segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009


E eis que surge um turbilhão de novidades, em meio a essa época carnavalesca. Como eu não gosto de Carnaval, procuro ocupar meu tempo disponível com coisas que eu, particularmente, considero bem mais atrativas e interessantes. Como por exemplo o álbum novo do U2, No Line On The Horizon, que apesar de todos os esforços da banda e da gravadora, acabou vazando na internet, para alegria dos fãs. E o que dizer de um trabalho incrível que já foi proposto pela revista Rolling Stone como sendo um novo clássico do U2, recebendo 5 estrelas na crítica da publicação. E uma das melhores definições que eu considero perfeita para o trabalho mais recente do U2 partiu de uma crítica brasileira Uliana Resende, da BR Press, que o qualificou como um disco-esfinge. Decifra-me ou devoro-te. E realmente, trata-se de um disco ao mesmo tempo vigoroso, inventivo, experimental, pesado e que remete a diversas fases e sonoridades de toda a carreira do U2. Tudo indica que o disco já nasceu como um clássico, um novo divisor de águas na trajetória musical da banda. Cito três músicas que considero as mais fabulosas: No Line On The Horizon, Magnificent e Stand Up Comedy.
Outra novidade que ando escutando por esses dias é o álbum novo da banda escocesa Franz Ferdinand, intitulado Tonight Franz Ferdinand, esse também mais um trabalho que curti bastante. O curioso é que inicialmente baixei esse álbum porque havia uma música com meu nome, e eu queria ouví-la, e saber que tipo de sonoridade brotava de Ulysses, o primeiro single da banda. De acordo com a banda, eles escreveram essa música, assim como todo o restante do álbum, baseada na obra Ulysses, do escritor irlandês James Joyce. Assim como o livro, que conta a história de um dia na vida do personagem, o trabalho da banda tenta mostrar tudo o que poderia acontecer em uma noite na vida de alguém. Can't Stop Feeling e Lucid Dreams são músicas incríveis, apesar de que eu preferi a primeira versão desta última, divulgada antes do álbum ser lançado.
E ontem assisti a 81ª festa de premiação do Oscar na TNT [já que a Globo tomou uma decisão ridícula e infeliz de transmitir o Desfile das Escolas de Samba do Rio ao invés da premiação], que este ano mostrou um produção mais modesta, num formato mais diferenciado dos anos anteriores, numa apresentação até mais rápida e dinâmica, e com resultados incrivelmente globalizados. Quem Quer Ser Milionário?, uma produção dirigida por um inglês e com atores indianos acabou levando 8 das 10 premiações as quais estava indicado, inclusive o de melhor diretor e melhor filme. A foto acima é da pequena indiana Rubina Ali Qureshi, 9 anos, atriz-mirim que atuou na produção [Foto Gautam Singh/AP]. Outro filme que liderava as indicações, com um total de 13, era O Curioso Caso de Benjamim Button, que acabou levando apenas 3, melhor efeito especial, melhor maquiagem e melhor direção de arte. E Heath Ledger foi homenageado com um Oscar póstumo de melhor ator coadjuvante devido ao seu trabalho como Coringa por Batman - O Cavaleiro das Trevas. O prêmio foi recebido pelos pais e a irmã do ator. Por incrível que pareça, um filme que ainda não assisti e que tenho imensa curiosidade em ver por causa da tão comentada atuação de Ledger. Eu já assisti Batman Begins e considerei o melhor filme até então feito sobre o herói. E após assistir na íntegra a premiação do Oscar, percebo que, enquanto o nosso Brasil se rende a tantos festejos momescos, a Índia brilha ofuscante agora com sua produção oito vezes oscarizada.
Para terminar, dois fatos importantes que estou procurando desenvolver ao máximo e torço para que dê tudo certo em ambos: o primeiro é um livro que estou escrevendo chamado As Crônicas de Nevareth, baseado em um jogo MMORPG, Cabal Online, e o segundo é a proposta de uma editora de São Paulo em analisar meu livro Efeito Cacaos e ver as possibilidades reais dele ser lançado. E atualmente, isso é tudo o que mais desejo que se realize, basta eu acreditar.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009


