sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Há algum tempo atrás eu escrevi um conto onde o personagem principal estava em conflito intenso com o mundo à sua volta. No decorrer da história, descobria-se que ele era um sequestrador que mantinha um jovem refém em seu poder no meio de uma rodovia deserta. Entretanto, ele, o sequestrador, tinha a estranha sensação de que estava sendo constantemente observado por centenas de olhares curiosos e atentos, e em determinados momentos, tinha quase certeza de estar ouvindo vozes em sussurros ao seu redor. Depois de dirigir um maverick por uma rodovia secundária estadual, ele podia achar natural que estivesse cansado, exausto e, por isso mesmo, poderia estar tendo surtos estranhos e momentâneos, resultado do stress da situação na qual estava envolvido: um sequestro. Porém, as sensações tornavam-se cada vez mais claras e insistentes, intermitentes, nervosas e constantes.
Na época, eu estava escrevendo diversos contos, e experimentava um pouco de uma prosa nervosa e cinematográfica. Situações intensas, rápidas, dolorosamente poéticas. Nesse conto do sequestrador, eu sabia, a princípio, o que se passava com ele. Imagine então que você é o sequestrador. E se, de repente, no meio de sua vida, justo quando você está vivendo uma situação pertubadora, você começasse a perceber que era um personagem fictício de um filme? Qual seria realmente sua reação? Não cheguei a terminar este conto, mas a idéia ficou em meu íntimo, guardada, esperando sempre o momento de ser finalizada.
Então, recentemente, descobri um fabuloso seriado na HBO chamado Life On Mars, que relata a história de um policial britânico que sofre um acidente nos dias atuais, e repentinamente acorda nos anos 70, mais precisamente no ano de 1973. Ele fica confuso, pertubado a princípio, tentando entender o que está acontecendo com ele. E aos poucos, no decorrer dos episódios do citado seriado, ele vai descobrindo que pode estar em coma, em decorrência do acidente sofrido. Porém, tudo é tão confuso e aparentemente tão real, que ele tem a sensação de ter voltado no tempo e acordado naquela época em específico.
Não tive dúvidas. Primeiro, lembrei rapidamente de meu conto escrito há tempos atrás, e que tem uma semelhança contextual de confusão do personagem com o universo no qual ele está inserido. Logo em seguida, eu já tinha certeza de que tinha gostado, e muito, do seriado. É o tipo de história que me fascina, esse mistério criativo e original de contar uma história buscando novas diretrizes para o enredo. utilizar a situação do acidente e do Coma vivido pelo personagem para inserir toda uma possibilidade de histórias é realmente formidável. A propósito, o título do seriado faz alusão à uma música de David Bowie, "Life On Mars", de 1973, que tocava na rádio no momento em que o personagem Sam sofre o acidente. Nada mais original e insólito do que essa licença poética e referência musical. É um dos seriados lançados recentemente pela HBO que eu realmente recomendo a todos, para fugir um pouco da obviedade dos grandes seriados [24 Horas, Smallville, Lost, Heroes] mais vistos na TV atualmente.
Enquanto isso, o personagem do meu conto continua ainda sem saber como sua própria história termina. Quem sabe eu ainda termine ela por esses dias.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Não se sinta sufocado com a profusão de idéias, nem se deixe intimidar com a sensação de falta de ar ao tentar buscar oxigênio ao seu redor. O recinto pode até parecer diminuto, mas os pensamentos são imensos, apesar de parecerem submersos. Faz tempo as sirenes soaram o ensurdecedor sinal de "perigo iminente"े. Mas você, completamente afogado na sonoridade de suas mp3 de seu ipod, não escutou o chamado que o poderia salvar. Já era tarde, e não havia mais razão para colocar aquela máscara no rosto. Depois de inalar todo aquele ar impregnado de partículas poderosas, seu cérebro agora rodopiava ferozmente em um furacão de idéias. Seu sangue adrenalizado, sua cabeça produzindo todo tipo de palavra, imagem, som. Não havia mais qualquer tipo de retorno, e o processo era completamente irreversível. Você já estava contaminado. E todas as verdades do mundo estavam prestes a se descortinar completamente diante de seus olhos. E você começaria, então, a entender que não havia mais razão plausível para usar aquela máscara.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Onde está a verdadeira violência e o incentivo à luta armada entre jovens, crianças e adolescentes? Estaria aqui no Brasil, sob a forma velada e disfarçada de um jogo online, onde garotos se divertem virtualmente de mocinho e bandido? Ou estaria ela exposta abertamente nas terras do Oriente Médio, ao norte de Bagdá, pelo grupo Al-Qaeda, que treinar crianças para operações terroristas? essa pergunta poderia ser feita sem medo algum para a Justiça brasileira, principalmente para o Senhor "excelentíssimo" juiz Carlos Alberto Simões de Tomaz, 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, autor da lei polêmica que proíbe a venda dos jogos CS e Everquest aqui no Brasil.
Sinceramente, a mente humana tem uma complexidade que é dispensável em alguns casos. Chega a ser hilária e ridícula a atitude "sensata" do Sr. juiz, em querer proibir a comercialização de um jogo que, segundo ele, "trazem imanentes estímulos à subversão da ordem social, atentando contra o estado democrático e de direito e contra a segurança pública, impondo sua proibição e retirada do mercado". Ora, Sr. Juiz, faça-me o favor! Você quer algo mais subversivo do que a corrupção dos políticos brasileiros? Poderia ser jogada na cara do Sr. Juiz fatos mais aterradores e que seriam verdadeiros atentados contra o tal estado democrático e de direito e contra a segurança pública, como a miséria e a fome que passam milhares de crianças e suas famílias, sobrevivendo nas periferias e favelas, onde a verdadeira violência [essa sim] deveria ser combatida e proibida por você e toda a Justiça brasileira!
Essa justiça brasileira, e o sr. Juiz Carlos Alberto poderiam e deveriam assistir aos trechos dos vídeos apreendidos pelo comando americano no Iraque, e que foram apresentados à imprensa nesta semana. Eles mostram crianças com idades entre 10 e 15 anos empunhando armas de todos os tipos: pistolas, kalachnikovs, metralhadoras PKM. Usando camisas de futebol, elas têm seus rostos tapados por tocas negras. Em um trecho do vídeo, as crianças bloqueiam um ciclista em uma barreira e o forçam a ficar de joelhos com uma pistola apontada contra sua cabeça. Em outra parte, as crianças aprendem a se movimentar entre muros em ruínas, tomam posição em um palmeiral antes de atacar uma casa e de aprisionar seus ocupantes, sempre monitorados por homens adultos encapuzados.
Essa é a verdadeira violência que está sendo ensinada e incentivada entre crianças e adolescentes, lá no Oriente Médio. Isso, sim, deve ser combatido de maneira enérgica e decisiva por todos nós, não importa onde estejamos. Devemos mostrar nosso repúdio a esse tipo de situação proporcionada pela Al-Qaeda. E mostrar para a Justiça brasileira que ela está combatento o inimigo errado aqui no Brasil, com atitudes completamente ineficazes.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

