sexta-feira, 20 de junho de 2008


Este final de semana que passou foi marcado pela descontração de um Encontro de jogadores de um MMORPG online que curto muito e jogo. Sábado, dia 14 de junho, aconteceu o 2º Encontro Oficial de Jogadores de Cabal Online, na Cyber Lan House, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. Fomos eu e meu afilhado, e a viagem foi uma diversão animada. Foi novidade para meu afilhado, que não conhecia ainda a capital baiana, e para nós dois foi a chance de conhecermos nossos amigos vituais, a Fatally, Hiro, DiegoMaia. E claro, conhecer nosso amigo Sullivan, da Gamemaxx, empresa que administra o Cabal Online aqui no Brasil, e o [GM]Jack, uma grande figura que animou muito o evento.
A gente planejava até retornar no mesmo dia para Itabuna, mas não havia ônibus saindo naquela noite de sábado com destino à nossa cidade. Então eu e meu afilhado tivemos que passar a noite em Camaçari, cidade que fica a 40 minutos de Salvador, na casa de nosso amigo Hiro. Aproveitamos a oportunidade e conhecemos também Navarro, o pai da Fatally, e também o irmão dela, Renegado.
Sempre curto muito esses momentos onde podemos sair de nossa rotina diária, e buscarmos uma aventura extra, saindo dos limites de nossas próprias fronteiras pessoais. Adoro viagens, curto muito viajar de ônibus e conhecer outras cidades, conhecer os amigos que temos distantes. O Evento foi um sucesso completo, nos divertimos bastante, fizemos mais amizades, aproveitamos ao máximo todo o final de semana, apesar da viagem ter sido um pouco cansativa, principalmente na volta pra casa. No final, valeu todo o esforço, toda a união dos amigos da guild, toda a nossa organização e empenho para o sucesso do evento. Ah, e valeu também pelos deliciosos pães de queijo que saboreamos junto com Fatally na casa de Hiro.

terça-feira, 15 de abril de 2008















Quando chegou aqui, todos pensavam se tratar de uma linda gatinha. Até meu afilhado se confundiu, e te batizou de Luppi-chan. O tempo foi passando, e percebemos que você era um felino macho. E um felino bastante brincalhão e alegre. Corria, pulava, e demonstrava toda sua alegria quando estávamos juntos. Tinha seus próprios esconderijos, como aquele que você mais gostava, dentro do sofá, que tinha um parte descosturada atrás, que era por onde você entrava. Adorava bolinhas de papel e pedaços de garrafas pet de refrigerantes, brinquedos que faziam sua festa constante. Adorava biscoitos triturados, pedacinhos de pães, leite e tudo o mais delicioso que nós tívessemos à mão para te oferecer. Sua ração predileta era de sabor peixe, carne e legumes. era muito observador, principalmente quando estávamos almoçando ou jantando, e isso tirava meu afilhado do sério. Tinha seu lugar predileto no outro sofá, onde sempre ia tirar uma soneca boa, se estirando todo e fazendo as mais diversas poses para dormir. Gostava de viver perigosamente dentro de nossa casa: desafiava o ventilador, pulou uma vez em cima da gaiola de Ana Luisa [coitada, tremeu de medo quando te viu ameaçador], andava pelos vãos das paredes que dividem os cômodos de nossa casa. Corria atrás de Thalles até ficar sem fôlego, e se largar no chão, completamente exausto.
E era sorrateiro, sempre de tocaia, esperando a gente passar para dar um bote certo em nossas pernas. Adorava dormir ao lado de Gordon Freeman [o nosso PC], sempre naquele aperto aconchegante. Era carinhoso, adorava deitar em nosso colo e demonstrar todo o seu carinho por nós. E não se desgrudava em nenhum momento da gente. Podia estar largado de sono, mas ao nos ver ir em direção do quarto, da sala ou da cozinha, levanta-se e nos seguia, curioso, carinhoso, atencioso, observador. Para mim, era o meu "negão descarado sem vergonha relento safado rueiro". Para Thalles, era o "gatinho mô véi". Sua vida foi extremamente curta, mas nesse curto espaço de tempo, viveu tudo da sua maneira, da melhor forma que podia, sempre alegre, brincalhão, pertubado e descontraído. Hoje, você está fazendo falta, a casa está vazia. Mas não se preocupe, a gente sempre vai se lembrar de você, assim como eu sei que você, onde quer que você esteja, guardará lembranças nossas. O nosso gatinho branco.