Acredito que, atualmente, para a maioria das pessoas, está sendo uma tortura estar vivo e interagir com outros seres humanos. Eu percebo isso observando o cotidiano de muita gente que demonstra uma dificuldade enorme em superar conflitos, anular brigas e discussões desnecessárias. Elas parecem realmente estar em guerra constante, jogadas em trincheiras amaldiçoadas e imundas, lutando para sobreviver e seguir adiante, dia após dia. É lamentável, mas é uma verdade cruel. Diante dos fatos, começo a realmente me sentir um óasis vivo, isolado em minhas calmarias, imune à qualquer tipo de selvageria ou decadência sociológica que possa invadir minha vida. O mundo se tornou um inferno onde o homem cria outros tantos.
Ontem à noite, aqui perto de minha casa, um homem em uma moto foi atropelado por um ônibus. Morreu no choque, e chamou a atenção de milhares de curiosos que queriam ver seu corpo inerte, seu sangue no asfalto. ontem, o proprietário da casa onde moro resolveu discutir comigo, e eu, acostumado a usar de diplomacia e bom senso, decidi usar um dircurso defensivo e mostrar que não estou apto a certos tipos de pressões ridículas.
O mundo é esse retrato rápido de situações que acabei de pincelar. Violência, stress, revolta, caos, sangue no asfalto e no olho. E eu me sinto cada vez mais rodeado de um mundo revoltado, enquanto me defendo em meu oásis, buscando o máximo possivel ter o mínimo de problemas que puder. Até porque, por mais que tentemos, nunca estamos livres de um problema ou outro que apareça em nosso caminho.
Diante de tanto caos, abro um parênteses para demonstrar minha alegria e abençoar a maravilha tecnológica que é a internet. Depois de muitos anos, semana passada meu irmão Miro, a quem eu não via há mais de 10 anos, entrou em contato comigo. Antes havia sido minha irmã Zélia e meus sobrinhos Hemilly e Wasley que haviam conseguido me encontrar no orkut. E na semana passada foi a vez da mulher de meu irmão, Priscila, me encontrar no orkut e pedir notícias da família distante. Conversamos bastante pelo msn, os irmãos reunidos numa conferência via msn, coisa realmente inédita para essa família tão fragmentada e desconexa por tantos anos. Fiquei contente, e minha mãe mais ainda, por rever o filho distante.
Engraçado esse mundo de hoje. Sendo destruído e se revolucionando ao mesmo tempo.

E antes que eu me esqueça, a imagem que ilustra esse texto que escrevi é da contracapa do mais recente álbum do Guns N'Roses, Chinese Democracy, que eu estava ouvindo enquanto escrevia estas linhas. Para quem passou a adolescência ouvindo a voz cortante de Axl Rose em verdadeiros clássicos, nada mais adequado como trilha sonora para nossos tempos.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009


Hoje o U2 lançou finalmente seu novo single, o tão aguardado Get On Your Boots, que estará no próximo álbum da banda intitulado No Line On The Horizon, álbum esse já catalogado em minha extensa lista de coincidências existentes em minha vida. A primeira audição da nova canção do U2 já me remeteu a um som setentista, principalmente a bateria de Larry que, juntamente com a guitarra poderosa de Edge e o baixo de Adam, parecem ter absorvido uma sonoridade semelhante a de bandas como Led Zeppelin, uma das influências já declaradas pela banda nesse novo trabalho deles. Não fiz comparações com outras músicas anteriores de sucesso do U2, até porque seria um equivoco fazer isso. Como eu deixei claro em uma discussão na comunidade da banda no orkut, é preciso limpar nossas mentes e esquecer todas as músicas anteriores do U2 e ouvir essa nova música como se fosse a primeira vez que se estivesse ouvindo U2. Ainda estou absorvendo o que estou ouvindo de novidade em Get On Your Boots, e o que posso dizer no momento é que o som é renovado, diferente do que o U2 já tenha feito antes. E Bono solta mais uma pérola na letra dessa nova música:

"I’ve gotta submarine
You’ve got gasoline
I don’t wanna talk about wars between nations"

A propósito, a foto acima é da banda na cidade de Fez, em Marrocos, onde gravou partes do novo álbum No Line On The Horizon.