O filme estrelado recentemente por Will Smith é emblemático. Silencioso, impactante, Eu Sou a Lenda trabalha de forma impactante a questão temerosa da Humanidade com relação a sua frágil condição sobre a face da Terra. Uma possível extinção da raça humana através de uma catástrofe de proporções gigantescas sempre rondou o nosso imaginário, e quando um filme toca nesse assunto, sempre ficamos a nos questionar e a pensar sobre isso. Temas como esses me atraem literariamente falando, e me vejo constantemente visualizando pensamentos, idéias, conjecturas, me proponho histórias e relatos fictícios. Meu livro Cacaos, ainda não publicado, é a prova definitiva do quanto esse tema sempre atual me hipnotiza e me induz a escrever sobre esse tema desafiador.
Em meu livro, um jovem retorna para sua terra natal após alguns anos vivendo nas metrópoles do sul do país. Na realidade proposta pelo meu livro, o mundo está mergulhado em uma guerra mundial que pertuba a todos, também apreensivos pela possível queda de um meteoro em nosso planeta. No meio de sua viagem de retorno, o jovem acaba sofrendo um acidente no ônibus no qual viajava. E após o acidente, ele acorda ferido, sozinho e sua última lembrança foi ter visto um clarão forte na linha do horizonte. E é justamente nesse ponto que meu livro e o filme estrelado por Will Smith se aproximam muito. Catástrofe mundial, possível extinção da raça humana, e alguém sozinho vagando em lugar deserto, buscando encontrar sinal de vida.
Esse tipo de história é fascinante, e ao mesmo tempo aterrorizante, pois sempre dá margem a diversas interpretações das situações que, a príncipio, não mostram explicações plausíveis e acabam criando uma aura de mistério e suspense, deixando no ar diversos questionamentos sobre o que realmente aconteceu e mais interrogações sobre o que futuramente poderá acontecer. E atualmente, nossa realidade está nos trazendo esses mesmos questionamentos, sempre que pensamos nos problemas que a Humanidade têm enfrentado, seja em nível ambiental ou terrorista. É como se fosse o prenúncio do fim, onde vivemos dias angustiantes, e assim permanecemos, justamente pela impossibilidade de sabermos com precisão quando seremos novamente engolidos pelas ondas de um tsunami.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

