente cenas do passado, discussões, brigas, desentendimentos. Nunca gostei de nada disso, são traumas de infancia, e eu aprendi que sempre odiei comportamentos arrogantes, discussões desnecessárias, e cresci entendendo que a diplomacia, o diálogo e a conversa franca são as melhores armas para se garantir uma convivência harmoniosa e sincera. Minha familia nunca soube o significado de nada disso. Nunca.
Mas nessa minha viagem prefiro lembrar dos momentos mais alegres, descontraídos, risonhos. Minha irmã querida que sempre continua a mesma batalhadora de sempre, sempre rindo do que falo e do que faço. Sentia tanta falta disso e ainda mais agora, depois que a reencontrei, sinto mais ainda, já que tive que retornar para Bahia. E meus sobrinhos, meus sobrinhos incríveis, sempre com uma disposição fabulosa debaixo daquele sol carioca que parece estar derretendo nosso cérebro e nossos pensamentos. Wesley sempre brincalhão, queimadíssimo de sol e cabelo pintado de loiro. E minha sobrinha Hemilly, agora casada e já mãe do pequeno Yuri. Saudades de todos. Também reencontrei meu irmão Miro e conheci sua mulher Priscila.  Além de meus irmãos, reencontrei também Elizângela, uma grande pessoa especial em minha vida, que ainda não aprendi a dar o devido valor que ela merece, mas que tenho certeza aprenderei com o tempo.Todos batalhadores, correndo sempre em busca de uma vida sempre melhor e livre de problemas. Eu também sempre busco isso para minha vida.
Foram dias ambiguos, paradoxos, onde eu me sentia bem por rever meus irmãos e sobrinhos, mas estressado e tenso por ter que resolver uma questão de ordem familiar. Dias quentes, abafados, intensos. Mas afinal, valeu a pena, até porque minha alma nunca foi pequena. Combinei com minha irmã, e estou programando um retorno em breve, em junho deste ano ainda. Estou ansioso e muito feliz, pois sei que essa próxima viagem será muito melhor, sem tensão, sem stress, sem brigas e discussões.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010


É verdade que à medida que o mundo evolui e os anos vão passando, o tempo estranhamente vai ficando mais rápido, as horas, os dias, os meses vão passando numa velocidade que deixam a sensação de torpor e perda dos sentidos? Ninguém pode provar isso, mas que todos percebem isso claramente, não tem como negar. 2009 se foi e aqui estamos, respirando uma data puramente binária. O que aconteceu ontem serve apenas para alimentar o caldeirão de lembranças que fica cozinhando em banho-maria. Hoje é uma data mundialmente dopante, o mundo dá um breve descanso, pegando folêgo para reiniciar a jornada e lá adiante sentir novamente a sensação descrita inicialmente neste parágrafo.
Todas essas datas simbólicas apenas refletem a necessidade humana de estabelecer fronteiras temporais onde elas possam determinadas inícios e finais, estipular marcos zero para tentar recomeçar de uma nova maneira aquilo que possa ter dado errado pelo caminho passado, ou iniciar novas metas e seguir adiante com propósitos bem delineados. Tudo simbólico, planejado para dar a sensação de que estamos com tudo sob controle, quando na verdade não estamos. Quem detem o controle de tudo é o Tempo. É evidente que, independente de festejarmos datas importantes ou não, o tempo nos atropela, passa sem pedir licença. O sol se põe e nasce todo dia, em seu ciclo infinito e maior que nossas míseras horas, meses e anos. Tudo no Universo é regido pela infinitude e imensidão que não podemos realmente medir de maneira alguma. Enquanto isso, estamos aqui nesse mundo, regido pelo Tempo cujo Ano Zero foi estabelecido pelo homem em um dia qualquer há 2010 anos atrás. Estranho isso. Estranho porque poderíamos estar comemorando agora qualquer outra data, fosse 2010, 2079, 3156, não importa. Tudo é meramente simbólico, estabelecido apenas para que o homem não sinta perdido sem qualquer tipo de planejamento, horários, datas, metas.
Já eu tenho uma maneira diferente de ver o Tempo, o meu Tempo. Não baseio meus inícios, meios e fins através de datas do nosso calendário. Costumo demarcar inícios e finais de eras em minha vida através de momentos importantes para mim, através de projetos iniciados e que deram certo, através de amizades que conheci e que me marcaram a ponto de serem eternas dentro de mim, através de um beijo, um abraço, uma palavra dita que me comove, me faz ir às nuvens. É dessa forma que eu consigo enxergar meus inícios e finais, e não através de datas fixas no calendário. Sinceramente, ontem foi para mim um dia como outro qualquer, assim como hoje. E se daqui a uma semana, ou um mês ocorrer algo grandioso, extraordinário, maravilhoso e incrível acontecer em minha vida, eu saberei que o meu ano, o meu próprio calendário teve início nesse momento, o fim de um ciclo e o início de um outro, que com certeza irá me reservar sempre grandes surpresas. E que todos tenham um feliz dia binário.