Lara retorna
E depois de tanto tempo longe de minha musa arqueóloga, aqui estou eu novamente jogando mais uma versão de Tomb Raider. Meu amigo Oroga trouxe para mim, de presente, a edição de aniversário intitulada Tomb Raider Anniversary, que comemora os 10 anos de lançamento do jogo de Lara Croft. Na verdade, essa versão é apenas um remake de Tomb Raider 1, com a diferença dos gráficos avançados e muito melhorados, além de utilizar a engine do jogo Tomb Raider Legend e alguns de seus recursos de jogabilidade. Sensação de nostalgia estar jogando mais uma vez este jogo, e para mim que já zerei as cinco primeiras versões do jogo, é excitante poder enfrentar novos desafios com Lara Croft. Era incrível jogar, pois o desafio de zerar demorava alguns meses, já que naquela época ainda não havia internet para podermos buscar tutoriais ou trocarmos idéias com outros jogadores sobre como passar pelas fases ou superar inimigos no jogo. Hoje a diferença está na facilidade em obter informações sobre o jogo e na rapidez com que se pode zerar um game, quando você está muito mais familiarizado com os desafios.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009


Minha vida é feita de experiências e coincidências. E mais uma dessas coincidências surge para se juntar a milhares de outras que ocorreram comigo e me fizeram rir e achar tudo uma constante brincadeira do destino. Mês passado eu havia ido a Ilhéus em um dia de chuva e pude admirar, fascinado à beira da praia em Olivença, um tempo fechado, cinzento, nublado, chuvoso, e um horizonte sem linha, o que fazia com que o mar se fundisse com o céu. Nunca havia visto aquela paisagem antes. Agora vem a fabulosa coincidência. Dias depois, antes do ano terminar, descubro através de informações e notícias divulgadas por fãs em comunidades no orkut que o U2 irá lançar seu próximo álbum no inicio deste ano de 2009. Agora você fica a se perguntar onde está a coincidência nisso tudo. E eu respondo: o nome do novo álbum do U2 é No Line On The Horizon.
De certa forma até já me acostumei com essas situações misteriosas que ocorrem sempre em nossas vidas. Entretanto, ainda fico pensando sobre coincidências. idéias e imagens que visualizo em minha mente e que, tempos depois, se realizam de maneira surpreendente. Talvez minha mente apenas processe diversas informações ao meu redor e consiga antecipar resultados óbvios como eventos lógicos. Imaginar um determinado prédio sendo construido em um terreno baldio 10 anos antes do mesmo ser erguido. Escutar as músicas de uma banda que ninguém sequer conhece, e seis meses depois essa mesma banda virar o sucesso do momento. Assistir episódios de uma série pouquíssimo conhecida, e tempos depois constatar que essa mesma série agora passa em alguns canais e é líder de audiência. Se interessar por um determinado assunto, pesquisar e ler livros a respeito, e em seguida ver, surpreso, que esse mesmo assunto se transformou em notícias e reportagens na TV. Coincidências? Ou o inconsciente coletivo em funcionamento constante? Seria uma predisposição nossa em conseguir antever as tendências sócio-culturais de um imenso grupo de pessoas? Cada um que procure encontrar suas próprias respostas.
Voltando ao novo trabalho do U2, o primeiro single do álbum "No Line on the Horizon", "Get On Your Boots", terá seu lançamento nas rádios do país, no dia 19 de janeiro, e a banda se apresentará no Brit Awards no dia 18 de fevereiro, onde tocarão o primeiro single do novo álbum. Enquanto isso, eu aguardo ansioso por ouvir novas músicas de uma das bandas que mais curto, e contabilizo mais uma estranha coincidência em minha vida.