E começamos mais um ano, mais um ciclo de compromissos, de metas a serem alcançadas, objetivos a serem estabelecidos. Faz tempo eu percebi que não consigo me adaptar mais a esse esquema popularizado e universalmente seguido pela Humanidade, esse de parar em uma determinada época do ano e reavaliar suas atitudes, repensar suas idéias, reoganizar suas metas. Descobri que os inícios e os fins de meus ciclos não seguem o padrão dos ciclos seguidos pela Humanidade. Não preciso de Natal e Ano Novo para repensar minha vida e reestabelecer metas prioritárias para o próximo ano. Não preciso que um ano se inicie para que eu decida que ciclos e períodos em minha vida terminaram e outros tiveram início. Meus ciclos seguem andamentos próprios regidos por mim.
Tenho vivido dias calmos, organizados, premeditados até. Meus dias são calmos, sem pressa exagerada. Saboreio meus cafés matinais, faço minhas próprias refeições com extremo zelo. Carnes ao molho, cafés com pitadas de chocolate, pães árabes com queijo derretido. Tenho assistido TV sempre buscando mais informação e cultura. Assisto a vida dos suricatos no Animal Planet, dou risadas com os Padrinhos Mágicos e me empolgo com Avatar na Nickelodeon, vejo bons filmes na HBO, seriados de minha preferência na Warner. Não tenho dívidas preocupantes, nem compromissos comprometedores demais. Meu afilhado sempre me visita e brinca com a sua gatinha Luppichan [ainda não me acostumei com esse nome nela], branquinha e brincalhona. Minha periquita Ana Luíza [presente de outro afilhado meu] adora passar as manhãs vendo o movimento da rua da janela.
Tudo isso ocorrendo sempre dentro de meus ciclos constantes, impregnados de sentimentos, surpresas, vivências, convivências, experiências. Acho que estou aprendendo a não deixar minha vida ser regida por ciclos que nada tem a me dizer ou nada me trazem de realmente positivo. Meus ciclos são feitos por mim mesmo e começam e terminam quando eu considero que eles devam ser iniciados ou terminados, ou quando fatos e momentos importantes de minha vida determinam o início e o término dos mesmos. Por isso, não estranhe se eu te desejar um bom 2008 lá para maio ou junho. Provavelmente eu esteja terminando meus ciclos pessoais e iniciando novos.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Acordei hoje e vi o tempo em que vivemos. Pessoas dopadas por falsas verdades e absorvidas por ilusões, manipuladas por hipócritas desonestos, cujo mau caráter desconhece os próprios limites. O tempo fechou nos últimos anos, e não tende a melhorar. Não que eu esteja sendo cético ou pessimista. Mas minhas conclusões pessoais são fruto de cuidadosa observação realista. Os noticiários não mentem, os jornais não escondem mais nada, tudo o que se passa em nosso mundo é um prato cheio para a mídia, que sempre busca informações para sempre manter sua audiência no topo. O mundo se aquece, as pessoas se matam, os invejosos se corroem por dentro cada vez mais. A verdade é assim, uma navalha afiada em seu pescoço, e você não pode se mover nem um milímetro sequer, do contrário você irá sentir gosto de sangue em sua boca. Hoje em dia é matar ou morrer. E as balas perdidas têm matado muito mais ou tanto quanto as guerras no Oriente Médio. Crianças morrem em sequestros de maneira aterrorizante. os filmes hoje em dia perderam a graça e não mostram enredos mais originais do que a vida real, muito mais surpreendente e cinematográfica em seus efeitos especiais, sociais, dramáticos, violentos. Cheguei à lamentável conclusão de que somos heróis de nós mesmos, sempre buscando nos salvar a cada dia do pior e sobrevivendo diante deste mundo terrível. O sofrimento ocupa todas as páginas, e o calor penetra meus poros em dias extremamente quentes. É o aquecimento global misturado com uma rotina sufocante. Estou tentando transferir toda transpiração em meus poemas, estou suando em palavras. Estou derretendo toda minha raiva em versos. Minha poesia está nas sombras agora, por minha própria opção.