sábado, 19 de dezembro de 2009


Quase 1 mês sem lançar meus pensamento e considerações por aqui. Essas últimas 4 semanas foram bastante movimentadas para mim, em se tratando de trabalho profissional. Finalizei a edição de dezembro da Revista Folha da Praia, que teve incríveis 80 páginas, com capa promovendo o Reveillon do Batuba Beach. Outra revista que finalizei e entreguei ao cliente foi a Shopping News 2010, que deve sair somente no início do ano que vem. Essa realmente eu devo dizer que fiquei muito feliz em terminar, afinal, foi um desafio ter que fazê-la, pelo fato do cliente ser incrivelmente chato e estressado. Uma surpresa para mim foi ter sido procurado para finalizar a Revista Informa Fácil, de Itacaré. O cliente havia me procurado há 1 mês atrás, e depois de acertar valores e decidir como seria feito o serviço, ele voltou atrás e decidiu fazer ele mesmo a edição. Entretanto, semana passada ele me procurou novamente, um tanto quanto desesperado para que eu finalizasse o quanto antes a revista dele, pois ele havia fechado com diversos anunciantes para a edição de Natal, e estava ficando com prazo curtíssimo para lançar a edição de dezembro. Depois de feito, ele elogiou meu serviço e disse que continuaria a trabalhar comigo. Mais um cliente satisfeito.
Profissionalmente, tudo caminha perfeitamente bem. Serviços aparecendo, elogios dos clientes e sendo bem indicado na área para realizer os trabalhos. A tendência é melhorar, sem continuar nesse ritmo. Entretanto, meus projetos mais importantes e primordiais estão ficando de stand by, o que me incomoda e muito. Continuo escrevendo, e tenho livros para lançar. Procuro apoios, ajuda na assessoria para divulgar minhas obras, mas parece que nada quer acontecer, nada contribui para que meus projetos sigam adiante e rendam resultados positivos. Pessoas surgem com boas intenções e atitudes solícitas. Mas como dizem, de boas intenções o inferno está infestado. E tenho minhas desconfianças silenciosas, o que me deixa com a impressão de que as pessoas falam apenas para deixar transparecer a imagem de prestativas e solidárias. Ou seja, discursos lindos mas atitudes vazias. Minha agonia real reside justamente no fato de não realizar meus melhores projetos, minhas mais fabulosas idéias. Meu medo maior, que consome boa parte de meus pensamentos mais intensos. Luto constantemente para mudar isso. Não quero ver meus projetos mofarem, sucumbindo ao tempo e a inércia daqueles que poderiam me ajudar realmente a torná-los reais. Sinto que travo uma batalha solitária e desigual, onde prefiro superar a tudo e a todos, inclusive a mim mesmo, para que tudo aquilo em que acredito possa se transformar definitivamente nas minhas mais gratificantes realizações. A minha Resistência é formada apenas por mim mesmo e pela força constante em derrubar todos os obstáculos que surgirem na minha frente.
Diante de tudo isso, estou guardando em meu peito certezas luminosas e incríveis, essas certezas que me fazem rir sozinho, sorrir enquanto caminho pela rua, ou que me conforta quando vou me deitar. Certezas sobre amizades e companheirismos, irmandades e sentimentos. Minha grande riqueza que busco ao máximo cultivar da melhor maneira possível, da forma mais positiva que eu puder conseguir, sendo sincero, sendo verdadeiro, sem medo de dizer o quanto gostamos das amizades, dos afilhados e dos irmãos que ganhamos pela nossa vida.
Queria finalizar meu texto com versos poéticos, como sempre costumo fazer, e somente agora é que me dei conta de que creio ter perdido um poema que eu tinha começado a escrever recentemente, se não me engano, na semana passada ou retrasada. Lembro que seu título era Azul e Preto. Ficarei devendo a poesia, pois se eu a perdi, terei que encontrar novamente a inspiração para trazê-la de volta. Agora, se me dão licença, vou ouvir o novo trabalho da banda Muse, o álbum "The Resistance" [não há melhor título para boa parte desse texto que escrevi]. Vestígios de mim poderão se encontrados no meu twitter.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009