domingo, 4 de janeiro de 2009


Passada a euforia das festas de final de ano, os brindes, os brilhos e luzes dos fogos de artifício, todos voltam à normalidade do dia-a-dia, certos de que estão começando novos ciclos em suas vidas. O que ninguém percebe é que o único ciclo que se fechou para que outro se iniciasse foi o ciclo temporal, esse de dias, meses e anos que rege a vida de toda a humanidade. De resto, nada mudou tão significativamente. A vida segue em frente, com sua rotina de compromissos, trabalhos, família e contas a serem pagas. Basta ligar a TV e assistir aos noticiários mais atentamente. Os conflitos na Faixa de Gaza continuam, a atual crise econômica mundial permanece, a violência urbana continua a ocorrer de maneira assustadora, as chuvas em Santa Catarina continuam a cair.
Não quero me mostrar pessimista ou negativo quanto aos planos de todos para este ano que se inicia. Apenas procuro observar o mundo de maneira mais realista e sem essa ilusão de considerar que tudo vai melhorar este ano. Sou otimista, mas com bom senso e inteligência. Todos sabemos que o mundo está atravessando um período muito turbulento cheio de crises, guerras, violências e diversas outras pequenas desgraças que nos alertam para o que está ocorrendo e para o que está por vir ainda. E justamente por causa disso é que, antes de sermos otimistas, devemos ser realistas. E não precisamos de festas de fim de ano para que nos confraternizemos e busquemos repensar e reavaliar nossas vidas, fazendo novos planos para o futuro. Se o mundo passar por mudanças profundas e drásticas em breve, pode ter certeza de que tais mudanças não irão esperar o dia 31 de dezembro para ocorrerem. Por isso devemos ficar atentos, e observar que nossas próprias mudanças pessoais devemos fazer em qualquer tempo, em qualquer época, independente de que seja final de ano para que possamos dar o primeiro passo para realizar tudo o que sempre planejamos fazer.
Como eu mesmo escrevi há um ano atrás, não preciso que um ano se inicie para que eu decida que ciclos e períodos em minha vida terminaram e outros tiveram início. Meus ciclos seguem andamentos próprios regidos por mim, começam e terminam quando eu considero que eles devam ser iniciados ou finalizados. Todos deveriam pensar assim, e buscar agir de maneira mais independente, sem ter que aguardar Natal ou Ano Novo para reavaliar suas vidas e colocar em prática seus projetos, seus sonhos e buscar alcançar seus objetivos estabelecidos.
E agora, somente perto do final do texto, lembrei de falar sobre a última vez que fui à praia. Semana passada, dois dias antes do final do ano. Fui a trabalho, receber um pagamento. Tempo fechado, chuvoso, uma garoa fina caindo, nuvens pesadas no céu. Logo após sair do Morro dos Navegantes, na estrada Ilhéus-Olivença, fui andando pela beira da pista em direção a um ponto de ônibus próximo. Andava sempre observando o mar, e puder ver algo que nunca havia visto antes. Não havia linha do horizonte na paisagem. O tempo estava tão fechado que o mar e o céu se confundiam numa paisagem acinzentada. Fiquei fascinado e hipnotizado por longos minutos, antes de pegar o ônibus de volta pra casa.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Véspera de Natal. Para a maioria, uma data festiva, motivo para reuniões familiares e troca de presentes, além de exercitar esse tão falado espírito natalino, desculpa estranha para querer ser benevolente somente nessa época do ano. Para mim, uma dia como outro qualquer, sem muita expectativa ou ansiedade por eventos importantes em família. Falando em família, sou nostálgico o suficiente para lembrar de meus Natais passados, de quando eu curtia mais essa época do ano. Quando eu morava com minha família, minha mãe e meus irmãos, eu gostava de arrumar a árvore e seus enfeites. Hoje não moro mais com minha família e aqui em casa não existe uma evidência sequer que possa denunciar a época natalina, sem um enfeite sequer, nada. Não que eu seja indiferente com relação às festas de final de ano, apenas não me empolgo mais com esse Natal marketeiro e altamente consumista. Simplesmente esse Natal não consigo me encaixar.
A única coisa boa desse dia de hoje é que amanheceu nublado e agora chove mansamente. Espero que o dia todo seja assim, pois curto muito dias nublados e chuvosos.
E para combinar com um dia como hoje, escolhi Dido como trilha sonora. Nada daquelas músicas ridiculas de Natal, aquelas melodias repetitivas e deprimentes, pelo menos para mim. Não há coisa mais estúpida do que aqueles temas natalinos ao toque de harpas. E coincidentemente, justo quando tive vontade de ouvir No Angel, descubro que Dido acabou de lançar seu novo trabalho este mês. Safe Trip Home caiu como uma luva para o momento, e aqueceu meu coração com canções lindas e uma voz maravilhosa. Concordo plenamente que Dido possui uma voz bossanova aconchegante e hipnotizante, e esse trabalho novo dela apenas confirma isso. E a leveza de sua voz sofreu uma evolução positiva, já que Dido ficou distante do holofotes desde seu último trabalho, Life For Rent, de 2003, para estudar música, engenharia de som, arranjos e masterização na Universidade da California. O resultado é um álbum maduro, com canções mais introspectivas e sérias, muito provavelmente influenciadas pela morte de seu pai. Como sempre, o sofrimento transformado em arte resulta em uma riqueza inquestionável de imagens, prosas, poesias, melodias. Basta ouvir Grafton Street, do novo álbum de Dido, e você compreenderá com mais intensidade tudo o que escrevi aqui.
E que todos tenham um bom dia nublado e chuvoso.