Antes da Meia-Noite

Cada dia está sendo desperdiçado
pelas desgraças e carniças nas calçadas
Este aquecimento que sufoca e prende
a escuridão envolve e me rende
Seu olhar inerte na esquina
observando a destruição iminente

Ninguém tem mais nada a dizer
aos corpos boiando após a tempestade
Seu rosto suado apenas enxerga
o sangue que marca o asfalto quente.
O hipócrita conta suas mentiras
e arrasta os inocentes para o deserto
Todos se entregam a ilusões e orações
O desespero sufoca os humildes e os idiotas
Sua cruzada é uma farsa ridícula
e você exala falsidade repugnante

Meu pior inimigo espera meu vacilo
Uma raça maldita e dissimulada tentando
me derrubar sempre no meio do jogo
Uma corja de assassinos e ladrões
fazendo meu dia se despedaçar
entre as carcaças dos mais fracos

Não espere que eu me entregue
Meu sangue não será teu troféu
Aguardo sereno nas sombras
pois seu tempo está se esgotando
Verei teu sangue entre meus dedos
e desenharei meu futuro glorioso
em vermelho escarlate
antes de sentir seu último suspiro
sendo negociado pelo diabo na esquina.

Por Ulisses Góes

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Gosto da sensação de estar sempre aprendendo com as pessoas ao meu redor. Isso demonstra que tenho sabedoria suficiente para entender que não sou perfeito e que tenho ainda muito conhecimento a absorver sempre e constantemente, no decorrer de minha vida. Aprendo a ouvir canções que antes não ouvia. Aprendo a escrever cada vez revelando um maneira nova de demonstrar o que sinto. Aprendo a criar poesias. Aprendo que preciso ser sempre mais forte, se quiser superar obstáculos e alcançar novos degraus em minha vida. Aprendo que existem pessoas muito importantes em nossas vidas pelas quais devemos nos preocupar e sempre buscar dar o melhor de nós para que eles possam entender o mundo da melhor maneira possivel. Aprendo com meus erros passados a moldar melhor minhas atitudes presentes. Superar escuridões desesperadoras, esmagar monstros, encontrar a própria resistência diante das insanidades e loucuras do mundo ao seu redor. Diante das friezas e das inutilidades, seguir firme, vencendo os círculos do medo que rodeiam as fronteiras de nossos olhos. Confesso que sinto-me vaidoso em sempre querer explicar a vida, e a minha vida através de palavras poéticas, de poesia e música. Porém, isso me liberta, libera de dentro de mim um poder imenso e invencível, que estremece tudo ao meu redor. A minha espada são minhas palavras, e tenho apenas que estar ciente de que não posso guardar esse poder dentro de mim. Sempre que possível e necessário, aprender a usar minha Zanpakutou*, quando a batalha assim a chamar. Ter a força necessária para nunca fugir diante da guerra, e sempre estar atento ao chamado da minha Zanpakutou, não ter medo de liberar seu Shikai**, e alcançar a força necessária em meu espírito para liberar seu Bankai***.
Hoje posso dizer que sinto orgulho extremo em saber que tenho um afilhado que demonstra um nível de força surpreendente, e que nunca esmorece nem se abate diante de situações desafiadoras na vida. Consciente de seus pensamentos e de seus atos, acredito que ele já tenha atingido um nível de evolução interior que têm superado sempre, a cada dia de convivência com ele, as expectativas de um padrinho orgulhoso e extremamente feliz com o afilhado que ganhou. Hoje, dedico este espaço para versos escritos por ele, uma prova sincera e clara de seu amadurecimento como pessoa. Eu sei que ele guarda em seu coração a certeza de que sempre, e por toda as nossas vidas, ele poderá contar com o apoio, a amizade, a compreensão e o respeito de seu padrinho.