sexta-feira, 11 de abril de 2008













Que coisa mais linda e intimista, suave e delicada acabei descobrindo hoje. Eu já tinha lido em algum lugar na internet que a vocalista Fernanda Takai, da banda Pato Fu, havia feito releituras sonoras refrescantes de canções da saudosa musa da Bossa Nova, Nara Leão. Porém, somente agora é que acabei me deparando com essa pérola de álbum, surpreendente e renovador, elegante, discretamente inteligente. Sou fã há muito tempo da banda mineira, e a voz de Fernandinha, bem como inúmeras músicas do Pato Fu, já foram trilhas sonoras de milhares de momentos de minha humilde e singela vida. Sou tão fã dessa banda, que em jogos online [outra paixão minha] eu utilizo o nome da banda como nick [ou nome do personagem no jogo, para os leigos de plantão]. E essa identidade virtual, algumas vezes, já me deu um nó em meu juízo, pois já me peguei pensando realmente quem sou na realidade: seria eu o poeta e escritor Ulisses Góes, ou o jogador conhecido pela "alcunha" de Patofu? Muitos artistas, por conta da fama estratosférica para a qual suas vidas foram sugadas, acabam incorporando o nome artístico ao nome de batismo registrado em cartório. E eu já imaginei algumas vezes assinando como Ulisses "Patofu" Góes, como eu mesmo tenho feito por diversas vezes em comunidades no orkut.
E para prender esse meu texto escrito nessa madrugada de 11 de abril, e não deixar nenhum ponto sem nó, já que falei em orkut, foi justamente depois de ver Fernandinha sendo entrevistada por Jô Soares e divulgando seu primeiro álbum-solo que eu fui no orkut catar esse inesperado álbum intitulado Onde Brilhem Os Olhos Seus. E como eu disse no início, que coisa mais linda e intimista, suave e delicada. Vocês estão ouvindo? É Fernanda Takai, que Pedro Alexandre Sanches, em seu blog, carinhosamente chama de a japonesinha da família paterna Takai, a indiazinha amazonense, a brasileirinha de pop-rock gringo-mineiro do Pato Fu. Arigatô Gozai Masta, Fernanda.

segunda-feira, 24 de março de 2008

O mundo está doente e os noticiários não são nada agradáveis. As imagens nos pertubam, e as informações nos intimidam. Cada vez mais doente, cada vez mais violento, cada vez mais perigoso, o mundo oscila como a chama de uma vela no soprar de ventos frios. O Rio de Janeiro mergulha numa epidemia de dengue, Os Estados Unidos anunciam uma possível recessão econômica, a China se envolve em conflitos com os monges tibetanos, crianças cada vez mais novas se envolvem com drogas e prostituição, e cada vez mais falcatruas e corrupções são descobertas e desarticuladas. Para falar a verdade, eu não me sinto abalado com todas essas notícias. Apenas me sinto incomodado em estar vivenciando claramente um período da história da Humanidade onde o inferno está em fase de acabamento aqui, entre nós.
Lógico, quando nos sentimos intimidados dessa forma pelo mundo ao nosso redor, a primeira coisa que tentamos fazer é sermos otimistas e pensar que tudo poderá ser resolvido, poderá ser solucionado. E mais, buscar mostrar a si mesmo que o mundo não é feito apenas de infernos em vários níveis. Existe o nascer e o pôr do sol, existem as amizades, existem músicas que te envolvem e tornar seus dias mais suportáveis. Existem as coisas as quais você gosta muito e que você procura se apegar, criando seu próprio mundo de valores, condutas, momentos, sonhos, objetivos, imagens e sons. É o seu abrigo que o protege contra o mundo lá fora, que está sendo destruido gradativamente, alienado constantemente, queimado, poluído, assassinado, estuprado, atropelado,incendiado.
Esses últimos dias tive a grata satisfação de me deparar com vários álbuns da banda californiana Cake. Eu já havia baixado um álbum deles há alguns meses atrás, Pressure Chief, e fiquei ouvindo durante vários dias a música Guitar Man. Dessa vez, baixei na internet toda a discografia deles, inclusive um álbum ao vivo, Cake - Live At The House Of Blues [2003], e passei esses dias purificando meu espírito com suas músicas leves e bem humoradas, com pitadas de funk, ska, pop, jazz, rap e country e letras irônicas. Comfort Eagle, Short Skirt/Long Jacket, Commissioning a Symphony in C, Love You Madly, e diversas outras pérolas de Cake iluminaram meus dias, marcados por notícias pertubadoras e insistentes. E eu, como sempre, impelido por uma força íntima e poderosa, lapido em forma de palavras minhas profundas impressões sobre esse mundo fora de órbita e em rota de colisão com seu próprio inferno.