sábado, 20 de dezembro de 2008


É algo que eu ainda não tinha feito até hoje. Nunca peguei um texto escrito por mim sobre determinado assunto e contextualizado ele em versos, transformando-o em um poema. Percebi lirismo no que eu havia escrito há mais de 1 ano em um texto com o título "O DNA de um herói". Ultimamente, meus poemas estão um tanto quanto ácidos e pesados. Inclusive, "pesado" foi a definição dada pelo meu afilhado Thalles depois de ler um outro poema meu intitulado "Uma Sinfonia em C". Os dois poemas em si descrevem um mundo conturbado e caótico, alucinantemente infernal e pertubador, perdido em rotinas de violências e catástrofes. Tudo isso filtrado por mim e canalizado em versos "pesados". A propósito, meu afilhado criou um blog esta semana, Ankh's Blog, onde ele também expõe suas impressões sobre este mundo, além de postar poemas escritos por ele. Clique e confira.

Os passos de Johnnie

Acordei hoje e vi o tempo em que vivemos.
Pessoas tragando falsas verdades
gente em pose fumando puras ilusões
nicotinizadas em hipocrisias e vícios

O mundo se aquece, as pessoas se matam,
os invejosos se corroem, o Natal se consome.
E sobre os escombros e no meio de enchentes
todos precisam continuar andando sem parar.
"Keep Walking, Johnnie Walker"

Sou herói de mim mesmo nestes dias sufocantes
Transfiro toda minha transpiração para meus poemas
Estou suando em palavras pelos poros
Derretendo minha raiva em versos.
Continuo seguindo meu caminho
Vendo as pessoas em pose colocando
mais gelo em seus copos de uísque.

por Ulisses Góes, final da Primavera de 2008.

O mundo é um imenso turbilhão de consumismo. E a época em que isso fica mais exposto é justamente o Natal, onde todos correm atrás dos presentes a serem dados para seus familiares e amigos. Não há como negar que atualmente o Natal é isso, consumismo descarado e desenfreado. Acredito que nem mesmo a atual crise econômica mundial está freando as pessoas em suas compras pelo shopping. Provavelmente poucos estejam pensando no futuro, e buscando fazer suas economias ou evitar criar mais dívidas que se multiplicarão no decorrer do início do próximo ano. Tudo em torno do Natal foi criado e gerado para fazerem as pessoas consumirem, gastarem o que tem e o que poderão ter mais adiante. Até mesmo o Papai Noel que nós conhecemos, vestido nas cores vermelha e branca, foi obra da Coca-Cola, que em 1931 realizou uma grande campanha publicitária vestindo o Noel com tais cores, o que foi muito conveniente, já que são as cores presentes no rótulo do refrigerante. Lógico que a campanha foi baseada na criação do cartunista americano Thomas Nast, lançada em uma revista americana de 1886. De qualquer forma, a Coca-Cola é a responsável por difundir a imagem do papai Noel como ele é hoje. Coisas de nosso planeta consumista e regido pela mídia da propaganda.
Não que eu seja contra esse mundo consumista no qual vivemos, apenas considero certo exagero a maneira como esse consumismo é colocado pela mídia e por todos. Essa necessidade imperiosa de comprar presentes, essa "obrigação" que eu considero realmente desnecessária. Mas trata-se de convenções do mundo moderno, então não há muito o que se fazer. O máximo que se pode fazer é expor sua opinião sincera, sua indignação, sua queixa, caso a tenha com relação ao caso. E desejar Boas Compras e Felizes Dívidas Novas em 2009.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O mundo está girando em águas turvas e tempestades que parecem inacabáveis. Depois de assistir tantas tragédias por contas das inundações e desabamentos provocados pelas chuvas em Santa Catarina neste final de ano, chego à conclusão de que as mudanças sofridas pelo planeta por conta do aquecimento global são fatos reais e televisionados para todos constatarem. E toda aquela história de que o Brasil é o país do futuro e de que as consequências ambientais por causa do aquecimento globais serão desatrosas para todos futuramente não funciona mais com o verbo sendo utilizado no tempo que ainda está por vir. O tempo já veio e está passando diante de nossos olhos. O mundo está girando em águas, e elas estão caindo em proporções muito maiores do que antes. E o que me revolta mais é que, enquanto milhares e milhares de pessoas sofrem tragédias imensas com perdas materiais e morte de familiares, eu consigo enxergar aqui, entre pessoas com quem convivo, aquela insistência em continuar vivendo dramas pessoais absurdamente ridículos. Discussões ridículas por motivos mais ridiculos ainda, falta de bom senso ao lidar com problemas que aparentam ser maiores, mas que não são. Dramas pessoais e familiares onde a solução é simples e pode ser efetivada em poucas e sensatas atitudes.
Entretanto, nem todos costumam cultivar o bom senso, a paciência e a lógica para lidar com problemas que podem muito bem ser neutralizados, isolados ou cortados pela raiz. É triste observar isso. O mundo se acaba em tragédias, e muitas pessoas não se dão conta de que, diante de tantos desastres maiores, seus próprios problemas são pequenos e fáceis de serem resolvidose até mesmo evitados. E aqui estou eu, vez ou outra vivendo entre pessoas estressadas, nervosas, ansiosas, e tendo que me proteger de tudo isso, principalmente porque procuro de todas as formas cultivar sentimentos opostos a tudo isso. Enquanto todos se jogam premeditadamente aos ventos dos tornados, eu me concentro em ficar no olho do furacão.
A imagem acima é da capa de um dos álbuns da banda texana V.A.S.T., recomendada para quem curte rock alternativo sem pretensões. Recomendo ouvir Music For The People [2000] e Nude [2004].