Pairando entre o céu e o inferno

Eu sou um demônio religioso,
Um anjo pecador,
Cientista religioso,
Cristão descrente,
Não amo quem me ama,
Odeio quem me odeia,
Sou homunkulus com alma,
Sou a clara luz negra,
A escura iluminação,
Sou um drácula sentimental,
Sou guerreiro sem espada,
Eu sou a guerra congelada.
Sou um morto-vivo,
Sou a viva morte,
Samurai desonrado,
Um cantor mudo,
Um templário maldito,
Abençoado cavaleiro negro,
Sou o plebeu rei,
Sou o gelado calor,
O gelo flamejante,
Sou o deus dos demônios,
Sou o demônio dos deuses.


Poema escrito pelo
meu afilhado Thalles
______________________
Notas referentes ao texto.
* Zanpakutou:
[literamente cortadoras de almas], no mundo de Bleach, são as armas que os Shinigamis usam para derrotar os Hollows. São espadas, normalmente, mas elas mudam de forma. Cada Zanpakutou tem vida própria, personalidade e força, e quando usadas em conjunto com o Shinigami é que ele pode realmente ser forte.
** Shikai:
Assim que o portador da Zanpakutou apura sua audição ele consegue ouvir o chamado de sua Zanpakutou, que grita seu nome. Se ele souber o nome de sua Zanpakutou ele pode chamá-la, normalmente com alguma frase antes, fazendo com que ela ganhe alguma habilidade especial e tamanho.
*** Bankai: última e mais poderosa liberação da Zanpakutou. Somente poucos conseguem chegar nesse nível, e para se conseguir uma é necessário 10 anos de treino, e mais alguns para dominar totalmente a Bankai.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

Ninguém começa um novo ciclo partindo do zero. Exatamente, você traz em sua bagagem resquícios e informações de ciclos anteriores. Então você já começa com um certo conhecimento do que vem pela frente. Começar um novo ano não quer dizer muita coisa hoje em dia, já que quando você erra, você parte do princípio de que admite um erro e tem que começar do zero novamente, buscando corrigir aquele erro anterior. E isso é algo que acontece conosco durante todos os dias do ano. Conclusão: sempre temos algo novo a começar, não importa se é final do ano, ou se é no meio do ano. Datas são apenas convenções capitalistas para as empresas ganharem dinheiro em cima dos sentimentos dos pobres mortais. Tudo bem, olhando pelo calendário, hoje é o primeiro dia de um novo ano. Mas aí vem a questão: ninguém vai começar nada partindo do zero. Existem as contas do ano passado para pagar, existem compromissos que foram firmados no ano que passou e que ficaram pendentes, idéias que nasceram dias ou meses atrás e que estão sendo colocadas em prática somente agora.
Não deseje nunca apenas um Feliz Ano Novo. Deseje tudo de bom para as pessoas durante o ano todo, que elas possam alcançar seus objetivos, resolver seus problemas, realizar seus desejos, serem felizes e poderem amar e serem amadas. Que isso possa se repetir por todo o ano, e que as pessoas não sejam tão superficiais a ponto de somente desejar felicidades aos outros pelo fato de ser uma data especial. Que elas possam desejar isso sempre, durante o ano todo. E que as pessoas não se deixem vencer pelos problemas da vida, que sejam fortes o suficiente para empunhar a espada com força e determinação, e se impor com sabedoria e nobreza diante dos inimigos.

Bleach

Você é jovem e impetuoso
portanto você se enfurece facilmente.
Você é dor e fúria intensa
portanto seu coração se abala tanto.
Com seu coração ferido
Sua espada perde o poder e brilho.