Uma Sinfonia em C

Eles estão erguendo religiões e construindo líderes
Eles estão criando conspirações e comissões de inquéritos
Intrépidos e inquietos os seus pés de fogo em espirais de fumaça
Estão traficando sua liberdade e comendo suas crianças
Estão trancafiando sua sanidade em filas febris e doentes

Eles estão queimando suas esperanças com madeira de lei
Estão sufocando sua gargante com violência gratuita
Estão matando em ligações por celulares
Canibalizando o que resta de suas virtudes escondidas
Exterminando sua racionalidade com sete balas

Eles estão fazendo esse mundo oscilar numa dança
de cadávares nas pistas e corpos desovados
Estão plantando terrorismo em vasos de estrume e sangue
Estão poluindo seu café da manhã e fumando seu almoço
Estão drogando suas inocências e cancelando seus vôos

Eles estão congestionando suas vias e atrasando seus objetivos
obstruindo suas conexões e desprezando seus princípios
Enterrando suas resistências e afogando suas conquistas
E você, depois de lavar suas mãos, olha para o espelho sorrindo
enquanto assobia uma bela e destoante sinfonia em C.


Ulisses Góes, outono de 2008

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Há algum tempo atrás eu escrevi um conto onde o personagem principal estava em conflito intenso com o mundo à sua volta. No decorrer da história, descobria-se que ele era um sequestrador que mantinha um jovem refém em seu poder no meio de uma rodovia deserta. Entretanto, ele, o sequestrador, tinha a estranha sensação de que estava sendo constantemente observado por centenas de olhares curiosos e atentos, e em determinados momentos, tinha quase certeza de estar ouvindo vozes em sussurros ao seu redor. Depois de dirigir um maverick por uma rodovia secundária estadual, ele podia achar natural que estivesse cansado, exausto e, por isso mesmo, poderia estar tendo surtos estranhos e momentâneos, resultado do stress da situação na qual estava envolvido: um sequestro. Porém, as sensações tornavam-se cada vez mais claras e insistentes, intermitentes, nervosas e constantes.
Na época, eu estava escrevendo diversos contos, e experimentava um pouco de uma prosa nervosa e cinematográfica. Situações intensas, rápidas, dolorosamente poéticas. Nesse conto do sequestrador, eu sabia, a princípio, o que se passava com ele. Imagine então que você é o sequestrador. E se, de repente, no meio de sua vida, justo quando você está vivendo uma situação pertubadora, você começasse a perceber que era um personagem fictício de um filme? Qual seria realmente sua reação? Não cheguei a terminar este conto, mas a idéia ficou em meu íntimo, guardada, esperando sempre o momento de ser finalizada.
Então, recentemente, descobri um fabuloso seriado na HBO chamado Life On Mars, que relata a história de um policial britânico que sofre um acidente nos dias atuais, e repentinamente acorda nos anos 70, mais precisamente no ano de 1973. Ele fica confuso, pertubado a princípio, tentando entender o que está acontecendo com ele. E aos poucos, no decorrer dos episódios do citado seriado, ele vai descobrindo que pode estar em coma, em decorrência do acidente sofrido. Porém, tudo é tão confuso e aparentemente tão real, que ele tem a sensação de ter voltado no tempo e acordado naquela época em específico.
Não tive dúvidas. Primeiro, lembrei rapidamente de meu conto escrito há tempos atrás, e que tem uma semelhança contextual de confusão do personagem com o universo no qual ele está inserido. Logo em seguida, eu já tinha certeza de que tinha gostado, e muito, do seriado. É o tipo de história que me fascina, esse mistério criativo e original de contar uma história buscando novas diretrizes para o enredo. utilizar a situação do acidente e do Coma vivido pelo personagem para inserir toda uma possibilidade de histórias é realmente formidável. A propósito, o título do seriado faz alusão à uma música de David Bowie, "Life On Mars", de 1973, que tocava na rádio no momento em que o personagem Sam sofre o acidente. Nada mais original e insólito do que essa licença poética e referência musical. É um dos seriados lançados recentemente pela HBO que eu realmente recomendo a todos, para fugir um pouco da obviedade dos grandes seriados [24 Horas, Smallville, Lost, Heroes] mais vistos na TV atualmente.