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Engraçado que ainda não utilizei este espaço para desabafar sobre algumas decisões que tomei nestas últimas semanas. Provavelmente seja pelo fato de que tais decisões são muito pessoais e importantes para mim - as mais importantes tomadas em toda a minha vida - e que definirão meus caminhos daqui pra frente. Nunca estive tão certo do que fazer como agora, neste momento de minha vida. As escolhas foram feitas, e sigo em frente. Não me arrependo, em momento algum, do que decidi, e como esse é um assunto realmente muito pessoal e especial, apenas posso dizer aqui que eu escolhi o lado que é o mais importante e especial para mim. E que assim será por toda esta vida.
Esta semana, meu afilhado Thalles trouxe dois novos gatos, e agora a casa tem dois novos moradores. Um gato e uma gata, que já foram batizados de Yin e Yang, irmãos que não se separam e que estão ainda demorando a se acostumarem ao novo lar. Yang já não está tão cismado assim e caminha pela casa despreocupadamente. Já sua irmã Yin é muito desconfiada e cismada, e está demorando a se soltar no ambiente. Por enquanto, tomaram conta de meu quarto, e dormem por lá, saindo apenas para comer e fazer suas necessidades. Já demonstraram serem higiênicos e educados, fazendo suas necessidades no banheiro. Fiquei até surpreso com isso, e já é uma preocupação a menos. Por enquanto, eu espero que Thalles consiga fazer a gata se acostumar com a casa, porque até o momento ela continua desconfiada.
E como trilha sonora destes dias frios e chuvosos de setembro - apesar de já estarmos na Primavera - estou escutando muito Metallica, Epica, Nightwish, por influência de meu afilhado. Nada mais natural, já que a troca de experiências musicais entre a gente é constante. Por influência minha, por exemplo, ele escuta sempre Depeche Mode. Considero isso muito positivo, pois demonstra que sempre aprendemos muito um com o outro. Aproveito para ouvir o novo álbum do Metallica, Death Magnetic, que está sendo muito bem recebido pelos fãs e pela imprensa musical, sendo considerado o álbum que resgata muito da sonoridade do Metallica da época anterior ao lançamento do clássico Black Album. E de fato, o som deles ressurge mais trash, mais sujo, uma bateria mais intensa, solos de guitarra bem pensados e trabalhados, músicas com pegadas pesadas e agressivas. Sinal de que a banda buscou voltar às suas origens. Decisão tão acertada quanto a minha.
 
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