Afaste a dor, crie sabedoria
Veja os olhos de sua própria criança.
Torne sua dor na sua melhor arma
Avance sobre seu inimigo
com fúria inteligente e nobre
Jovem e impetuoso você é.
Corte com o brilho e
o poder de sua espada
e depois sorria
andando sobre os
corpos de suas vítimas.

por Ulisses Góes

sábado, 18 de novembro de 2006

O motivo de minha ausência aqui nesse meu espaço se deveu mais a problemas tecnológicos e trâmites burocráticos dessa nossa vida algumas vezes atribulada. Mas aqui estou de volta, buscando nao deixar esse meu lugar único entregue à própria sorte. Já bastam as nossas vidas, que parecem que andam alheias à nós mesmos, largadas como barcos no meio de um oceano, ao sabor dos ventos. Eu sempre tive a certeza do poder das palavras nas pessoas, mostrando a elas verdades que o mundo quase nunca nos mostra de forma clara.

Hoje recebi um email de uma grande amiga minha, especial por sua posição privilegiada na história de vida deste humilde poeta das palavras. Ela lutou pelas minhas poesias, meus versos, buscou mostrar a todos quem conhecia todo o vigor e riqueza de tudo o que escrevo de peito aberto. E assim como minhas palavras redescobertas por ela recentemente a tocaram profundamente de uma maneira que ela própria jurava desconhecer, suas palavras em seu email atiçaram chamas meio adormecidas dentro de mim. A poesia pulsa dentro de mim, vibra constantemente, a cada momento, em cada palavra, cada situação, cada olhar, cada sorriso, cada abraço, cada vivência intensa da qual participo ou me entrego sem medo. Amizades, amores, amigos, amigas, pessoas importantes que me marcam de uma forma especial e fabulosamente mágica.

Stéphanie, tefinha, ou simplesmente stef. Sua forma de enxergar poeticamente o mundo me encanta, ainda mais quando você consegue redescobrir formas, cores e nuances em coisas que outros diriam já estar ultrapassadas, antigas ou datadas. Eu sei que a poesia é atemporal, é única, é fôlego diante de nossa falta de oxigênio nesse mundo de pernas para o ar. Mas o fantástico poder que emana de você é poder desarticular uma pessoa com palavras tão sinceras e cristalinas. Flores em suas mãos, sempre terão o cheiro da primavera, não importa se elas tenham sidos colhidas no ano passado. Cartas antigas, aos seus olhos, sempre terão novidades a acrescentar em sua vida, mesmo que elas tenham sido escritas há alguns outonos atrás. Porque você consegue enxergar a essência, você consegue sentir a vibração da vida ainda viva em tudo, até mesmo em versos escritos num papel amarelado pelo tempo. E eu sei, suas lágrimas irão molhar o papel e você terá a sensação de felicidade invadindo você por conta dessa descoberta.

A sua imaturidade? Agora ela está hermeticamente presa no passado, e você alcança sempre outros níveis pessoais fabulosos. Tenha certeza de que seu sorriso não é mais vazio, seu choro não é mais em vão, e sua vida não está mais sem rumo. Pois você está encontrando os caminhos primorosos que fazem da gente pessoas especiais e que trazem dentro do coração tudo o que existe de mais puro, belo e encantador. O prazer de poder dizer que o mais importante da vida é saber vivê-la, entre nossos erros e acertos. E eu tenho o imenso prazer em poder dizer que, apesar de distanciados nos últimos tempos, ainda somos incríveis, fantásticos e poderosos em nossa amizade sempre eterna.

Stef, tem uma música que nesse momento dedico a você, e estou ouvindo ela nesse momento. Espero que você possa ouvi-la também agora, enquanto estiver lendo esse meu texto. A música se chama Shine On, do novo álbum da banda JET, que também se chama Shine On. É a faixa 8. Escute e preste atenção em sua letra. Com certeza, ela iluminará mais as minhas palavras para você.