Enquanto isso, o personagem do meu conto continua ainda sem saber como sua própria história termina. Quem sabe eu ainda termine ela por esses dias.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Não se sinta sufocado com a profusão de idéias, nem se deixe intimidar com a sensação de falta de ar ao tentar buscar oxigênio ao seu redor. O recinto pode até parecer diminuto, mas os pensamentos são imensos, apesar de parecerem submersos. Faz tempo as sirenes soaram o ensurdecedor sinal de "perigo iminente"े. Mas você, completamente afogado na sonoridade de suas mp3 de seu ipod, não escutou o chamado que o poderia salvar. Já era tarde, e não havia mais razão para colocar aquela máscara no rosto. Depois de inalar todo aquele ar impregnado de partículas poderosas, seu cérebro agora rodopiava ferozmente em um furacão de idéias. Seu sangue adrenalizado, sua cabeça produzindo todo tipo de palavra, imagem, som. Não havia mais qualquer tipo de retorno, e o processo era completamente irreversível. Você já estava contaminado. E todas as verdades do mundo estavam prestes a se descortinar completamente diante de seus olhos. E você começaria, então, a entender que não havia mais razão plausível para usar aquela máscara.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Onde está a verdadeira violência e o incentivo à luta armada entre jovens, crianças e adolescentes? Estaria aqui no Brasil, sob a forma velada e disfarçada de um jogo online, onde garotos se divertem virtualmente de mocinho e bandido? Ou estaria ela exposta abertamente nas terras do Oriente Médio, ao norte de Bagdá, pelo grupo Al-Qaeda, que treinar crianças para operações terroristas? essa pergunta poderia ser feita sem medo algum para a Justiça brasileira, principalmente para o Senhor "excelentíssimo" juiz Carlos Alberto Simões de Tomaz, 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, autor da lei polêmica que proíbe a venda dos jogos CS e Everquest aqui no Brasil.
Sinceramente, a mente humana tem uma complexidade que é dispensável em alguns casos. Chega a ser hilária e ridícula a atitude "sensata" do Sr. juiz, em querer proibir a comercialização de um jogo que, segundo ele, "trazem imanentes estímulos à subversão da ordem social, atentando contra o estado democrático e de direito e contra a segurança pública, impondo sua proibição e retirada do mercado". Ora, Sr. Juiz, faça-me o favor! Você quer algo mais subversivo do que a corrupção dos políticos brasileiros? Poderia ser jogada na cara do Sr. Juiz fatos mais aterradores e que seriam verdadeiros atentados contra o tal estado democrático e de direito e contra a segurança pública, como a miséria e a fome que passam milhares de crianças e suas famílias, sobrevivendo nas periferias e favelas, onde a verdadeira violência [essa sim] deveria ser combatida e proibida por você e toda a Justiça brasileira!
Essa justiça brasileira, e o sr. Juiz Carlos Alberto poderiam e deveriam assistir aos trechos dos vídeos apreendidos pelo comando americano no Iraque, e que foram apresentados à imprensa nesta semana. Eles mostram crianças com idades entre 10 e 15 anos empunhando armas de todos os tipos: pistolas, kalachnikovs, metralhadoras PKM. Usando camisas de futebol, elas têm seus rostos tapados por tocas negras. Em um trecho do vídeo, as crianças bloqueiam um ciclista em uma barreira e o forçam a ficar de joelhos com uma pistola apontada contra sua cabeça. Em outra parte, as crianças aprendem a se movimentar entre muros em ruínas, tomam posição em um palmeiral antes de atacar uma casa e de aprisionar seus ocupantes, sempre monitorados por homens adultos encapuzados.
Essa é a verdadeira violência que está sendo ensinada e incentivada entre crianças e adolescentes, lá no Oriente Médio. Isso, sim, deve ser combatido de maneira enérgica e decisiva por todos nós, não importa onde estejamos. Devemos mostrar nosso repúdio a esse tipo de situação proporcionada pela Al-Qaeda. E mostrar para a Justiça brasileira que ela está combatento o inimigo errado aqui no Brasil, com atitudes completamente ineficazes.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