Ultimamente tenho percebido algo pertinente à minha pessoa. É essa constante sensação de lançar projetos que em determinados momentos se perdem pelo caminho, ou ficam incompletos, faltando algum tipo de finalização. Não sei dizer ao certo se tem algo a ver comigo mesmo, como se eu não tivesse o impulso necessário para atingir o alvo escolhido, ou simplesmente falta-me o ânimo e vigor correspondente ao sonho almejado. E depois que percebi isso, comecei a sentir ansiedade por tentar e tentar sempre levar adiante algum projeto ou sonho meu e de repente constatar que posso não alcançar o fim estabelecido para cada um deles. Preciso realmente buscar corrigir esse erro, pois o considero como uma falha minha. Não sei se deva ser associado ao fato de que, em alguns momentos, planejo coisas e por falta de tempo ou disponibilidade, ou até mesmo por dispersão momentânea, não sigo adiante e a finalizo. Enfim, pelo menos estou enxergando essa possível falha em minha pessoa, e quero planejar de fato anular completamente seus efeitos nocivos em mim.
Enquanto isso, minha família se reúne no Rio de Janeiro para um reencontro depois de muito tempo afastados. Minha mãe viajou para o Rio afim de rever os filhos distantes que não via há mais de 15 anos. Depois da viagem, recebi notícias de que tudo correu bem e que ela está se sentindo muito bem tratada na casa de meus irmãos. Fico feliz por isso, apesar de não estar nem um pouco disposto a reencontrar minha família. Não tenho afinidade nenhuma com nenhum de meus irmãos. Apenas minha irmã, a quem tenho um carinho enorme e uma saudade imensa, seria a pessoa que tenho vontade de reencontrar. No mais, tenho ótimos amigos, dois incríveis afilhados e, mais recentemente, ganhei um irmão mais novo fantástico, um irmãozinho mineiro. São essas pessoas que tornam minha vida fabulosamente mais alegre e desafiadora.
Novidades não tenho muitas, mas as que tenho são interessantes. No final de outubro assisti ao show ao vivo do U2 pelo Youtube. Foi a primeira transmissão ao vivo de um show musical na íntegra feita pelo Youtube. A apresentação do U2 foi no Pasadena Rose Bowl Stadium, Califórnia, e durou quase 3 horas. Foi uma experiência diferente e fantástica. Semana passada assisti ao filme 2012, incrivelmente catastrófico. Já comentei isso em meu twitter e repito aqui: nunca vi tanta água e destruição em toda a minha vida cinematográfica. Nem o Cristo Redentor se salvou na história do filme, onde o mundo está literalmente se acabando.
E em se tratando de seriados, descobri a série Lie To Me, exibida pelo canal FOX, e depois que assisti ao primeiro episódio, não parei mais. Apesar de ter assistido, de início, somente o episódio 1, decidi finalmente baixar toda a 1ª temporada e acompanhar a história do Dr. Cal Lightman [foto acima], um pesquisador que se especializa em detectar mentiras, e é capaz de discernir o que é verdade ou não, apenas pelas expressões faciais, vocais e corporais. A série já está em sua 2ª temporada, e estou terminando de assistir a primeira para seguir adiante. Atualmente, é uma das séries que mais tenho recomendado para todos que conheço. Aproveitando que estou falando sobre séries, recomendo outra: Skins, um drama britânico do canal de TV e4 que já está em sua 3ª temporada e que conta a história de um grupo de amigos entre 16 e 18 anos, que vivem em Bristol, em meio a baladas pesadas, encrencas de amizades, conflitos próprios da idade, discussão sobre problemas familiares, sexo e drogas sem meias palavras. A série conta com a participação de Nicholas Hoult [famoso papel no cinema, como protagonista do filme Um Grande Garoto, ao lado de Hugh Grant]. No Brasil, a série é transmitida pelo canal VH1. Para a garotada de hoje, muito melhor do que perder seu tempo assistindo Malhação.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009