Shine On - JET
do álbum Shine On, lançado em outubro 2006

[...]
And if the moon had to runaway

And all the stars didn’t wanna play
Don’t waste the sun on a rainy day
The wind will soon blow it all away

So many times I’d tried
To be much more than who I am
And if I let you down I will follow you ‘round until you understand

That if the moon had to runaway
And all the stars didn’t wanna play
Don’t waste the sun on a rainy day
The wind will soon blow it all away

When the days all seem the same
Don’t feet the cold or wind or rain
Everything will be okay
We will meet again one day
I will shine on, for everyone

[...]

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Se existe uma banda que tem uma aura dark, densa, penetrante e consistente, e que reflete toda uma atmosfera sinistra e melancólica presente em boa parte da década de 80 e início dos anos 90, essa banda se chama Depeche Mode. Muitas de suas músicas exalam um clima sombrio, soturno, e minha adolescência teve em sua trilha sonora algumas músicas marcantes do Depeche Mode. Never Let Me Down Again, Behind The Wheel, além de Strangelove, criaram contornos marcantes em muitos momentos de minha vida, onde eu sofri, chorei, amei, e senti o relativo gosto da felicidade nessa época de nossas vidas. Época de efervecência de sentimentos, sensações, descobertas. E muitas de minhas descobertas em minha vida, eu as fiz no silêncio mais extenso de meus atos, minhas atitudes, a maioria delas movidas pelo coração. E esse silêncio era quebrado sempre pelas minhas conclusões ensurdecedoras e por alguma canção de uma banda que eu começava a curtir na época. Uma dessa bandas foi o Depeche Mode, que acabou se unindo às minhas conclusões ensurdecedoras. Naquela época, eu absorvia o som da banda de uma maneira própria, de acordo com minha idade, meu estado de espírito, minha forma de enxergar o mundo. E ele já se mostrava caótico já naquela época.
O tempo passou, eu cresci, e fui ampliando meus horizontes musicais, e fui deixando algumas bandas que eu ouvia para trás, guardadas apenas naquela época em que tudo para mim parecia amplificadamente mais difícil, complicado, complexo. Deixei de ouvir Depeche Mode, mas nem por isso a banda deixou de seguir seu caminho, lançando seus trabalhos, suas músicas sinistras e melancólicas, e sempre se adequando à épocas e aos estilos musicais reinantes.
Quase 10 anos depois do lançamento de Strangelove, uma das músicas que passearam a trilha sonora de minha vida, aqui estou eu ouvindo novamente Depeche Mode sem medo de me sentir datado, ou ultrapassado. A banda parece que submerge de dentro de mim, busca respirar novamente, depois de tanto tempo esquecida nas profundezas. Comecei ouvindo o novo trabalho da banda lançado esse ano, e que realmente gostei muito: Playing The Angel. E hoje culminou com minha busca insistente pelo show mais recentes deles. Tudo porque li uma notícia essa semana de que em setembro eles estarão lançando o DVD da Tournet de Playing The Angel. Touring the Angel - Live in Milan realmente precisava ser lançado, pois o único registro de show ao vivo do Depeche Mode que eu tenho em minha mente é o do álbum 101, que por sinal é o álbum mais significativo da carreira da banda. Então fui atrás de algo mais, e acabei encontrando Touring The Angel 2006 CD - Live at Bremen Weser Stadion, um show deles na Alemanha. E o que antes era um combustível para a minha adolescência conturbada, hoje se mostra um revigorante para minhas idéias e meu amadurecimento enquanto pessoa. E então percebo que aquele anjo negro que todos temos dentro de nós não desapareceu, apenas está meio adormecido, meio domado, meio dominado, apenas quietinho, nos observando sutilmente. Acredite ou não, eu já tive asas pretas e um céu escuro ao meu redor.

Precious

Angels with silver wings
Shouldn't know suffering
I wish I could take the pain for you.

If God has a masterplan
That only he understands
I hope it's your eyes he's seeing through.

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Anjos com asas prateadas
Não deveriam conhecer o que é sofrer
Quem dera eu pudesse suportar a dor por você

Se Deus tem um plano mestre
Que só ele entenda
Eu espero que seja pelos seus olhos que ele esteja vendo

trecho do música Precious, do álbum
Playing The Angel, lançado em 2006
pelo Depeche Mode
 
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