O filme estrelado recentemente por Will Smith é emblemático. Silencioso, impactante, Eu Sou a Lenda trabalha de forma impactante a questão temerosa da Humanidade com relação a sua frágil condição sobre a face da Terra. Uma possível extinção da raça humana através de uma catástrofe de proporções gigantescas sempre rondou o nosso imaginário, e quando um filme toca nesse assunto, sempre ficamos a nos questionar e a pensar sobre isso. Temas como esses me atraem literariamente falando, e me vejo constantemente visualizando pensamentos, idéias, conjecturas, me proponho histórias e relatos fictícios. Meu livro Cacaos, ainda não publicado, é a prova definitiva do quanto esse tema sempre atual me hipnotiza e me induz a escrever sobre esse tema desafiador.
Em meu livro, um jovem retorna para sua terra natal após alguns anos vivendo nas metrópoles do sul do país. Na realidade proposta pelo meu livro, o mundo está mergulhado em uma guerra mundial que pertuba a todos, também apreensivos pela possível queda de um meteoro em nosso planeta. No meio de sua viagem de retorno, o jovem acaba sofrendo um acidente no ônibus no qual viajava. E após o acidente, ele acorda ferido, sozinho e sua última lembrança foi ter visto um clarão forte na linha do horizonte. E é justamente nesse ponto que meu livro e o filme estrelado por Will Smith se aproximam muito. Catástrofe mundial, possível extinção da raça humana, e alguém sozinho vagando em lugar deserto, buscando encontrar sinal de vida.
Esse tipo de história é fascinante, e ao mesmo tempo aterrorizante, pois sempre dá margem a diversas interpretações das situações que, a príncipio, não mostram explicações plausíveis e acabam criando uma aura de mistério e suspense, deixando no ar diversos questionamentos sobre o que realmente aconteceu e mais interrogações sobre o que futuramente poderá acontecer. E atualmente, nossa realidade está nos trazendo esses mesmos questionamentos, sempre que pensamos nos problemas que a Humanidade têm enfrentado, seja em nível ambiental ou terrorista. É como se fosse o prenúncio do fim, onde vivemos dias angustiantes, e assim permanecemos, justamente pela impossibilidade de sabermos com precisão quando seremos novamente engolidos pelas ondas de um tsunami.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