A vida sempre nos reserva mistérios os quais nos envolvemos de tal maneira que ficamos a buscar respostas e esclarecimentos, caso contrário ficaremos submersos naquele quebra-cabeça com respostas pela metade ou argumentações inconclusivas. Eu sei que a vida, diariamente e mansamente, me envia sinais, recados, avisos, me indicando o caminho mais certo e correto a seguir, aquele caminho cujos passos me darão a sensação de realização plena, de felicidade pelos meus pensamentos, meus atos, minhas ações mais sinceras e silenciosas. Hoje assisti a um documentário na HBO, e enquanto eu assistia, emoções diversas inundavam meus pensamentos. Fui sentindo tanta coisa dentro de mim, que o ambiente de minha casa pareceu ficar do tamanho de minha mão. Sentia tristeza e comoção pelo sofrimento dos pais diante do filho que trazia dentro de si um transtorno bipolar, que o fazia pular da alegria mais extrema em estar vivendo para a depressão mais profunda e perigosa, inserindo em sua jovem mente até a idéia de suicídio. A impotência tomou conta de mim quando eu percebia que, mesmo sabendo de minhas possibilidades e meus potenciais como pessoa para ajudar aos outros e principalmente aos meus amigos, ainda haviam pessoas, jovens que precisavam de uma amizade muito mais forte do que a morte pode parecer aos seus olhos.
Eu sempre tenho a certeza dentro de mim de que as amizades verdadeiras, quando bem plantadas, desenvolvidas e cultivadas, podem superar tudo nessa vida, todos os males, todas os vícios, todas as ignorâncias, todos os sofrimentos, todas as maldades. E enquanto eu assistia o documentário, enxergava o sofrimento dos pais, e principalmente do pai do jovem Evan Perry, presenciando a trajetória dolorosa de seu filho, que enxergava somente na morte única saída contra a sua doença. Em determinado trecho do documentário criado pela mãe, Danna Perry [na foto acima com Evan] afirmava que aos 7 anos, seu filho agia como se fosse um adolescente de 15 anos, com mudanças extremas de humor, pensamentos inconstantes e idéias mórbidas sobre a vida, sobre as pessoas, e sobre ele mesmo. E perguntas saltaram em minha mente, enquanto eu me sentia uma pessoa impotente por saber que pessoas sofrem silenciosamente, e nem nos damos conta: o que se passou na cabeça de Evan, aos 15 anos, ao escrever sua derradeira carta suicida em seu laptop e logo em seguida tirar a própria vida, pulando da janela de seu quarto? Imaginar os pensamentos de um jovem que simplesmente foi engolido por problemas terríveis e angústias aparentemente insolucionáveis pouco antes de sua morte é um desafio forte, muito forte. E diante de tantas perguntas cujas respostas parecem não estar nesse mundo, a única certeza que posso trazer para esse texto que escrevo é a que vai em meu coração: o que eu sempre faço pelos meus amigos verdadeiros, eu poderia ter feito pelo Evan, pela família dele, pela mãe dele, pelo pai dele, pelos irmãos dele. Ser amigo, dar conselhos, orientar, estender a mão, o ombro amigo nos momentos mais difíceis, estar presente nos momentos mais complicados e negros, ser a luz, a direção, ser amigo. É como eu disse para meu amigo Inochi no msn: parece que só eu tenho o "dom" de enxergar tudo aquilo de mais importante e imprescindível na vida e que todos neste mundo aparentemente esqueceram de ver, ou não conseguem mais sentir.

Documentário: Boy Interrupted
EUA, 2008, 98 min.
Produção e direção:
Danna Perry
HBO Documentary Films