E começamos mais um ano, mais um ciclo de compromissos, de metas a serem alcançadas, objetivos a serem estabelecidos. Faz tempo eu percebi que não consigo me adaptar mais a esse esquema popularizado e universalmente seguido pela Humanidade, esse de parar em uma determinada época do ano e reavaliar suas atitudes, repensar suas idéias, reoganizar suas metas. Descobri que os inícios e os fins de meus ciclos não seguem o padrão dos ciclos seguidos pela Humanidade. Não preciso de Natal e Ano Novo para repensar minha vida e reestabelecer metas prioritárias para o próximo ano. Não preciso que um ano se inicie para que eu decida que ciclos e períodos em minha vida terminaram e outros tiveram início. Meus ciclos seguem andamentos próprios regidos por mim.
Tenho vivido dias calmos, organizados, premeditados até. Meus dias são calmos, sem pressa exagerada. Saboreio meus cafés matinais, faço minhas próprias refeições com extremo zelo. Carnes ao molho, cafés com pitadas de chocolate, pães árabes com queijo derretido. Tenho assistido TV sempre buscando mais informação e cultura. Assisto a vida dos suricatos no Animal Planet, dou risadas com os Padrinhos Mágicos e me empolgo com Avatar na Nickelodeon, vejo bons filmes na HBO, seriados de minha preferência na Warner. Não tenho dívidas preocupantes, nem compromissos comprometedores demais. Meu afilhado sempre me visita e brinca com a sua gatinha Luppichan [ainda não me acostumei com esse nome nela], branquinha e brincalhona. Minha periquita Ana Luíza [presente de outro afilhado meu] adora passar as manhãs vendo o movimento da rua da janela.
Tudo isso ocorrendo sempre dentro de meus ciclos constantes, impregnados de sentimentos, surpresas, vivências, convivências, experiências. Acho que estou aprendendo a não deixar minha vida ser regida por ciclos que nada tem a me dizer ou nada me trazem de realmente positivo. Meus ciclos são feitos por mim mesmo e começam e terminam quando eu considero que eles devam ser iniciados ou terminados, ou quando fatos e momentos importantes de minha vida determinam o início e o término dos mesmos. Por isso, não estranhe se eu te desejar um bom 2008 lá para maio ou junho. Provavelmente eu esteja terminando meus ciclos pessoais e iniciando novos.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Acordei hoje e vi o tempo em que vivemos. Pessoas dopadas por falsas verdades e absorvidas por ilusões, manipuladas por hipócritas desonestos, cujo mau caráter desconhece os próprios limites. O tempo fechou nos últimos anos, e não tende a melhorar. Não que eu esteja sendo cético ou pessimista. Mas minhas conclusões pessoais são fruto de cuidadosa observação realista. Os noticiários não mentem, os jornais não escondem mais nada, tudo o que se passa em nosso mundo é um prato cheio para a mídia, que sempre busca informações para sempre manter sua audiência no topo. O mundo se aquece, as pessoas se matam, os invejosos se corroem por dentro cada vez mais. A verdade é assim, uma navalha afiada em seu pescoço, e você não pode se mover nem um milímetro sequer, do contrário você irá sentir gosto de sangue em sua boca. Hoje em dia é matar ou morrer. E as balas perdidas têm matado muito mais ou tanto quanto as guerras no Oriente Médio. Crianças morrem em sequestros de maneira aterrorizante. os filmes hoje em dia perderam a graça e não mostram enredos mais originais do que a vida real, muito mais surpreendente e cinematográfica em seus efeitos especiais, sociais, dramáticos, violentos. Cheguei à lamentável conclusão de que somos heróis de nós mesmos, sempre buscando nos salvar a cada dia do pior e sobrevivendo diante deste mundo terrível. O sofrimento ocupa todas as páginas, e o calor penetra meus poros em dias extremamente quentes. É o aquecimento global misturado com uma rotina sufocante. Estou tentando transferir toda transpiração em meus poemas, estou suando em palavras. Estou derretendo toda minha raiva em versos. Minha poesia está nas sombras agora, por minha própria opção.

Antes da Meia-Noite

Cada dia está sendo desperdiçado
pelas desgraças e carniças nas calçadas
Este aquecimento que sufoca e prende
a escuridão envolve e me rende
Seu olhar inerte na esquina
observando a destruição iminente

Ninguém tem mais nada a dizer
aos corpos boiando após a tempestade
Seu rosto suado apenas enxerga
o sangue que marca o asfalto quente.
O hipócrita conta suas mentiras
e arrasta os inocentes para o deserto
Todos se entregam a ilusões e orações
O desespero sufoca os humildes e os idiotas
Sua cruzada é uma farsa ridícula
e você exala falsidade repugnante

Meu pior inimigo espera meu vacilo
Uma raça maldita e dissimulada tentando
me derrubar sempre no meio do jogo
Uma corja de assassinos e ladrões
fazendo meu dia se despedaçar
entre as carcaças dos mais fracos

Não espere que eu me entregue
Meu sangue não será teu troféu
Aguardo sereno nas sombras
pois seu tempo está se esgotando
Verei teu sangue entre meus dedos
e desenharei meu futuro glorioso
em vermelho escarlate
antes de sentir seu último suspiro
sendo negociado pelo diabo na esquina.

Por Ulisses Góes
 
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