domingo, 18 de outubro de 2009


A vida costuma algumas raras vezes me trazer surpresas magníficas que me deixam pleno de felicidade. Eu sei que não é todo dia que você é invadido de repente e de forma inesperada por uma sensação que mantêm teu espírito acima das nuvens. E quando isso acontece na vida da gente, a impressão que se tem é a de que fomos agraciados e escolhidos para viver tudo aquilo o que a vida pode nos oferecer de melhor. Eu me sinto assim hoje, atualmente, ganhando amizades incríveis e verdadeiras, daquelas que te fazem ter a certeza de que você é a pessoa mais rica do mundo, acumulando uma riqueza de valor irreal. O destino é incrível e surpreendente. Tenho amigos fabulosos, dois afilhados fantásticos, e agora acabei de ganhar uma amizade que praticamente se tornou parte essencial de minha existência. Um amigo fabulosoe também meu irmão mais novo, que me cativou, me encantou pela sua sinceridade, sua gentileza, sua amizade pura, seu companheirismo fiel, sua presença sempre marcante. Cativamos, e realmente somos responsáveis pelos amigos que cativamos. E com o passar do tempo, a amizade se transforma em algo maior, mais presente, e se torna sentimento de irmãos.
Criamos laços com pessoas que se tornam mais irmãos do que os próprios irmãos de sangue que possamos ter. É como se a gente se conhecesse há muito, muito mais tempo do que poderíamos definir, uma amizade que ultrapassa os séculos, quebra a barreira das distâncias e nos ensina que o mais importante da vida é saber sentir, aprender a viver e não ter receio em mostrar o quanto você gosta das pessoas que são muito especiais para você.
A vida decidiu me dar mais um presente incrível, uma amizade marcante e que nunca mais esquecerei, um laço de companheirismo que se transformou em um irmão caçula sempre presente. Meu maninho José Sallum [ou poplolxd14, nick usado por ele no Cabal Online, onde realmente nos conhecemos] me conheceu pela determinação e pela persistência que trazia dentro de si, em acreditar na amizade que ele conquistaria pela força de vontade. Não desistiu e foi recompensado, e hoje somos mais unidos do que nunca, pela afinidade e simpatia que cativou um ao outro. Algo que não se consegue explicar precisamente com palavras. É algo que simplesmente acontece, a conexão de amizade, a simpatia mútua, o respeito, o companheirismo, a saudade constante, a certeza de que nem a distância e nem o tempo serão obstáculos para continuarmos sendo irmãos. Podemos não ser irmãos de sangue, mas somos irmãos de espírito, e trazemos essa certeza dentro de nós. Eu costumo deixar gravado em meu blog tudo aquilo que me toca profundamente o coração e o espírito de alguma forma, tudo aquilo que é realmente importante para mim. Logo, nunca eu poderia deixar passar em branco essa amizade que ganhei, esse irmão que ganhei, além da amizade fantástica de seus pais incríveis. E eu posso dizer pra você, maninho, com plena certeza de que deixamos o destino agir e guiar nossos coração, tivemos fé em tudo que acreditamos, e hoje vemos sempre as nossas pegadas sobre a areia fina.

Voce tem sido um bom amigo
Ha muito tempo esta comigo
Os amigos sempre vão e voltam
É sempre assim
Nao importa quanto tempo
Estaremos juntos
Pode crer
De agora pra frente
Nos vamos ficar
Nada vai nos separar
Eu tenho certeza
E vou te falar
Um amigo eu encontrei
Não te deixarei
Com voce eu quero sempre estar
Sempre juntos caminhar
Pra onde nao importará
Viver o poder que nos faz
Amar e assim
Juntos pra sempre viver
Eu pra voce, voce pra mim.


versos escritos pelo meu
mano caçula José Sallum / Pop

quarta-feira, 23 de setembro de 2009


Incrível essa minha capacidade de brincar com as palavras mesmo sem sentir que estou brincando com elas. Hoje me ocorreu algo semelhante, e nunca me passou pela cabeça olhar atentamente a poesia que tinha feito diante de mim. Hoje resolvi ouvir U2 no volume máximo. Então fui escolhendo aleatoriamente as músicas que mais me arrepiam a alma. Fui compondo meu "set list" para escutar enquanto trabalhava. Então, lá pela 3ª música, parei para olhar de fato a lista de músicas escolhidas, e elas me revelaram uma poesia para mim. É um verdadeiro achado lírico, poético e fabuloso. Construí esse meu poema baseado na lista de músicas que decidi ouvir hoje. Senti-me plenamente enlevado, tanto pelas músicas que escutava quanto pela poesia que havia "acabado de reconstruir". É fácil como consigo enxergar poesia em tudo, até mesmo numa lista de músicas que escuto. Reconstruí e transformei o que estava diante de mim, e tive a sensação de que o poema esteve sempre ali, latente, pulsando, pedindo para ser desvendado, descriptografado, destruído e reconstruído. Senti realmente que foi uma sangria inevitável e continuada de lirismo, impregnada não apenas nas canções que eu escutava, mas também nos títulos das músicas e na forma como elas se apresentaram aos meus olhos de poeta. As palavras dos versos que estão em negrito são as palavras que inseri entre os títulos para dar sentido à construção das frases.

Amo você também

Amor perpétuo é
A origem da minha espécie

daqui a pouco estarei
encarando o sol

papai irá pagar pelo seu carro batido
até o fim do mundo

Cidade da Colina Vermelha
Mau caminho

Levante-se, isto é hilário
Eu Vou Ficar Louco Se Eu Não Enlouquecer Esta Noite

Continue em frente pois
Alguns dias são melhores que outros

Caminhos misteriosos até
A chama inesquecível

Você se sente amado?
Magnífico
porque eu amo você também.

por Ulisses Góes, baseado em títulos de
canções da banda irlandesa U2.
 
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